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"Judy Garland, Marilyn Monroe, Edith Piaf, Billie Holliday são ícones trágicos da dramaturgia mundial. Elas representam (ou personificam) o lado obscuro do show business, onde o que importa são as cifras a qualquer custo. Estas mulheres, cuja força interior era maior do que elas, foram inexoravelmente impulsionadas para o abismo. Todas sabiam que seus desenlaces seriam trágicos, mas não conseguiam parar ou mudar o rumo de suas vidas. Curiosamente, dois filmes de Judy mostram bem o que estava acontecendo com ela em dois momentos de sua vida conturbada: No início dos anos 50, despedida da mgm e com fama de profissional problemática, Judy teve sua chance ao conseguir o principal papel em Nasce uma Estrela. E para saber o que ela estava passando naquele período basta acompanhar a trajetória de Norman Maine na ficção. Era ela quem passava por tudo aquilo que Maine vivia na tela. E o interessante é que sua personagem - Esther Blodget/Vicki Lester - quem tenta salvar o marido a todo custo. Era a arte mostrando a Judy Garland - a mulher, o que ela mesma poderia fazer por si na vida real. A emblemática cena final, em que Vivki Lester agradece ao público fiel, mostra uma atriz ainda radiante e luminosa. Sob calorosa ovação (em áudio) Judy faz sua primeira despedida das telas. Dez anos depois, no início dos anos 60, ela voltava a aproveitar o cinema para falar de seus problemas pessoais para os fãs ainda restantes. O filme era i Could Go On Singing. Mais gorda, rosto marcado pelos anos de sofrimento e voz desgastada ela vinha a público dizer que ainda enfrentava problemas pessoais, agora mais complicados: Já estava no quarto casamento, tinha três filhos - a mais velha, Liza, roubando-lhe a cena nas aparições que fazia - e contava 42 anos de idade. O roteiro de i Could go on Singing fala de infortúnios amorosos, alcolismo, ensaios e apresentações canceladas, enfim.. . Tudo o que Judy vinha acumulando nos últimos anos. E como uma amarga alusão a seu último grande filme, Este também termina com Judy agradecendo à platéia após uma dividosa performance da canção-título. Sem o glamour e a sofisticação da imagem de 1954, ela encerra sua última aparição nas telas num triste quadro de decadência. Em comum, os dois filmes têm ainda o rastro do cansaço e da saturação ao término das filmagens. Foi graças à elegância e discrição de seus partners ingleses (James Mason em 1954 e Dick Bogarde em 1964) que ninguém ficou sabendo das destemperanças da atriz nos set de filmagens. Hoje, i Could Go On Singing vale apenas como o registro do último trabalho da atriz para o cinema. Mas para os cinéfilos de plantão, aí vai uma dica: Quem ainda não tem, deve comprar imediatamente o dvd duplo - edição especial - de Nasce uma Estrela. Ali, no disco dois, vocês poderão assistir na íntegra as diversas versões da seqüência onde Judy interpreta The Man That Got Away. É um barato ver como a cena foi evoluindo até chegar à versão final mostrada nas telas. "
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