[Escolha sua cidade] Brasil, 8 de janeiro de 2009
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A Lenda do Zorro
The Legend of Zorro (EUA/2005)

Direção: Martin Campbell

Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci

Elenco: Antonio Banderas (Don Alejandro de la Vega / Zorro), Catherine Zeta-Jones (Elena de la Vega), Rufus Sewell (Armand), Nick Chinlund (McGivens), Adrian Alonso (Joaquin), Raúl Méndez (Ferroq), Giovanna Zacarías (Blanca Cortez)

[Veja os participantes de "A Lenda do Zorro"]

Duração: 130 min.

Gênero: Aventura

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Pense em “A Máscara do Zorro”, excelente filme de 1998, que recebeu duas indicações ao Oscar daquele ano (Melhor Som e Melhor Efeitos Sonoros). Dirigido por Martin Campbell e estrelado por Anthony Hopkins, o filme rendeu US$ 233 milhões nas bilheterias mundiais e foi o responsável por colocar no mapa de Hollywood os nomes de Antonio Banderas e Catherine Zeta-Jones. E aí, lembrou? Pois bem, agora pegue “A Máscara do Zorro” e tire Anthony Hopkins. Ah... no lugar de um personagem mais velho que sirva de mentor para Zorro (como fez o ator de “O Silêncio dos Inocentes” no longa anterior) dê destaque à um protagonista mirim, no caso Adrian Alonso, que é a personificação, mais jovem, do Quico, do seriado “Chaves”, só que mais bochechudo e idiota. Substitua ainda o roteiro ágil e divertido de Ted Elliott e Terry Rossio (dupla responsável pelo roteiro do excepcional “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra”) pelo burocrático e nada original script de Alex Kurtzman e Roberto Orci (roteiristas da fraca série “Alias”). Troque também toda sensualidade e química que havia no casal Banderas/Zeta-Jones por discussões-clichês sobre o “drama da família partida”. Conseguiu visualizar todas essas mudanças? Se sim, então você não tem o que fazer no cinema. Caso ainda não tenha conseguido visualizar esta tragédia, então veja com seus próprios olhos, mas espere pelo pior.
Como gosto muito de “A Máscara do Zorro” e confesso que tinha até certa expectativa, ou melhor curiosidade, em relação à “A Lenda do Zorro”. Pensava que o fato de todo mundo envolvido com o filme original estar também nesta fita, inclusive o produtor Steven Spielberg, era um ponto positivo do longa. Até porque todos os envolvidos, em especial Antonio Banderas e Catherine Zeta-Jones, tiveram suas carreiras alavancadas após o primeiro filme, então não faria sentido retornarem à trama de Zorro se não tivesse nada que deveria ser contado. Eu estava errado. O longa serve por tornar ainda mais evidentes as qualidades do filme de 98: descompromissado, estiloso, inteligente e engraçado.
Depois de lutar para que a Califórnia se torne o 31º Estado dos Estados Unidos, Zorro (Antonio Banderas) deve cumprir a promessa que fez à sua mulher Elena (Catherine Zeta-Jones) de desistir da sua identidade secreta e levar uma vida normal, como Alejandro de la Vega, junto dela e de Joaquin (Adrian Alonso), o filho de ambos. Mas isso não será possível, tendo em vista que existem várias pessoas que querem impedir a integração da Califórnia e a futura prosperidade norte-americana (!?!?!).
É claro que, assim como “A Máscara do Zorro” não era nenhuma obra-prima, “A Lenda do Zorro” também não é o pior filme de todos os tempos, mas é bem fraco. Com a idéia clichê e idiota de que “filho de peixe, peixinho é”, o filme dá muito espaço ao personagem infantil, o que incomoda e muito. Outro grande problema do filme é sua duração. Enquanto no filme de 98 os 138 minutos passavam tranqüilamente, aqui os 130 minutos parecem passar em câmera lenta.
Se não bastassem todos esses empecilhos supracitados, o filme ainda comete o erro de colocar como principal vilão um francês, o que além de clichê (desculpe por usar esta palavra novamente, mas não tem jeito) não é nada atual, tendo em vista que o momento de crise diplomática entre os EUA e a França aconteceu dois anos antes deste filme estrear. O pior é que nem um francês de verdade eles arrumaram, então ver o inglês Rufus Sewell interpretando Armand é no mínimo engraçado (para aqueles que acham graça da desgraça alheia).
Nossa, eu não paro de falar problemas! Mas fazer o quê? Aqui vai mais um: “A Lenda do Zorro” é feito para crianças. Penso que os produtores, sabendo que o filme tendia ao fracasso, cortaram todas as cenas fortes do filmes para tentar conseguir a classificação livre pela MPAA, para tentar lucrar com o público infanto-juvenil. Assim sendo, se for ver o filme, vá sabendo que não verá uma gota de sangue pingando no chão. Você sai do cinema com a impressão de que Zorro não matou ninguém.
Lucas Salgado
Imagens de "A Lenda do Zorro"
A Lenda do Zorro A Lenda do Zorro
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