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Melinda e Melinda
Melinda and Melinda (EUA/2004)
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Poucos diretores se encaixam tanto no modelo “ame-o ou odeie-o” como Woody Allen. Dentre aqueles que o amam existe uma outra divisão, entre aqueles que gostam de seus dotes dramáticos e aqueles que preferem seu lado cômico. Pois bem, “Melinda e Melinda” vai agradar a todos os tipos de fãs do cineasta, já que é dividido justamente em uma parte cômica e uma trágica. Os que não gostam de Allen devem continuar não gostando, mas sobre isso não há o que fazer. Azar o deles!
A sinopse do filme é algo muito complicado, então para não me enrolar tentando expô-la para vocês vou parafrasear a sinopse presente no press release (notas de imprensa) do longa: “Em ‘Melinda e Melinda’, Woody Allen explora alguns de seus assuntos preferidos, lutas pessoais para superar problemas morais, íntimos, de identidade, de ciúme e também as incertezas do amor. Aos 69 anos, Alen estréia com ‘Melinda e Melinda’ seu 35º filme. Quatro sofisticados nova-iorquinos desfrutam de um jantar numa noite chuvosa e discutem sobre a diferença entre comédia e tragédia. Uma história que é contada durante o jantar dá margem a uma conversa entre os escritores Max (Larry Pine) e Sy (Wallace Shawn) sobre a dualidade do drama humano, simbolizada pelas máscaras da comédia e da tragédia do teatro. Os dois dramaturgos começam a desenrolar histórias, um de forma cômica e outro de forma trágica, sobre uma mulher, um tanto enigmática, chamada Melinda”.
Na metade dramática do longa se destacam Chiwetel Ejiofor (“Coisas Belas e Sujas”), Jonny Lee Miller (“Trainspotting – Sem Limites”) e Chloë Sevigny (“Dogville”), enquanto na parte cômica quem rouba a cena é Will Ferrell (“O Ancora - A Lenda de Ron Burgundy”). Por mais que a bela e talentosa Amanda Peet também esteja na “parte engraçada” é mesmo Ferrell o grande nome da parte. Na verdade seu personagem só não é mais interessante do que Melinda, vivida brilhantemente por Radha Mitchell (“Em Busca da Terra do Nunca”).
Esta é a primeira vez que Woody Allen não atua em um filme dirigido por ele desde “Tiros na Broadway”, de 1994. Pelo visto ele ficou satisfeito com a função de somente diretor e roteirista, pois no longa seguinte a "Melinda e Melinda", “Match Point”, Allen optou mais uma vez por ficar somente por trás das câmeras. Mas os fãs dele como ator não precisam se preocupar, pois Woody já declarou que depois de “Match Point” volta a atuar. “Melinda e Melinda” ainda serve como oportunidade para os fãs mais radicais do cineasta matarem por antecipação a saudade de Nova York, pois os outros três trabalhos depois deste não teram como cenário os Estados Unidos (dois se passam em Londres e o terceiro, possivelmente, em Barcelona).
“Melinda e Melinda” é um longa que merece ser conferido. Seu único problema é que o lado dramático não funciona tanto quanto deveria, pois é difícil se envolver, se concentrar em algo que em seguida será contado por um momento cômico. Não estou dizendo que a “parte triste” não funciona, apenas não é totalmente satisfatória. Já a parte cômica é digna de aplausos, principalmente por Ferrell, ex-integrante do Saturday Night Live.
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Lucas Salgado
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