[Escolha sua cidade] Brasil, 20 de novembro de 2008
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A Liga Extraordinária
The League of Extraordinary Gentleman (EUA/2003)

Direção: Stephen Norrington

Roteiro: James Robinson

Baseado na Obra de: Alan Moore (A Liga Extraordinária)

Elenco: Sean Connery (Allan Quatermain), Naseeruddin Shah (Capitão Nemo), Peta Wilson (Mina Harker), Tony Curran (Rodney Skinner), Jason Flemyng (Dr. Jekill/Sr. Hyde), Stuart Townsend (Dorian Gray), Shane West (Tom Sawyer), Richard Roxburgh (M)

[Veja os participantes de "A Liga Extraordinária"]

Duração: 110 min.

Gênero: Aventura

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Quando primeiro li a respeito deste filme, estava incrédulo. Reunir personagens clássicos da literatura, aumentando ou adicionando poderes sobre-humanos a eles e criar uma liga de super-heróis parecia uma idéia, no mínimo, absurda. Mas fui me recuperando do choque inicial e acabei até por gostar da idéia, principalmente quando soube que vinha de uma graphic novel (uma espécie de quadrinhos de luxo) criada por Alan Moore (“Do Inferno”) e Kevin O’Neill. Mas toda a minha expectativa foi novamente derrubada ao assistir a este filme que é divertido mas descartável.
A história é extremamente criativa, e daí as minhas expectativas: Um grupo de pessoas com habilidades extraordinárias é formado para combater a ameaça de um louco que quer forçar o mundo a uma Guerra Mundial para que ele possa suprir as nações com suas armas de alta tecnologia. Os personagens escolhidos para formar a Liga são figuras marcantes da literatura, o que permitia caracterizações profundas e complexas, normalmente a maior falha em filmes de aventura. No papel do líder do grupo está Allan Quatermain, do livro “As Minas do Rei Salomão”, de H. Rider Haggard, um inglês caçador de aventuras das savanas africanas interpretado pelo talentoso Sean Connery. Connery ficou muito bem no papel e consegue manter sua liderança na tela mesmo tendo habilidades muito menores que as de seus colegas “extraordinários” (afinal ele é uma espécie de Indiana Jones). Já um personagem que achei pouco valorizado, principalmente pela sua importância para a Liga, foi o Capitão Nemo. O famoso cientista do livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Jules Verne, era no livro um homem brilhante, porém amargurado pela decadência do mundo e que pretendia reconstruir a civilização no fundo do Oceano. No filme, o personagem interpretado por Naseeruddin Shah foi reduzido ao fornecedor de transporte (com o imponente Nautilus) e armas (graças ao seu exército particular de marinheiros). Ele até tem boas lutas (!!!), mas poucos diálogos, perdendo espaço para o único americano do grupo, e, para mim, o maior erro de todos, Tom Sawyer. Esse personagem foi adicionado apenas na versão cinematográfica, e foi tirado do livro “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain. De um moleque que resolve sair pelo mundo Sawyer se tornou, nas telas, um agente secreto americano responsável por manter a América a par dos feitos da Liga. De extraordinário ele não tem nada (nem atira tão bem quanto Quatermain), mas ganhou destaque no filme por se tornar o protegido do líder. Extraordinário mesmo é “O Homem Invisível”, do livro de mesmo nome, de H. G. Wells. A história do homem que bebe uma poção e fica permanentemente invisível era protagonizada originalmente por Hawley Griffin. Porém por questões de diretos autorais a versão cinematográfica teve o personagem substituído por Rodney Skinner, interpretado por Tony Curran. Tudo bem que não é muito difícil interpretar um homem invisível, mas nas poucas vezes em que Skinner está visível (com maquiagem no rosto e óculos escuros), Curran nos traz um personagem bem divertido. Outro personagem extraordinário é o de Mina Harker. No livro de Bram Stoker (“Drácula”), a noiva de Jonathan Harker é mordida, mas recupera sua humanidade quando o grande vampiro é vencido. Na Liga ela ficou com os poderes de vampiro, o que é suficiente para ela ser extraordinária e mais um pouco (qualquer reclamação sobre ela aparecer à luz do Sol, um aviso: o Drácula original também o fazia, só tinha seus poderes muito limitados entre o nascer e o pôr-do-sol). Peta Wilson (do seriado “La Femme Nikita”) foi a atriz escolhida para o papel, e faz ótima participação. Os dois próximos integrantes da Liga são também adições ao filme que não estavam presentes na versão dos quadrinhos. Dr. Henry Jekill (ou Edward Hyde, quando ele está “naqueles” dias) e Dorian Gray. O Dr. Jekill, e seu alter ego Sr. Hyde, foram uma adição à uma Liga que precisava de mais ação para uma audiência que hoje é viciada em efeitos especiais. Porém o protagonista (ou “os protagonistas”, se preferir) do livro “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson, era um médico que, ao beber uma poção, tornava-se um ser feio e rústico, mas que era principalmente uma manifestação de tudo que há de amoral e sádico dentro das pessoas. Na versão do filme ele é um monstro (me lembrou muito o recente “Hulk”), muito forte e grande, mas que tem até traços de nobreza. Jason Flemyng até tentou ressaltar a fraqueza de espírito do doutor, escravo de sua própria criação, mas para mim esse personagem foi um erro e estragou a complexidade do livro de Stevenson. O último dessa extensa lista é Dorian Gray, do livro “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. O insuportável aristocrata da Inglaterra vitoriana ficou excelente na pele de Stuart Townsend. Ele consegue passar ao público o quanto era esnobe, fútil e, acima de tudo, sem escrúpulos o personagem de Oscar Wilde, tendo a melhor interpretação do filme. Dorian foi adicionado à história por questões de roteiro e ganhou algumas mudanças no filme. No livro ele também se mantinha imortal, enquanto seu retrato envelhecia, mas nunca se falou nada de danos físicos, enquanto que no filme ele é imune a balas e tudo o mais. Além disso, ele perde seus poderes apenas por olhar para o retrato, enquanto no livro ele não só podia fazê-lo, com o fazia constantemente.
Mas por quê eu não achei o filme tão bom quanto esperava? Talvez porque, conhecendo os personagens originais, tinha uma visão um pouco mais complexa de suas personalidades. Nas cenas de luta todos os personagens são colocados em situações diferentes, e as cenas são intercaladas em um ritmo tão intenso que você fica perdido e desorientado (conseqüência da geração videoclipe). Isso também foi um fator que contou pontos a menos para o filme. O destaque de Tom Sawyer, claramente para atingir o público americano, foi uma falha imperdoável que também ajudou a atrapalhar o filme. Mas fora esses detalhes o filme tem efeitos especiais excelentes, além de uma história criativa, e consegue divertir o público. Tanto o Nautilus (o submarino de Nemo), quantos as máquinas de Guerra do vilão Phantom (que lembra o Fantasma da Ópera, mas não é ele) são maravilhosas e geniais.
Enfim, um filme de aventura que lota as salas de cinema no começo, mas que não segura o público. Bem divertido, com certeza bem CAFRI, mas passageiro. Prefiro “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra”.
Gustavo Catão
Imagens de "A Liga Extraordinária"
A Liga Extraordinária A Liga Extraordinária
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