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A Intérprete
The Interpreter (EUA/2005)
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"A verdade não precisa de tradução"
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Dono de cinco indicações ao Oscar – três como diretor e duas como produtor –, Sydney Pollack já não realiza um bom filme há muito tempo. Para se citar datas, o melhorzinho de seus últimos projetos, “A Firma”, com Tom Cruise, é de 1993. De lá pra cá foram realizados os fracos “Sabrina”, com Harrison Ford, Julia Ormond e Greg Kinnear, e “Destinos Cruzados”, também com Ford, acompanhado de Kristin Scott Thomas e Bonnie Hunt. Infelizmente para os fãs de Pollack, não foi com “A Intérprete” que o diretor de “A Noite dos Desesperados”, “Tootsie” e “Entre Dois Amores”, voltou a velha forma.
“A Intérprete” pode não ser um filme ruim, mas deveria ser bem melhor, tendo em vista toda sua pretensão. Trata-se do primeiro filme a conseguir permissão para gravar cenas na Sede das Nações Unidas, em Nova York. Nem mesmo o mestre Alfred Hitchcock conseguiu a proeza em seu clássico “Intriga Internacional”, o forçando a criar nos sets de filmagem uma ONU fictícia. Pollack afirmou em entrevistas que foi extremamente penoso conseguir permissão para rodar na ONU e concede parte deste crédito à Nicole Kidman (“As Horas”), ao dizer que as portas se abriram quando ele citou que ela estava envolvida no projeto.
Apesar de ter conseguido permissão para rodar seqüências nas Nações Unidas, o elenco do longa teve que se submeter à medidas de segurança jamais enfrentadas por uma produção. Além de só poder rodar cenas após o expediente e nos finais de semana, a equipe de “A Intérprete” era obrigada a andar com crachás de identificação especiais e se submetia diariamente à inspeções de cães farejadores de bombas.
O passeio turístico pela ONU é de fato o que há de mais interessante no filme. E é basicamente por isso que o longa leva três estrelas como nota. É extremamente curioso ver ambientes dentro da Sede das Nações Unidas que não temos acesso pelos telejornais.
Silvia Broome (Kidman) é uma intérprete da ONU que ouve, por acaso, após o expediente, uma ameaça de morte à um Chefe de Estado africano que irá discursar na Assembléia Geral em poucos dias. Após o susto inicial, Silvia procura os seguranças das Nações Unidas, que por conseqüência avisam ao FBI, que designa para investigação os agentes Keller (Sean Penn, de “Sobre Meninos e Lobos”) e Woods (Catherine Keener, de “Quero ser John Malkovich”). Apesar de não querer correr o risco de ter um Chefe de Estado assassinado em seu país, Keller não confia inteiramente em Silvia, pois esta parece estar envolvida na conspiração que denuncia.
Nicole Kidman e Sean Penn estão excelentes como de costume, mas não conseguem salvar o filme. “A Intérprete” peca por um fraco roteiro de Charles Randolph, Scott Frank e Steven Zaillian, e por uma direção arrastada de Sydney Pollack. O desenrolar da trama é previsível e o final é sem graça.
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Lucas Salgado
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