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Sinais
Signs (EUA/2002)
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"Está acontecendo"
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Ao completar 10 anos de idade, o indiano Manoj Nelliyattu Shyamalan disse para seus pais (ambos médicos) que não iria seguir a profissão deles, e sim ser um cineasta. Tudo isso ocorreu por culpa de ninguém menos que Steven Spielberg, já que Shyamalan começou a se interessar por cinema ao ver “Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida”. Mesmo decepcionados, seus pais achavam que isto não passava de um desejo momentâneo e lhe deram uma bela câmera 8mm para “brincar”. Agora 22 dois anos depois, Manoj virou M. Night Shyamalan, um dos diretores mais respeitados de Hollywood, e chega até a ser comparado ao seu antigo ídolo, Spielberg. Pode até parecer exagero, mas se pegarmos os últimos três filmes de cada diretor veremos que Shyamalan, em “O Sexto Sentido”, “Corpo Fechado” e “Sinais”, arrecadou pouco mais de US$ 1,1 bilhão, enquanto Spielberg, em “O Resgate do Soldado Ryan”, “AI Inteligência Artificial” e “Minority Report A Nova Lei”, conseguiu pouco menos de US$ 900 milhões. A diferença parece pequena, mas analisando que estes foram, praticamente, os três primeiros filmes de Night, é muita coisa.
O ex-reverendo Graham Hess (Mel Gibson) vive com seus filhos, Morgan (Rory Culkin, irmão do sumido Macaulay Culkin) e Bo (Abigail Breslin) e seu irmão, Merril (Joaquin Phoenix), em uma pacata fazenda no interior dos Estados Unidos. O motivo para que Hess abandonasse a batina foi a morte de sua mulher, quando ele acaba laicizando-se. Acontece que, de um dia para o outro, sua plantação aparece “desenhada” por vários círculos gigantes, e Graham mais uma vez terá de rever seus conceitos. No início ele pensa que tudo aquilo se trata apenas de uma brincadeira de mau gosto, feita, como diria seu irmão, por “nerds sem namoradas”. Mas ele irá levar a “brincadeira” mais a sério, ao ligar a TV e descobrir que tal fenômeno está acontecendo no mundo todo, inclusive aqui no Brasil, mais precisamente em Passo Fundo, onde é visto, pela primeira vez no longa, um extraterrestre. Outro local que se destaca na TV de Mel Gibson no filme é a Índia (país natal do diretor), que aparece várias vezes nos noticiários.
Em uma história paralela encontramos Ray Reddy, que foi responsável pelo acidente que matou a mulher de Hess, e que ao ter sua casa invadida pelos alienígenas resolve fugir da cidade, mas antes pede perdão ao ex-reverendo. Mas este não é nem de longe o detalhe mais interessante do personagem, o melhor é que este é interpretado por M. Night Shyamalan. Esta é a segunda vez que ele dá uma de Alfred Hitchock, aproveitando de ser o diretor e roteirista do filme para aparecer. Acontece que a primeira vez que fez isto foi em “O Sexto Sentido”, em que ele aparece poucos segundos no filme, e já neste ele realmente tem um papel importante na trama. É possível que ao invés de se tornar um novo Spielberg, ele se torne um novo Woody Allen protagonizando, escrevendo e dirigindo seus filmes.
Em última análise o filme é muito bom, Gibson, Phoenix e Abigail estão ótimos, Shyamalan nem se fala, pois se afirma cada vez mais como um excepcional diretor, roteirista e, agora também, ator. Porém o diretor, repetindo o erro de “Corpo Fechado”, peca por dar muita importância a uma criança no filme, no caso Rory Culkin, que interpreta a típica criança que sabe tudo e é fundamental para a sobrevivência da humanidade. Mas não podemos culpar Shyamalan por isso, já que sempre terá a sombra de Haley Joel Osment (“O Sexto Sentido”) nos personagens infantis de seus filmes. Também se deve ressaltar no filme sua trilha, de responsabilidade de James Newton Howard, que é bela, mas, assim como o filme, cheia de tensão. Entretanto, não é nem em Shyamalan, e nem em Gibson o principal foco de “Sinais”, a principal importância do filme é o enfoque religioso. Ele acaba se tornando um filme sobre religião em que o diretor questiona a existência de Deus, e, em vários momentos do filme, vemos o personagem de Gibson debatendo se as coincidências do dia a dia, que são capazes de mudar o destino das pessoas, são mera obra do acaso ou um sinal de que há alguém lá em cima olhando por nós.
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Lucas Salgado
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes
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"Um bom filme. Shyamalan não errou tanto em fazer esse filme, mas longe de compara-lo com a obra máxima de sua carreira. "
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visitante do CinemaCAFRI
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