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Moulin Rouge: Amor em Vermelho


Moulin Rouge (EUA/2001)

 



Direção: Baz Luhrmann

Roteiro: Baz Luhrmann, Craig Pearce

Elenco: Nicole Kidman (Satine), Ewan McGregor (Christian), Jim Broadbent (Harold Zidler), Richard Roxburgh (Duque de Monroth), John Leguizamo (Toulouse)

 

Duração: 127 min | Gênero: Musical, Drama

 

crítica por Plinio Meirelles

Existe pelo menos uma qualidade incontestável no musical “Moulin Rouge”: é um filme inovador. Pode parecer pouco mas, no atual panorama cinematográfico mundial (Hollywood em especial), esta é uma característica rara, encontrada somente em diretores autorais que, ao fazerem seus filmes, pretendem também falar sobre o mundo em que vivem. Cineastas como David Fincher (de “Seven Os Sete Crimes Capitais”), P. T. Anderson (de “Magnólia”) e Steven Soderbergh (de “Traffic”) são jovens diretores que se permitem, mesmo dentro da padronização americana, levantar polêmicas e trazer questionamentos com suas obras. E, com a estréia de “Moulin Rouge”, o australiano Baz Luhrmamn (do inferior “Romeu + Julieta”) está prestes a entrar neste seleto clube de novos autores.
Quando fui assistir ao filme, confesso que fiquei impressionado e mesmo confuso ao tentar classificá-lo. As impressões sobre o filme são variadas e o diretor nos invade com uma infinita e frenética seqüência de imagens, sons e referências que levam pelo menos um tempo considerável para serem completamente absorvidas. Muitos acharam “uma porcaria” sem nexo, uma confusão que não leva a lugar nenhum. Mas outras pessoas (e eu estou entre elas) perceberam que o filme é, nada mais nada menos, que uma simples história de amor contada (e cantada) para o público do novo milênio.
A história é mesmo simples: o jovem escritor Christian (Ewan McGregor) chega a Paris (em 1900) no auge da revolução e da arte de vanguarda. Conhece a bela cortesã Satine (Nicole Kidman) que trabalha como estrela principal do cabaré “Moulin Rouge” (local que reunia boêmios, burgueses e nobres de todos os tipos no início do século XX) e os dois, obviamente, se apaixonam perdidamente, embora não possam assumir esta paixão publicamente. Mas muito mais importante que o enredo desta história é o modo como ela é contada. Baz resolveu narrar toda a trágica trajetória do casal através de músicas bastante populares do nosso século (aliás, do século passado), reinventando-as e usufruindo de suas palavras e refrões como parte dos diálogos dos dois amantes. Essas referências vão de “Beatles” e Elton John até Madonna e, aliado ao exagero visual dos cenários e figurinos, causam um impacto no espectador muito, mas muito intenso e particular. Por isso, esse filme é uma obra tão peculiar e controversa. Enquanto alguns se deliciam e se emocionam quando o jovem escritor tenta seduzir a cortesã cantando “All you Need is Love” dos “Beatles”, outros acham apenas ridículo quando o dono do cabaré se refere a Satine usando trechos de “Like a Virgin” de Madonna. A força visceral de Nicole Kidman e a bela voz de Ewan McGregor ajudam a convencer que, mais que um filme, “Moulin Rouge” é uma experiência. Você pode amar ou odiar, mas não ficará indiferente. E uma coisa é certa: instigar o espectador a ter uma opinião sobre aquilo que assiste é uma qualidade que não pode ser subestimada. E já é, com certeza, um bom começo.

 

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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