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Romance


Romance (Brasil/2008)

 



Direção: Guel Arraes

Roteiro: Jorge Furtado, Guel Arraes

Elenco: Marco Nanini (Rodolfo), Tonico Pereira (Diretor), Bruno Garcia (Dinho), Andréa Beltrão (Fernanda), Wagner Moura (Pedro), Vladimir Brichta (Orlando), José Wilker (Danilo), Letícia Sabatella (Ana), Edmilson Barros (Edmilson)

 

Gênero: Drama

 

crítica por Vivian Lopes

Plasticamente irretocável. Genial metalinguagem artística. Texto e imagem constroem a si próprios com tal propriedade e sensibilidade que os primeiros quinze minutos de filme se transformam em epifania para aqueles que conhecem e amam a arte pictórica. Comovente trilha, pontual, simples e encantadora.
Tristão e Isolda é a história de amor que inspira todas as histórias de amor e, como já diria o personagem Pedro, interpretado por Wagner Moura, o amor feliz não tem história na literatura ocidental. Mas, suas nuances são bem exploradas neste roteiro (parceria de Jorge Furtado e Guel Arraes) e acabam por criar, ao final, a ideia de que as histórias de amor existem para enconrajar os casais a encontrar uma saída.
O tema do relacionamento é cercado em cenas bem montadas, diálogos primorosos, que mantêm o ritmo. “Quando a gente faz uma cena de amor, termina amando um pouco o outro personagem; e quando a gente ama alguém também representa um pouco”. O jogo entre vida e teatro, arte e vida instiga e fascina a cada momento do filme.
Questões como a rotina de um casal são tratadas com simplicidade e sem cair em situações piegas. Os realizadores não perdem a oportunidade de ironizar o mundo da televisão e as pessoas que trabalham para que ela aconteça, como a produtora Fernanda, vivida por Andrea Beltrão. Nas falas da personagem estão as situações mais hilárias e sarcásticas: “acho teatro um constrangimento, aquelas pessoas vivas se mexendo…”
É interessante observar as repetidas cenas em que Pedro e Ana (Letícia Sabatella) conversam em um restaurante que dá vista ao teatro onde atuam. Conforme o tempo da ficção passa, o cuidado com a montagem é retocado. No primeiro dia, quando se beijam pela primeira vez, estão com roupas escuras, ela à esquerda e ele à direita. No próximo momento, quando Pedro quer deixá-la, ele está em pé, ela sentada, como se os gestos retratassem os pensamentos dos personagens. Depois de três anos, quando se reencontram e estão separados, chove forte pela janela e ambos estão na mesma posição, como se o amor não tivesse deixado de existir e, Ana está de branco constrastando com os elementos. E, por fim, na última cena, quando já estão juntos novamente, as marcações estão trocadas: Ana está à esquerda, com roupa e acessório colorido, enquanto Pedro está à direita. A chuva cessou e o vido encontra-se molhado, suado, como se a tempestade tivesse passado, mas sem apagar suas marcas. Lindo cuidado com a sensação dos personagens e com a sensibilidade visual do espectador.
Romance é uma das mais belas tentativas da arte de iluminar o tão inexplicável sentimento que move a humanidade. Faz refletir, emociona. É um filme para rever em todos os momentos. E se as histórias tristes de amor existem para que os casais se esforcem para encontrar uma saída, esta história é uma boa escolha.

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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