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O Colecionador de Ossos
The Bone Collector (EUA/1999)
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"Dois policiais na trilha de um assassino brutal. Eles devem ver, pensar e agir como um só, antes que haja uma próxima vítima."
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Sem querer dar uma de crítico chato, daqueles que acham ruim qualquer filme made in USA (o que, além de tudo, seria uma grande ofensa a equipe CAFRI), “O Colecionador de Ossos”, suspense de Phillip Noyce, é o tipo de filme desapontador. Daqueles que você vê o trailer, fica louco para ver e, quando chega a bendita hora, pensa: É só isso? Foi exatamente esta a sensação de quase todos os espectadores ao final da sessão que eu fui assistir, especialmente para o CAFRI. Também pudera. Estrelado por Denzel Washington, um dos mais bem-sucedidos negros de Holywood e co-estrelado pela ótima (e bonita) Angelina Jolie, era obrigação do filme causar impacto. Afinal as peças estão todas no lugar: além do elenco caprichado, a fotografia é boa, a trilha é bem escolhida, as personagens são bem desenvolvidas e o livro de Jeffery Deaver é cativante. Para completar, até o nome do filme, “O Colecionador de Ossos”, é de arrepiar. Por quê então o filme não engrena? O começo até que é bom. Preso a uma cama, de onde controla todos os aparelhos necessários para sua sobrevivência, o psicólogo forense e escritor Lincoln (Denzel Washington), passa seus dias planejando sua morte. Isso mesmo. Desde que ficou tetraplégico devido a um acidente de trabalho, o ex-queridinho da força policial nova iorquina não vê mais motivos para viver. A única companhia que ele tem é a TV, um marca-passo, uma enfermeira boa-praça (Quenn Latifah) e um gavião que o observa da janela. Porém, tudo muda quando um “serial killer” (Hollywood adora esta palavra) começa a atacar pessoas disfarçado de taxista, matando-as e em seguida, retirando parte de seus ossos. Para piorar, o assassino deixa pistas, que desafiam a polícia. E é ai que entra a novata Amelia Donaghy (Angelina Jolie, linda) uma policial inexperiente prestes a ser transferida, que acha as tais evidências e procura pelo doutor Lincoln que se torna a única esperança de solucionar os assassinatos e desvendar o plano sórdido do serial killer. É a partir daí que o filme perde o pique e desemboca para os clichês de sempre: o policial, relutante, acaba aceitando o caso, descobre-se um passado nada agradável de um dos protagonistas e a cada assassinato o público se defronta com cenas de morte cada vez mais estilizadas - clichê máximo deste tipo de filme. Todo mundo passa a ser suspeito, desde a enfermeira até a própria oficial bonitona. Tinha gente no cinema que até desconfiava do gavião (!), tamanha a falta de cuidado dos roteiristas em achar uma lógica para os crimes. O que se segue na verdade é um jogo de gato e rato, onde o vilão está sempre um passo a frente da polícia, algo que já foi visto em filmes de A à Z, desde o antigão “Psicose” até o recente “Seven”. E aquela velha história de mestre e pupilo, com uma relação cada vez mais profunda entre o doutor e a jovem, algo que nos lembra “Silêncio dos Inocentes”. Só que o filme de Phillip Noyce, não chega sequer aos pés do clássico que Jonathan Demme dirigiu em 1992 e, apesar da boa vontade, Denzel Washington e Angelina Jolie, não são, em hipótese alguma, Anthony Hopkins e Jodie Foster. Seria muita pretensão. “O Colecionador de Ossos” não é um mau filme, tem momentos bons de tensão e consegue prender a atenção até o final, mas, quando este chega, a impressão é que se assistiu um filme que não acabou. Os crimes têm soluções inexplicáveis, e o roteiro não impressionou nem as crianças de 12 anos que estavam no local. Estas por sua vez, bradavam pelos corredores: "Mas é só isso?" Pois é, infelizmente, é.
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Plínio Meirelles
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