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O Espetacular Homem-Aranha
The Amazing Spider-Man (EUA/2012)
Direção:
Marc Webb
Roteiro:
Steven Kloves,
Alvin Sargent,
James Vanderbilt
Elenco:
Martin Sheen (Ben Parker),
Julianne Nicholson (Mary Parker),
Campbell Scott (Richard Parker),
Denis Leary (George Stacy),
Rhys Ifans (Dr. Curt Connors / Lagarto),
Sally Field (May Parker),
Irfan Khan (Nels Van Adder / Proto-Goblin),
Emma Stone (Gwen Stacy),
Andrew Garfield (Peter Parker / Homem-Aranha),
Chris Zylka (Flash Thompson)
Gênero: Ação, Aventura
http://www.theamazingspiderman.com/
Vídeo (Novo trailer de "O Espetacular Homem-Aranha")
Apple Movies
(Inglês/Legendas em Português)
Vídeo (Emma Stone e Avi Arad trazem ao Rio cenas do próximo “Homem Aranha”)
Origem desconhecida
(Idioma não informado)
crítica por Clênio Viégas
Primeiro a questão principal: por que recomeçar do zero quando a trilogia de Sam Raimi sobre o super-herói aracnídeo fez tanto sucesso e ainda está tão recente no imaginário popular? Depois, o alívio: "O Espetacular Homem-Aranha" é um filme muito bem realizado, divertido, e o que é ainda melhor, dá mais consistência a alguns elementos apenas rascunhados nos filmes que fizeram a fortuna da Sony Entertainment na década passada, como as origens familiares do protagonista. Estrelado por um excelente Andrew Garfield - que cativou a crítica com suas ótimas atuações em "A Rede Social" (onde interpretou o brasileiro Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook) e "Não Me Abandone Jamais" - o filme dirigido por Marc Webb (um nome reconhecível apenas para os fãs de seu ótimo "500 Dias Com Ela") consegue fazer com que a audiência esqueça seus antecessores, embarcando na trama como se fosse absoluta novidade.
Tudo bem que, a princípio, tudo pareça história requentada (e de certa forma o é): conhecemos o adolescente nerd Peter Parker, ficamos ciente de sua rotina ao lado dos tios (Martin Sheen e Sally Field), testemunhamos seu sofrimento junto aos rapazes mais populares da escola e seu amor platônico por uma colega (só que dessa vez Mary Jane é substituída por Gwen Stacy, vivida por Bryce Dallas Howard no terceiro capítulo e pela linda e carismática Emma Stone aqui). As coisas começam a mudar quando o roteiro oferece pistas a respeito do passado do pai de Peter, um cientista genial (Campbell Scott) que morreu em circunstâncias trágicas antes de concluir uma pesquisa revolucionária que misturaria genes humanos com de outras espécies. É graças a documentos de seu pai, encontrados sem querer, que o jovem entra em contato com o ambicioso doutor Curt Connors (Rhys Ifans) e, durante uma visita a seu laboratório, é picado por uma aranha geneticamente modificada. O resto todo mundo conhece e já viu antes. A boa notícia: ninguém vai se importar de ver de novo.
O roteiro de "O Espetacular Homem-Aranha" não é repleto das piadinhas que fizeram a glória dos filmes anteriores, ainda que se utilize do bom-humor em alguns momentos (em especial durante a curta participação de Stan Lee). O Peter Parker dessa nova versão é mais torturado, mais angustiado e mais verossímil, assim como o desenvolvimento da trama, que rejeita personagens icônicos da trilogia de Raimi - como o editor vivido por J.K. Simmons - para concentrar-se em construir relacionamentos mais verdadeiros entre suas personagens. Para isso é essencial o trabalho impecável de Andrew Garfield, um ator muito melhor que Tobey Maguire, que consegue transmitir toda a gama de sentimentos de sua personagem com poucas palavras: Garfield é irônico, meigo, heroico, sensível e romântico na medida certa, dando ao herói uma aura mais mitológica do que o simpático mas comum Maguire.
