[Escolha sua cidade] Brasil, 3 de setembro de 2010
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Munique
Munich (EUA/2005)

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Tony Kushner

Elenco: Eric Bana (Avner), Daniel Craig (Steve), Ciarán Hinds (Carl), Mathieu Kassovitz (Robert), Hanns Zischler (Hans), Geoffrey Rush (Ephraim), Mathieu Amalric (Louis), Marie-Josée Croze (Jeanette), Valeria Bruni Tedeschi (Sylvie)

[Veja os participantes de "Munique"]

Gênero: Drama

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"O mundo estava assistindo em 1972 quando 11 atletas israelenses foram assassinados na Olimpíada de Munique. Essa é a história do que aconteceu depois."
"Munique", mais novo trabalho do diretor Steven Spielberg, traz uma história de vingança e espionagem girando em torno do antentado aos atletas israelenses na Olímpiada de Munique em 1972. O atentado foi transmitido ao vivo para todo o mundo e culminou com a morte de 11 atletas, 9 deles após 21 horas nas mãos dos seqüestradores. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, "Munique" não se concentra em recontar essa tragédia.
Em setembro de 1972, aquela que era conhecida como "as Olimpíadas da paz e da alegria" teve sua paz e alegria destruídas quando um grupo de terroristas chamado Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica e tomou como reféns 9 membros da equipe olímpica de Israel e matou outros dois. Armados com fuzis e granadas, os terroristas exigiam a libertação de prisioneiros palestinos e dois terroristas alemães, mas tudo acabou em um banho de sangue com a tentativa frustrada da polícia alemã em libertar os reféns, que resultou na morte de todos os seqüestrados, cinco seqüestradores e 1 policial alemão. Baseado nessa tragédia real, o escritor canadense George Jonas deu prosseguimento à história em seu livro "Vengeance". Nele, a primeira ministra de Israel, Golda Meir, e um comitê do alto escalão da inteligência do país se reúnem para planejar uma missão cujo objetivo era eliminar 11 terroristas envolvidos no planejamento do atentado. E foi a partir da adaptação do texto de Jonas pelos roteiristas Eric Roth e Tony Kushner que os produtores do filme resolveram chamar Steven Spielberg para dirigir o projeto. E talvez seja pelo fato da idéia original não ter partido de Spielberg que "Munique" não tenha se tornado mais um drama moralista (que fique claro que eu não estou dizendo que o ídolo da Confraria só faz dramas moralistas, mas todos esperam de Spielberg um novo "A Lista de Schindler" quando o assunto é judeus).
Entrando no filme propriamente dito, a história se desenrola logo após os atentados, retratados principalmente através de pedaços da cobertura jornalística que o mundo assistiu naquele dia. O filme passa então a acompanhar Avner (vivido por Eric Bana, de "Hulk), membro do Mossad (a inteligência israelense), que é convocado para uma secreta reunião. Lá ele é informado que deve chefiar um grupo de especialistas com o objetivo de eliminar, da maneira mais pública possível, 11 palestinos responsáveis pelo ataque nas Olimpíadas. Mas para isso ele deverá abandonar sua mulher, grávida de seu primeiro filho, e todos os vínculos com o governo de Israel, tornando-se um renegado financiado apenas por uma conta bancária na Suíça. Seu grupo conta com mais 4 membros: Steve (Daniel Craig, de "Nem Tudo é o que Parece"), Robert (interpretado pelo francês Mathieu Kassovitz), Hans (Hanns Zischler) e Carl (Ciaran Hinds, de "A Soma de Todos os Medos"). Todos judeus envolvidos com a causa de Israel, eles viajam pela Europa atrás de seus 11 alvos.
"Munique" não é um filme de muitos efeitos especiais, como um thriller de espiões do tipo "A Identidade Bourne". A trama se concentra nas relações entre os 5 assassinos e a maneira como eles percebem o seu trabalho e as conseqüências dele. Avner e Steve, personagens de Bana e Craig, respectivamente, começam a missão com perspectivas totalmente diferentes sobre seu trabalho. E é através do diálogo entre estes dois personagens e também o resto do grupo que se desenvolve a ação do filme. À medida que eles percebem a violência de seu trabalho, o risco às pessoas inocentes e o fato de que seus ataques simplesmente geram respostas ainda mais violentas dos inimigos, o grupo começa a questionar os motivos da missão. Os diálogos vão até mais longe, colocando Israel também como culpado pelo ódio interminável entre seu povo e os palestinos.
"Munique" é bom porque surpreende. Sem grandes inovações técnicas (que é o que se espera em um filme de Spielberg), a força do filme vem de personagens inseridos em um mundo de violência que percebem que o "mal necessário" pregado por algumas nações é tão ruim e destrutivo quanto as ações que os motivam. Isso, vindo de um diretor judeu profundamente ligado às questões de seu povo, é surpreendente.
Gustavo Catão
Imagens de "Munique"
Munique Munique
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