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O Outro Lado da Rua
O Outro Lado da Rua (Brasil/2004)
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O maior mérito obtido por Marcos Bernstein em seu filme de estréia como diretor foi a seleção de seu elenco. São poucos diretores consagrados que conseguem reunir em um só filme atores do gabarito de Fernanda Montenegro, Raul Cortez e Laura Cardoso, esta última fazendo somente uma pequena participação. Para se ter uma idéia, Fernanda e Raul, dois dos veteranos atores brasileiros mais consagrados, nunca haviam contracenado juntos no cinema.
Com este elenco de “enciclopédias da 7ª arte”, Bernstein (co-roteirista de “Central do Brasil”, de Walter Salles) pôde realizar toda premissa de “O Outro Lado da Rua”, uma espécie de “As Confissões de Schmidt à brasileira”. O longa basicamente é sobre a velhice, mostrando-a de um ponto de vista muito mais cruel do que o costume, em que a solidão é o que resta à maioria das pessoas de idade mais avançada. Passado em Copacabana, tido como o bairro mais idoso do Rio de Janeiro, se não do Brasil, o filme conta a história de Regina (Montenegro), uma senhora que luta contra o esquecimento e a velhice ao lado de sua cadela vira-lata.
Regina faz parte de um grupo de aposentados que se dedica a passar informações para a polícia sobre pequenos bandidos da redondeza. Certa noite, observando através de um binóculo o prédio em frente ao seu, ela testemunha um homem aplicando uma injeção em sua esposa, que morre em seguida. Certa de que acabou de presenciar um assassinato, ela chama a polícia. No dia seguinte, Regina descobre que o sujeito foi inocentado e que se trata de um ex-juiz chamado Camargo (Cortez). Determinada a provar para a polícia que estava certa, ela passa a seguir Camargo, que por sua vez pensa que seus encontros com a senhora eram meras coincidência e passa a “investir” nela. Com o tempo os dois acabam se envolvendo, o que leva Regina a uma série de questionamentos.
“O Outro Lado da Rua” chega aos cinemas após uma boa carreira em festivais em que conquistou vários prêmios, onde se destacam: o de Melhor Filme da Sessão Panorama, na mostra paralela do Festival de Berlim; o de Melhor Atriz, para Fernanda, no Festival de Tribeca; o de Melhor Filme - Público, no 16º Festival de Cinema Latino-Americano de Toulouse; e os de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Fotografia, no Cine PE - Festival do Audiovisual.
Apesar das excelentes participações de Raul Cortez, que esbanja charme, e Laura Cardoso, que transborda simpatia, quem encanta mesmo no filme é Fernanda Montenegro (também, quando ela não o faz?). Dama maior do cinema nacional, Fernanda nos presenteia com uma personagem que é ao mesmo tempo ranzinza e engraçada, algo que só ela consegue fazer. Sem a atriz o longa correria o sério risco de se tornar um total tédio. Bernstein mostra competência na arte de dirigir um filme, mas necessita de mais experiência. Um ritmo maior no longa o transformaria, com certeza, em um dos melhores do ano. Sorte dele, poder ter contado com atores em tão boa forma. Vale a pena conferir!
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Lucas Salgado
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