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O Retorno do Talentoso Ripley
Ripley`s Game (EUA/2002)
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"Mais velho. Mais esperto. Mais talentoso"
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Criado pela escritora americana Patricia Highsmith, o personagem Tom Ripley já passou pelas mãos de Dennis Hopper (“O Amigo Americano”), Alain Delon (“O Sol por Testemunha”) e Matt Damon (“O Talentoso Ripley”), antes de ficar sob responsabilidade de John Malkovich nesta fita. O longa é a segunda versão do livro “Ripley`s Game” a chegar aos cinemas, o supracitado “O Amigo Americano” foi a outra.
Três anos após fugir com falsificações de obras da Renascença, que lhe rederam milhões de dólares, Tom Ripley leva uma vida sofisticada numa mansão ao norte da Itália com sua bela esposa Luisa (Chiara Caselli), uma consagrada pianista. Ao ser ofendido por seu vizinho Jonathan Trevanny (Dougray Scott), Ripley planeja uma vingança totalmente fora dos padrões. Em meio a tudo isso chega à cidade um ex-conhecido de Berlim, Reeves (Ray Winstone), que pede a Tom para ir à capital alemã assassinar um homem. Acontece que ele recusa, mas recomenda ao amigo o tal vizinho, Jonathan. Por estar em fase terminal de leucemia, Jonathan acaba aceitando, pois o dinheiro é bom (US$ 100 mil) e serviria para ajudar sua família após sua morte. Cometido o primeiro crime, Reeves logo reaparece para dizer a Jonathan que seu trabalho ainda não havia chegado ao fim e que ele teria que matar novamente. Vendo-se sem saída e seduzido mais uma vez pelo dinheiro, Jonathan concorda com o segundo assassinato, que promete ser muito complicado.
Por esta breve sinopse pode parecer que o papel de Ripley neste filme é insignificativo, mas não é, só não posso entrar em muitos detalhes para não estragar a surpresa. John Malkovich está brilhante no papel, chega a estar melhor até que Damon em “O Talentoso Ripley”. Se no filme de 1998 começávamos a torcer pelo vilão ao decorrer de seus atos, neste torcemos para o personagem do início ao final do filme. Só há um problema, mesmo com Malkovich dando uma complexidade e charme maior ao personagem, este não está tão especial quanto em “O Talentoso Ripley”. No original as mortes têm um caráter inevitável, ao contrário das de “O Retorno do Talentoso Ripley” (Meu Deus!!! Como odeio esta tradução!!!), onde o personagem parece matar por prazer.
Com John Malkovich apresentando o mesmo caráter calculista que portava em “Na Linha de Fogo” e “Ligações Perigosas”, o longa acaba sendo um bom programa, mas não espere muito. Praticamente todos os outros atores do filme deixam a desejar, assim como a diretora e roteirista Liliana Cavani, que comete vários equívocos como, por exemplo, colocar um personagem em fase terminal de leucemia, onde a própria mulher já torce por sua morte para dar fim ao seu sofrimento, mesmo que em momento algum do filme ele chegue a demonstrar estar enfermo.
Nos Estados Unidos a produtora do filme, Fine Line, optou por lançá-lo diretamente em vídeo, o que foi uma grande injustiça, pois apesar dos furos no roteiro o longa é extremamente belo, contando com uma caprichosa fotografia de Alfio Contini e uma trilha igualmente bonita composta por Ennio Morricone.
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Lucas Salgado
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