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Prometheus
Prometheus (EUA/2012)
crítica por Lula Tdscko
O visionário diretor Ridley Scott retorna ao gênero que ele ajudou a definir, criando um épico de ficção-científica original em um dos lugares mais perigosos do universo. O filme une uma equipe de cientistas e exploradores em uma jornada que testará os limites físicos e mentais, colocando-os em um mundo distante, onde eles descobrirão as respostas para nossos dilemas mais profundos e para o grande mistério da vida.
Este filme é um prelúdio, ou seja, se passa antes dos acontecimentos, de "Alien, o Oitavo Passageiro" (1979). Após o primeiro filme, também dirigido por Ridley Scott, a franquia principal teve mais outros três filmes, todos eles com a heroína Tenente Ripley (Sigourney Weaver) mas cada um com decréscimo de qualidade e sob forte carimbo autoral de seus diretores. "Aliens, O Resgate" (1986), de James Cameron, é basicamente um filme de ação, e assim funcionou perfeitamente. "Alien 3" (1992), de David Fincher (sua estreia no cinema), teve uma produção extremamente conturbada, um roteiro confuso, o que gerou um filme irregular, que quase sepultou a franquia, apesar da direção interessante de Fincher. "Alien – A Ressurreição" (1997), de Jean-Pierre Jeunet, foi ainda pior e, de fato, matou a franquia. Mas o pior estava por vir, depois do “Alien de Jeunet” a Fox ainda quis “raspar a última gota do tacho” e criou o spin-off (uma franquia derivativa) "Alien vs Predador" que, apesar de ter uma continuação, foi um vergonhoso caça-níqueis, um fracasso total.
Ridley Scott, também diretor de "
Blade Runner O Caçador de Andróides" (1981), outro clássico da ficção cientifica, foi o responsável pelo reboot da franquia. Ninguém melhor do que ele para encaixar um tema profundo numa roupagem (fotografia, direção de arte) atrativa ao grande público. Ele deixa a impressão que queria fazer um filme ainda mais filosófico, mas precisou fazer algumas concessões (mais ação na segunda metade do filme) pois o público de ficção/terror de hoje em dia não tem exatamente o perfil do mesmo publico na década de 70. Mas nada que tenha comprometido o resultado final.
Este é um Alien mais existencialista, onde o foco é o próprio ser humano. O roteiro gira em torno da clássica questão do “De Onde Viemos”. Por isso, espere mais perguntas do que respostas, ainda mais que um dos roteiristas é Damon Lindelof, de "Lost". Os destaques são a cientista Elizabeth Shaw (uma Ripley light) interpretada por Noomi Rapace (a punk Lisbeth Salander da versão original (sueca) de "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres") e o andróide David interpretado magistralmente por Michael Fassbender (o Magneto de "X-Men Origens"). Ela é a própria contradição, como cientista, busca respostas concretas para nossa origem, como religiosa, não se afasta de seus dogmas. O andróide, que se inspira no personagem de Peter O'Toole em "Lawrence da Arábia", tem nuances humanas como ironia e sarcasmo, mas ainda lhe falta alma. Assim, ele e a cientista fazem uma dupla interessante, que de certa forma, se completam.
Não há respostas fáceis e muito menos definitivas. É um digno filme-cabeça com estética pop. Daqueles para se ver, rever, discutir, captar detalhes que passaram despercebidos, enfim, entrar na “mitologia”.
ps. Mais um caso de 3D extremamente desnecessário, e que neste caso prejudica o filme, pois o deixa ainda mais escuro do que conceitualmente foi concebido.
[SPOILER] A cesárea Alien com a Dra. Shaw é entra desde já no rol das cenas clássicas do cinema!
crítica por Bruno Knott
Apesar de se passar em um universo próximo de "Alien" e de solucionar alguns mistérios referentes a série iniciada pelo próprio Ridley Scott em 1979, "Prometheus" não deve ser encarado como uma prequel. Trata-se de um filme com vida própria e que funciona até para quem nunca teve contato com "Alien" e suas continuações.
Aqui temos uma história das mais ambiciosas. No ano de 2089 um grupo de cientistas faz uma viagem até um planeta distante em busca de respostas para mistérios que assombram e estimulam a humanidade desde os primórdios: quem somos, para onde vamos, quem nos criou e por quê?
No momento em que os cientistas chegam ao planeta, a atmosfera de mistério e tensão é construída sem pressa e com muita competência por Ridley Scott. A tecnologia 3D nos ajuda no processo de imersão naquele mundo, que conta com cenários vastos e sombrios, ao mesmo tempo belos e assustadores.