Logicamente os fãs dos quadrinhos não se importarão muito com esses detalhes, preferindo focar-se em coisas mais práticas, como o vilão Lagarto e as cenas de ação (excelentes, ágeis e encaixadas nos momentos certos). Mas é inegável que o conjunto funciona às mil maravilhas, apesar de Webb não ter usado a criatividade de seu filme mais famoso, em detrimento de uma narrativa mais convencional. Mesmo sem maiores ousadias, porém, o filme diverte e encanta. E conforme o próprio diretor declarou após a escolha de seu ator central, você vai amar Andrew Garfield como Homem-aranha.
crítica por Lula Tdscko
É a história de Peter Parker (Andrew Garfield), um aluno marginalizado de uma escola do ensino secundário que foi abandonado por seus pais quando era garoto, sendo criado pelo seu tio Ben (Martin Sheen) e sua tia May (Sally Field). Como muitos adolescentes, Peter está tentando saber quem ele é e como se tornou a pessoa que é hoje. Peter também está tentando se aproximar do seu primeiro amor, sua colega da escola, Gwen Stacy (Emma Stone), e, juntos, eles terão que lidar com o amor, o compromisso e segredos. Quando Peter descobre uma misteriosa maleta que pertenceu ao seu pai, ele empreende uma busca para chegar ao fundo do desaparecimento dos seus pais que o levará diretamente à OsCorp e ao laboratório do dr. Curt Connors (Rhys Ifans), o antigo sócio do seu pai. Quando a trajetória do Homem-Aranha entra em rota de colisão com o alter ego de Connors, o Lagarto, Peter tomará decisões que afetarão o rumo da sua vida, utilizando seus poderes para forjar seu destino, tornando-se um herói. [SINOPSE]
Desde o anúncio do primeiro esboço de projeto este filme foi cercado por um enorme sentimento de desconfiança e, convenhamos, motivos não faltavam. O precoce reboot de uma série que começara há menos de dez anos, um trailer pouco atraente, a escolha do protagonista super-franzino e, relativamente, desconhecido e o fato de continuar sendo produzido pela Sony, ou seja, sem controle criativo completo da Marvel (ainda que participe da produção). Para piorar o cenário, tudo que viesse logo depois do sucesso "Os Vingadores" sofreria uma marcação implacável de público e crítica. Dito isso, fico a vontade para dizer que o filme me surpreendeu de forma muito positiva.
Após assistir ao filme todas as duvidas me foram respondidas. O recomeço não foi uma mera forma de faturar mais, mas redefiniu o personagem por completo. Andrew Garfield ("A Rede Social"), que é ainda mais esguio e de aparência mais jovial que Tobey Maguire, encaixou perfeitamente no papel, um Peter Parker mais adolescente, menos bobo e comediante, e um Homem-Aranha mais elástico e acrobático. A trama tem um Parker mais família e menos (ou quase nada) envolvido com o trabalho como fotógrafo. O elenco coadjuvante é ótimo e ajuda a formar a teia do universo aranha, onde tudo se entrelaça de alguma forma e tudo tem um porquê (já seria uma preparação para entrada do Aranha nos Vingadores?). Outro fator positivo é ter o foco em apenas um vilão, neste caso no Dr. Curt Connors/Lagarto (Rhys Ifans), ao contrário dos três vilões (Jovem Duende Verde, Venom e Sandman) da criticada terceira parte do Homem-Aranha de Sam Raimi.
Ah, e tem a bela e ótima atriz Emma Stone como Gwen Stacy. Li em algum lugar, e concordo plenamente, que “Mary Jane Watson (Kirsten Dunst) se apaixonava pelo Aranha, mas Gwen Stacy se apaixona pelo Peter Parker mesmo”. Seus diálogos com Peter Parker são fantásticos, o diretor Mark Webb imprimiu neles o mesmo tom do casal de outro filme seu, o ótimo "500 Dias com Ela".
