[Escolha sua cidade] Brasil, 20 de novembro de 2008
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O Guia do Mochileiro das Galáxias
The Hitchhiker`s Guide to the Galaxy (EUA/2005)

Direção: Garth Jennings

Roteiro: Douglas Adams, Karey Kirkpatrick

Elenco: Martin Freeman (Arthur Dent), Mos Def (Ford Prefect), Zooey Deschanel (Trillian), Sam Rockwell (Zaphod Beeblebrox), John Malkovich (Humma Kavula), Bill Nighy (Slartibartfast), Warwick Davis (Marvin), Alan Rickman (Voz de Marvin), Bill Bailey (Voz da Baleia), Stephen Fry (Narrador), Helen Mirren (Voz do Pensador Profundo), Kelly Macdonald (Repórter)

[Veja os participantes de "O Guia do Mochileiro das Galáxias"]

Duração: 110 min.

Gênero: Aventura/Ficção Científica

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"Não deixe a terra sem ele"
A trajetória do “Guia do Mochileiro das Galáxias” é tão tortuosa quanto o humor de Douglas Adams. Sua primeira aparição foi como uma série de 6 episódios para a rádio BBC na Inglaterra em 1978. Em 1979, com o sucesso da série, o primeiro livro é lançado. Daí de volta para o rádio para mais uma temporada e novamente para o papel, com o lançamento de “O Restaurante no Fim do Universo”, em 1980. Em 81 a história chega à televisão e depois disso mais três livros são lançados, completando a “trilogia” em cinco volumes (como gostava de brincar o próprio Adams). Com o lançamento de “O Guia” nos cinemas, o gênio de Douglas Adams atinge mais uma mídia mantendo com seus antecessores algo em comum: a liberdade do autor em modificar sua história original de acordo com a maneira que ela vai ser contada. É isso mesmo. O quê a versão para os cinemas de “O Guia do Mochileiro das Galáxias” mais tem em comum com todas essas versões é que a história tem pouco a ver com as outras.
Vou me explicar melhor. É claro que o núcleo da história está lá (senão não haveria muitos motivos para chamar o filme de uma adaptação) e as linhas gerais também são as mesmas. O que muda é como a ação se desenvolve para levar os personagens de um ponto da história até o seguinte. Mas quem disser que as mudanças foram resultado de um roteiro mal adaptado que não compreendeu as sutilezas do humor de Douglas Adams anda espalhando bobagens. Pois foi o próprio Adams quem fez a maior parte das mudanças para o cinema, já pensando em uma maneira de resumir sua história de sucesso para 100 minutos de telona.
E falando em história, a de “O Guia do Mochileiro das Galáxias” parece, a princípio, saída da cabeça de um lunático. Ela gira em torno de Arthur Dent (interpretado comicamente por Martin Freeman), um inglês fracassado que vive uma vida comum e que um dia descobre que a prefeitura pretende derrubar sua casa para construir uma rodovia. Mas isso pouco importa quando seu amigo Ford o procura com uma história absurda de que o mundo vai acabar e que ele na verdade é um alienígena, pesquisador de campo para o tal “Guia do Mochileiro das Galáxias”. Ford está falando a verdade e, enquanto eles terminam seus chopes e correm para descobrir se a casa de Arthur já foi demolida, uma numerosa frota de naves Vogons cobre a superfície da Terra, pronta para levar adiante os planos de demolição do planeta, para que uma rodovia hiperespacial possa ser construída em seu lugar. E é com essa ironia suprema que começa a aventura de Arthur e Ford, enquanto eles escapam da demolição do planeta e saem para conhecer o Universo junto a um robô deprimido, um presidente da galáxia playboy e uma terráquea por quem Arthur está apaixonado.
O grande sucesso dos livros de Douglas Adams está em seu humor que quase sempre beira a loucura, se assemelhando bastante aos pais do “nonsense” inglês, a trupe de Monty Python. Mas é a combinação desse humor com a ficção científica que tornaram os livros de Adams um sucesso mundial, com milhões de cópias vendidas (só no Brasil que seus livros ainda são bastante desconhecidos). E esse humor é transferido com sucesso para o cinema, ao manter a narração irônica e algumas das melhores descrições do “Guia”. A narração só perde alguns pontos na versão para o Brasil, na qual José Wilker assumiu a narração em português mesmo nas cópias legendadas. A justificativa para essa dublagem era que a narração acontecia durante momentos em que muitas informações já estavam na tela, evitando assim um acúmulo de legendas. Na prática isso não acontece e José Wilker acaba narrando seqüências extremamente limpas, durante as quais duas linhas de texto não atrapalhariam ninguém.
Com um elenco pouco conhecido (estranhamente a cara mais famosa é a de John Malkovich, que aparece apenas rapidamente na história), mas que trabalha muito bem, o destaque acaba ficando para o robô Marvin, cuja voz é do veterando Alan Rickman. O ator conseguiu colocar um ritmo tão divertido na voz do robô que ele é simplesmente hilário, ganhando facilmente o título de melhor personagem do filme. Ainda mais com o jeito moroso que esse robô de cabeça enorme se move pela tela. Além de Marvin, o filme também ganha pontos com bons efeitos especiais, que souberam aproveitar a computação gráfica sem perder alguns dos aspectos mais engraçados da história original. Por exemplo, as naves Vogons, os grandes burocratas da galáxia, são na verdade repartições públicas, que pousam em seu planeta natal formando intermináveis quarteirões de prédios de escritórios.
Para quem conhece o livro que deu origem ao filme, este reserva algumas surpresas. Mas para a maioria das pessoas que nunca havia ouvido falar em Douglas Adams ou suas histórias, o filme “O Guia do Mochileiro das Galáxias” é muito divertido e vai render muitas risadas. E quem sabe atrair novos leitores para o humor tão original dessa clássica série de ficção científica.
Gustavo Catão
Imagens de "O Guia do Mochileiro das Galáxias"
O Guia do Mochileiro das Galáxias O Guia do Mochileiro das Galáxias
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"Eu achei que a narração em português do José Wilker na versão legendada deixou o filme mais peculiar ainda. Achei isso incrível, original. Ficou até mais engraçado. "

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