Há uma mistura de vários elementos, como sci-fi, suspense, ação (de qualidade), terror, romance (pouco), até gore (seres ariscos adentrando em outros pela via oral e assim por diante). Seria mais interessante se ele investisse mais nos pontos positivos e perdesse menos tempo nos aspectos que não funcionam tão bem. Damon Lindelof, um dos criadores de "Lost", aparentemente tentou transportar para o cinema elementos de roteiro que dão certo em seriados, como reviravoltas bombásticas que marcam o final de alguns episódios. Aqui as reviravoltas soam um tanto absurdas e fora de propósito, como na revelação de que certa personagem é filha de outra, por exemplo. O que também desagrada é que "Prometheus" parece não fazer tanta questão de responder as indagações que ele mesmo propõe. É claro que não dá para exigir respostas que satisfaçam a todos, mas por que não mostrar ousadia e inteligência com algumas reflexões mais aprofundadas de cunho científico e filosófico? Para piorar, algumas situações nos deixam totalmente confusos, como por exemplo a inexplicável violência daquele "Engenheiro". Os furos no roteiro de fato existem.
De qualquer forma, mesmo com falhas, o filme é ótimo. Vale e muito por nos fazer pensar sobre a humanidade como espécie, além de ser uma experiência visual que dificilmente será esquecida tão cedo. São muitas as cenas grandiosas, em que os efeitos especiais empolgam e ainda servem aos propósitos do roteiro. Noomi Rapace, que inicialmente parece insegura como a personagem principal, demonstra uma intensidade impressionante a partir de uma sequência que envolve uma cirurgia de emergência. Essa cena pode causar um certo desconforto pela sua visceralidade, mas não dá para negar que é um dos melhores momentos do filme. Isso sem falar no ótimo personagem David (Michael Fassbender), um robô fisicamente igual aos humanos, fã de "Lawrence da Arábia" e que parece ter objetivos distintos dos demais tripulantes da nave.
Chego a estranhar algumas críticas bem negativas que tenho lido. Algo me diz que em um futuro não tão distante "Prometheus" vai ser valorizado como merece.
crítica por Clênio Viégas
Em 1979 o cineasta inglês Ridley Scott redefiniu o conceito dos filmes de ficção científica que se levavam a sério - e não eram apenas bobagem adolescente - com o aterrador "Alien, o Oitavo Passageiro". Estrelada por uma então desconhecida Sigourney Weaver, a produção usava elementos de suspense para contar a história de um alienígena que se infiltrava em uma nave terrestre de reconhecimento e dava início a uma carnificina. O sucesso estrondoso do filme levou às inevitáveis continuações - cada um com um diretor de estilos e talentos diferentes - e agora, 33 anos depois, o mesmo Scott volta às origens da trama. Ainda que não seja um tradicional "prequel" - qualquer espectador que nunca tenha assistido à série pode embarcar tranquilamente na viagem, sem medo de não entender o roteiro - "Prometheus" é um representante bastante digno da franquia, capaz de agradar até mesmo aos mais críticos fãs.
Mantendo a tradição a protagonista aqui é uma mulher de personalidade forte e caráter inabalável. Elizabeth Shaw (vivida pela sueca Noomi Rapace, a Lisbeth Salander da trilogia "Millennium" original) é uma cientista que, no ano de 2089, descobre, junto com seu amado Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), imagens que, somadas a outras mais, descobertas anteriormente, dão a quase certeza de que existem formas de vida alienígenas. O casal embarca, então, em uma viagem na nave espacial Prometheus,bancada pelo milionário Peter Weyland (Guy Pearce), que, octogenário, tem suas próprias razões para o sucesso da missão proposta: encontrar os seres extraterrestres e aprender com eles uma forma de evitar a morte e a velhice. Na equipe, formada por 17 integrantes, também está a líder da expedição, a fria Meredith Vickers (Charlize Theron) e David (Michael Fassbender), um robô criado à semelhança quase perfeita dos seres humanos. Logicamente, quando a tripulação desembarca no local que os mapas acusam como a origem do que eles investigam, percebe que nem tudo é tão amigável e previsível como esperava. E mortes começam a acontecer violentamente.
Quem assistiu aos outros filmes da série sabe como funciona a estrutura do roteiro de "Prometheus": primeiro as personagens são apresentadas; em seguida começam a morrer; e por fim o vilão mostra a sua face e é enfrentado cara a cara. Quem gosta dessa tradição pode ficar sossegado: Scott capricha no suspense, nos efeitos visuais e na maquiagem, cuidando sempre para que nada seja exagerado ou clichê. Seu bom gosto na direção faz toda a diferença desde a primeira sequência até o duelo final entre Shaw e seus algozes (sim, eles são mais de um, mesmo que não sejam exatamente aliados). E o elenco escolhido - assim como aconteceu no primeiro filme - não poderia ser melhor. Rapace tira de letra o desafio de protagonizar um dos mais esperados lançamentos do ano e encontra no expressivo Michael Fassbeender o contraponto ideal: mecânico e frio, seu David é, sem dúvida, uma das personagens mais interessantes da trama, eclipsando até mesmo a bela Charlize Theron, também muito competente ao mostrar seu lado mau. Ao lado de uma produção caprichada e um roteiro equilibrado entre as cenas de ação e os momentos mais reflexivos, eles dão o aval ao filme que poderia ser a maior decepção do ano mas que vem agradando a maioria dos fãs. Pode não ser um "Alien, o Oitavo Passageiro", mas não destrói seu legado - e ainda pode apresentar as produções mais antigas a uma nova geração. Nada mal!
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