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O Livro de Eli


The Book of Eli (EUA/2010)

 



Direção: Allen Hughes, Albert Hughes

Roteiro: Gary Whitta

Elenco: Denzel Washington (Eli), Gary Oldman (Carnegie), Jennifer Beals (Claudia), Evan Jones (Martz), Mila Kunis (Solara), Ray Stevenson (Redridge), Joe Pingue (Hoyt)

 

Duração: 118 min | Gênero: Ficção Científica, Ação

 

crítica por Gustavo Catão

Em “O Livro de Eli”, Denzel Washington é um andarilho de posse de um misterioso livro em uma terra devastada pela guerra. Até aí, nada muito diferente das batidas tramas sobre futuros apocalípticos que povoam o cinema hollywoodiano, a maioria delas, inclusive, muito ruins. Mas “O Livro de Eli” reúne elementos que o colocam acima de uma ficção científica descartável, destacando-se principalmente pela boa atuação de Denzel e de Mila Kunis, boa fotografia e pelos pequenos detalhes que ajudam a dar profundidade ao mundo destruído do filme.
A proposta de uma ficção dirigida pelos irmãos Hughes pode causar certa aversão a muito cinéfilos, desde sua péssima adaptação para os cinemas da mini-série em quadrinhos “Do Inferno”, excelente trabalho de Alan Moore que foi massacrada nas telas no filme estrelado por Johnny Depp. Mas parece que, desta vez, os gêmeos Allen Hughes e Albert Hughes acertaram nas referências ficcionais. “O Livro de Eli”, escrito pelo roteirista estreante Gary Whitta, está repleto de preciosidades do gênero, complementadas por uma direção de arte muito cuidadosa e detalhista.
A história do filme é bastante simples: Em um mundo do futuro, devastado por uma guerra nuclear, os poucos sobreviventes brigam por comida entre as ruínas da civilização. Eli é um andarilho rumando para o oeste, de posse de um misterioso livro. Ao passar pelas ruínas de uma pequena cidade, Eli encontra Carnegie (Gary Oldman), o líder dos bandidos locais que está em busca de um livro poderoso, capaz de lhe dar grande poder. Não é preciso muito esforço para compreender o que acontece depois. Mas a história essencialmente simplória de “O Livro de Eli” traz a sutileza de nunca relevar que “raio” de livro é aquele que todos estão atrás. Afinal, um livro “poderoso”, como o personagem de Gary Oldman insiste em lembrar, dá pistas de algo mágico, o que não parece encaixar muito bem no espaço ficcional do filme.
Além da já citada excelente direção de arte, acompanhada de uma fotografia essencialmente amarela e muito desbotada, “O Livro de Eli” se torna uma coleção de referências à literatura e ao cinema de ficção. O filme dos irmãos Hughes vai longe ao buscar suas raízes no gênero, trazendo referências de vários filmes, como o pouco conhecido “A Boy and his Dog” (1975), inclusive com um cartaz deste em uma das cenas. O futuro sem livros (e outros detalhes da trama), por sua vez, vê suas origens provavelmente no romance “Um Cântico para Leibowitz”, mais famosa obra de Walter M. Miller Jr.. Até um pouco de Zatoich, o espadachim japonês, aparece no longa. E por que não incluir na lista de referências a trilogia de jogos “Fallout”? Pode parecer exagero, mas teria tudo a ver com Gary Whitta. Sua profissão antes de estrear como roteirista? Editor da revista PC Gamer.

crítica por Silvano Vianna

 

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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