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A Última Ceia
Monster's Ball (EUA/2001)
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"Uma vida de mudanças pode ocorrer em um único instante."
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Quando se assiste a um filme como "A Última Ceia", a sensação de desconforto cresce assustadoramente e um enorme peso desaba sobre o espectador, deixando nossos corações como um tijolo e realizando uma inversão completa dos antigos valores cinematográficos. O cinema foi uma invenção que tinha como princípio maior a função de fazer da vida algo muito mais divertido e belo do que a realidade. Assistir a filmes antigos (como os musicais da Metro, por exemplo) ou a recentes super produções de Hollywood (onde até um cachorro pode salvar o mundo) torna o espectador mais poderoso, fazendo-o acreditar que, por alguns instantes, ele é parte de um mundo mágico, repleto de aventura e romance. Mas, infelizmente a vida humana é muito mais tediosa do que a vida cinematográfica, e viver no ritmo da pós-modernidade nos priva de termos uma vida mais excitante, repleta de adrenalina, onde possamos viajar atrás de aventuras, ressuscitar dinossauros, fazer contato com extra-terrestres ou se apaixonar por uma prostituta sem o risco de pegar alguma doença venérea, enfim, coisas que só acontecem no cinema. Mas aí, filmes como "A Última Ceia" chegam para fazer uma "subversão": mostrar na tela toda a amargura que pode ser sentida apenas na realidade humana e provar para o espectador que a arte pode imitar fielmente a vida. No filme, Billy Bob Thornton (magnífico, como todo o elenco) tem um emprego miserável: conduzir para a cadeira elétrica assassinos condenados à morte. Conta com a ajuda do filho (que ele detesta) e a crítica do pai, um velho racista e rabugento. Logo se envolve com uma bela mulher (Halle Berry, que dispensa comentários) que perdeu o marido nas mãos do carrasco e que se equilibra entre manter a casa e cuidar do filho pequeno. Perdem-se empregos, morrem-se filhos e a tristeza avança a cada centímetro de celulóide, evitando o sentimentalismo e a pieguice tão comuns em melodramas americanos para mostrar uma ferida aberta e uma dor pungente e real, que ganha força graças ao extraordinário talento de Halle Berry e Billy Bob que apresentam aqui um grau de intensidade dramática muito superior a filmecos como "A Senha". O trabalho do elenco é excelente e tão verdadeiro que chega a ser possível sentir o mal estar destes personagens graças a honestidade com que tudo é representado, tratando situações de nossa vida de forma humana e não como uma simulação embelezada do que é real. Mas, agora, uma observação dos membros do CAFRI: não recomende este filme a ninguém. Não porque não seja bom, muito pelo contrário: é um exemplo de arte bem realizada. Mas, ultimamente, o melhor mesmo é procurar entretenimento, com filmes leves, gostosos de assistir, divertidos e descartáveis para acompanhar com pipoca e refrigerante e nos esquecer da vida dura que levamos. Esqueça "Uma Mente Brilhante", "Forrest Gump O Contador de Histórias" ou "Titanic" que mostram um mundo que faz sentido. "A Última Ceia" incomoda por nos colocar frente a frente com as nossas tristezas, impotências, fracassos e por traduzir com contundência a famosa frase da sabedoria popular: "Antes eu sonhava, agora nem durmo mais".
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Plínio Meirelles
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes
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"A última ceia é uma estória dolorosamente triste. Elenco afinado, atuações soberbas. O longa provoca sentimentos contraditórios na platéia: Compaixão, raiva, revolta, vergonha. Se o longa se propos á mostrar o lado podre do ser humano cumpriu o seu papel. O diretor tenta a redenção dos personagens e adocicar a estória da metade do filme para o final, mas, aí já é tarde demais, o público já está impregnado de amargura. A platéia só não pode sentir vergonha de uma coisa: De chorar. "
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visitante Aurea De F. M. Dos Santos Gontijo
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