Tá… não é nenhum "Os Vingadores" (afinal, nem Hulk eles têm), e talvez não tenha metade do hype do novo Batman, mas definitivamente é um ótimo recomeço e um excelente programa tanto para os fãs de quadrinhos quanto para o resto dos mortais. Caia na rede !
crítica por Bruno Knott
ANTENÇÃO: TEXTO COM SPOILERS!
Dez anos é pouco tempo para contar a mesma história novamente, ainda mais quando a primeira versão já era tão boa. "O Homem-Aranha" de Sam Raimi foi o meu filme de super-herói preferido até Cristopher Nolan realizar "Batman - O Cavaleiro das Trevas", então já dá para ter uma noção de que encarei "O Espetacular Homem-Aranha" com um certo preconceito, mesmo gostando de Andrew Garfield, Emma Stone e do diretor Marc Webb, responsável pelo ótimo "500 Dias com Ela".
O fato é que fui surpreendido por um bela adaptação dos quadrinhos, que claro, tem seus defeitos, mas consegue ser superior ao original em alguns aspectos, o que já justifica sua existência. Continuo preferindo o filme de 2002, mas este é, no mínimo, bem melhor do que "Homem-Aranha 3".
Há quem reclame que esta versão não passa de uma mera cópia, algo de que discordo. A história do Aranha é essa: garoto nerd criado pelos tios sofre bullying na escola, se apaixona por uma garota aparentemente inatingível para ele, é picado por uma aranha e vira um herói. Não se pode mudar completamente a origem de um super-herói tão amado ao redor do mundo. Todas essas coisas acontecem novamente aqui, mas a abordagem é completamente diferente.
Andrew Garfield é um ator com mais recursos do que Tobey Maguire. Ele deu vida a Peter Parker de maneira perfeita, demonstrando vulnerabilidade, mas também uma certa raiva contida que se transforma em força de vontade para ele conseguir o que quer, algo que faltou com Tobey. Todas as cenas que mostram Peter descobrindo seus poderes são ótimas. Peter é um rapaz atormentado, emotivo e tímido. A partir do momento em que ganha confiança ele não hesita em tirar um sarro dos bandidos, como naquela hilária cena com o ladrão de carros.
Dessa vez não temos Mary Jane e sim Gwen Stacy, o que traz um ar de novidade. O relacionamento do casal é trabalhado com bastante sensibilidade e da maneira mais verossímil possível, exatamente como adolescentes tímidos e um tanto inseguros (o Parker, no caso) fariam.
O tio Ben aqui é muito superior do que na versão de Sam Raimi, principalmente por ser interpretado por Martin Sheen, mas também por ter mais tempo de tela. Cá entre nós, a morte dele nesta versão foi encenada de uma maneira bem forçada, mas bastante triste. Sentimos a perda do Tio Ben quase como o Peter.
Mas e o vilão? Bem, aí começamos a falar sobre os pontos fracos do filme. O Dr. Connors pesquisa obsessivamente as possibilidades do cruzamento de espécies, tentando assim encontrar a cura de várias deficiências. Ele próprio não tem um braço e acha que através deste projeto vai ser capaz de regenerá-lo. Não vai dar muito certo. No processo, ele se transforma em um lagarto que sai quebrando tudo, mas sem um propósito muito bem definido, afinal o Dr. Connors era um cara gente boa. No final das contas o vilão não desperta muito o nosso interesse e, mesmo com seu aspecto animalesco, não nos parece uma grande ameaça.
As cenas de ação são satisfatórias, com efeitos digitais empregados com certa habilidade, mas nunca de uma maneira que realmente empolgue. As coisas vão melhorando mais para o final, quando o 3D também se destaca.
"O Espetacular Homem-Aranha" acerta ao trabalhar um tom mais sério e realista, desenvolvendo o Aranha de maneira magistral, mas peca ao oferecer um conflito sem sal e um desfecho bem clichê: o embate entre o herói e o vilão, algo esperado, é claro, mas com absolutamente nada de diferente, nada do que já não vimos antes em outros exemplares do gênero.
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