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Sin City - A Cidade do Pecado
Sin City (EUA/2005)
Direção:
Quentin Tarantino,
Robert Rodriguez,
Frank Miller
Roteiro:
Robert Rodriguez,
Frank Miller
Elenco:
Rutger Hauer (Cardial Roark),
Bruce Willis (John Hartigan),
Michael Clarke Duncan (Manute),
Elijah Wood (Kevin),
Josh Hartnett (Vendedor),
Benicio Del Toro (Jack Rafferty),
Rosario Dawson (Gail),
Clive Owen (Dwight),
Brittany Murphy (Shellie),
Nick Stahl (Junior),
Michael Madsen (Bob),
Jessica Alba (Nancy Callahan),
Mickey Rourke (Marv),
Jaime King (Goldie/Wendy),
Carla Gugino (Lucille),
Arie Verveen (Murphy),
Frank Miller (Pastor),
Alexis Bledel (Becky),
Devon Aoki (Miho)
Duração: 126 min
|
Gênero: Ação, Drama
crítica por Lucas Salgado
Até pouco tempo atrás era inconcebível se pensar em uma adaptação para o cinema de “Sin City”, graphic novel criada por Frank Miller. Dentre os principais motivos vigora o fato de que seria muito difícil transpor o universo da “Cidade do Pecado” para as telonas, tendo em vista o estilo peculiar de criação de Miller, com muita violência e sexo. Ou seja, seria necessário que um estúdio se dispusesse a lançar uma adaptação de quadrinhos com classificação de 18 anos. Mas mais do que isso, seria necessário que Miller topasse vender os direitos de adaptação para o cinema. Após ter seus quadrinhos dilacerados em telas de cinema (vide “Demolidor O Homem sem Medo” e “Elektra”), Miller avisou à Hollywood que não cederia mais direitos de adaptação de quaisquer de seus trabalhos nos quadrinhos. E aí que surge Robert Rodriguez. Querendo adaptar nada menos do que a “menina dos olhos” de Frank Miller, o diretor de “Era Uma Vez no México” rodou por conta própria um curta-metragem baseado em uma das histórias da série, como tentativa de convencer o autor a autorizar o projeto. Como podem ver deu certo, e vocês podem conferir o tal curta no início de “Sin City - A Cidade do Pecado”.
Fã confesso dos quadrinhos, Robert Rodriguez considerava o estilo visual de Miller tão importante que fez questão que ele atuasse como co-diretor no longa. Isso acabou causando o desligamento de Rodriguez do Director`s Guild of America, tendo em vista que este não aceita a existência da função de co-diretor. A partir do ponto que já estava fora do Sindicato dos Diretores, Rodriguez decidiu ir além e chamou Quentin Tarantino para assumir a função de diretor em uma cena. Como Tarantino pagou mísero um dólar para Rodriguez compor a trilha de “Kill Bill - Volume 2”, ele aceitou receber o mesmo valor para dirigir a cena. A seqüência em questão é a envolvendo os personagens de Benicio Del Toro e Clive Owen dentro de um carro. Acredite, é bem fácil de notar a direção de Quentin, com o zoom típico presente em seus filmes.
A grande vantagem desta adaptação talvez seja também seu único problema, ou melhor, probleminha. Trata-se da mais fiel adaptação de H.Q. da história do cinema. E é tão fiel, tão fiel que algumas vezes não parece cinema. Para terem uma idéia, Robert Rodriguez e Frank Miller rodaram suas cenas usando as próprias revistas de “Sin City” como storyboard. Mas isso nem de longe atrapalha o resultado final do filme, tendo em vista que o próprio Rodriguez afirmou que não se trata de uma adaptação e sim de uma tradução das H.Q.s.
Três histórias de “Sin City” foram adaptadas (ou traduzidas) no filme: “Cidade do Pecado”, “A Grande Matança” e “O Assassino Amarelo”. Das três a mais bem sucedida é a primeira, “Cidade do Pecado”, que é protagonizada de forma brilhante por Mickey Rourke (sim, ele mesmo) e traz de forma surpreendente Elijah “Frodo” Wood como o vilão. No segmento “O Assassino Amarelo” o destaque vai para: a atuação convincente de Bruce Willis, como o último policial honesto (o que não significa que ele é bonzinho), John Hartigan; a beleza estonteante de Jessica Alba, como a ex-franzina Nancy Callahan; e a “amarelice” de Nick Stahl.
A tal cena dirigida por Tarantino encontra-se no segmento “A Grande Matança”, que além de Del Toro e Owen apresenta: Brittany Murphy, que é praticamente a única que aparece nas três histórias; Rosario Dawson, que pela primeira vez na carreira desempenha uma atuação convincente; e Michael Clarke Duncan, atuando como o habitual brutamontes. É importante destacar que as história não são contadas de forma linear, o que só dá mais destaque a edição de Robert Rodriguez, que é digna do Oscar que ela não vai levar. Completam o elenco do filme: Josh Hartnett, Michael Madsen, Jaime King, Carla Gugino, Arie Verveen, Rutger Hauer, Scott Teeters, Alexis Bledel e Devon Aoki.
Utilizando um processo semelhante ao de “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, “Sin City - A Cidade do Pecado” foi inteiramente rodado sob uma tela verde, com os atores contracenando e a ambientação sendo incluída depois através de computadores. O único cenário montado para o filme foi o bar em que Jessica Alba realiza sua dança (e que dança!).
Não deixem de conferir “Sin City”, o filme mais visualmente fantástico da história. Orçado em US$ 45 milhões, o longa faturou mais de US$ 70 milhões só nos Estados Unidos, o que é muito para um filme com selo de censura R (a segunda mais rigorosa). O sucesso de critica e público foi tanto que Miller e Rodriguez já deram início à pré-produção de “Sin City 2”, que irá adaptar, dentre outras a serem escritas ou escolhidas, a história da revista “A Dama Fatal”, que nos apresenta a Dwight McCarthy (Clive Owen).
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