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Traffic
Traffic (EUA/2000)
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"Ninguém escapa limpo"
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Um retrato da guerra ao narcotráfico nos Estados Unidos e no México no final dos anos 90 é o que promete “Traffic”, produção de Steven Soderbergh. E parece que ele consegue chegar bem perto. O filme mostra o trabalho da polícia dos dois lados da fronteira, de forma bem realista e imparcial. O filme também conta um pouco sobre o lado dos políticos, traficantes, e até mesmo dos viciados, mas o enfoque mesmo está na ação da polícia e da justiça americana e mexicana. Grandes atuações são o destaque de “Traffic”. O elenco foi bem escolhido e inclui astros como Michael Douglas, Catherine Zeta-Jones , Benicio Del Toro, Dennis Quaid e muitos outros. Palmas para Benicio Del Toro, que está perfeito no papel do policial mexicano, tentando fazer justiça no meio de uma polícia corrupta e violenta. Sua atuação lhe rendeu um merecido Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. A história é na verdade um conjunto de histórias independentes de diversos personagens que de alguma forma estão relacionados ao mundo do narcotráfico. Michael Douglas faz um juiz do Supremo Tribunal que é nomeado para liderar os esforços norte americanos no combate ao tráfico de drogas. Ele divide seu tempo entre reuniões e brigas com a mulher e a filha, que aos poucos cede ao vício à cocaína. Benicio Del Toro é um policial mexicano, e deve tomar cuidado para que suas investigações não lhe custem a vida em um país controlado pelos traficantes. Catherine Zeta-Jones faz o papel de uma mulher que de repente perde tudo e se vê cercada de inimigos, quando descobre que seu marido era um grande traficante. Esses e outros personagens se encontram pelo filme através de ganchos na trama que são interessantes e bem elaborados. Uma característica interessante do filme é a visão de cada lado da fronteira, e eu estou falando literalmente de visão. Enquanto no mundo dos norte-americanos tudo é de um azul triste, do lado mexicano o filme adquire um tom amarelado, como uma produção antiga. Enquanto os policiais americanos utilizam avançadas técnicas de vigilância para pegar os traficantes, os policiais mexicanos trabalham na base do pegar, bater, e torturar. O efeito desses contrastes, em especial a cor, dá uma interessante diferença não só entre os ambientes, mas também entre os personagens envolvidos em cada lado da história, apesar de que alguns poderiam dizer que tal contraste também dá uma sensação de crítica, como se no México as coisas fossem velhas e amareladas. Steven Soderbergh foi inteligente em deixar o drama do “Juiz nomeado para combater o tráfico e que tem sua própria filha vítima do vício em cocaína” para segundo plano, afinal de contas ninguém quer ver “Christiane F. Drogada e Prostituída” de novo. “Traffic” é sério, profundo, reflexivo, ou seja, não tem nada de CAFRI (fora o fato de ter sido uma mega produção), mas é um bom filme, com bons atores, e se você gosta de dramas sobre a realidade, deve ser assistido.
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Gustavo Catão
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