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Ponto Final - Match Point


Match Point (Inglaterra/2005)

 



Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Penelope Wilton (Eleanor Hewett), Scarlett Johansson (Nola Rice), Brian Cox (Alec Hewett), Emily Mortimer (Chloe Hewett Wilton), Jonathan Rhys-Meyers (Chris Wilton), Alexander Armstrong (Sr. Townsend), Matthew Goode (Tom Hewett)

 

Duração: 124 min | Gênero: Drama, Romance

 

crítica por Lucas Salgado

Respirar novos ares de fato fez bem a Woody Allen. Depois de realizar a maioria absoluta de seus filmes em Nova York, Allen resolveu rodar este “Ponto Final - Match Point” em Londres. E a escolha não poderia ser mais acertada. Tudo bem que a trama poderia se passar em qualquer cidade, mas para o quê o filme se propõem a atmosfera londrina cai muito bem.
O fato de se passar em um lugar diferente de Nova York é a primeira de diversas características “anti-woodiallianas” presentes no filme. Apesar de algumas similaridades com “Crimes e Pecados” (1989) e “Tiros na Broadway” (1994), “Match Point” é muito diferente de tudo o que Allen realizou. Aqui os longos diálogos são substituídos por uma trama intensa e silenciosa sobre ambição, cinismo, culpa e sexo. É praticamente um thriller, que lembra muito inclusive o mestre Alfred Hitchcock e seu “Pacto Sinistro”. O filme conta ainda com referências claras ao clássico “Crime e Castigo”, de Doistoiévski.
Primeiro drama de Allen em 16 anos, o longa conta a história de Chris, um ex-tenista irlandês (Jonathan Rhys-Meyers, vencedor do Globo de Ouro pela minissérie “Elvis”), que sobe na vida em Londres ao se casar com uma mulher rica (Emily Mortimer, excelente). Seu alpinismo social é então atormentado pelo surgimento da candidata a atriz Nola (Scarlett Johansson, muito, muito gos... bonita), noiva de seu cunhado, e com quem tem um caso. Chris se encontra então numa sinuca de bico, sem saber se deixa levar-se pela paixão ou se opta pela boa e rotineira vida de casado. O desfecho de toda esta trama é apoteótico, nos mostrando que de fato estávamos assistindo um filme de Woody Allen, pois só sua mente cômica e trágica poderia bolar algo assim. Em determinada cena, lá pelo meio de “Ponto Final - Match Point”, dá vontade de levantar e aplaudir, tamanha a genialidade do diretor, que desta vez não atua no filme.
Apesar de toda a trama girar em torno do personagem de Rhys-Meyers, é de fato Scarlett que rouba a cena. A atriz de “Encontros e Desencontros” tem tudo para se tornar a nova musa de Woody, seguindo os passos de Diane Keaton e Mia Farrow. Os dois já rodaram um novo filme juntos, a comédia “Scoop”, também filmada em Londres.
“Match Point” é tão bom que foi unanimidade inclusive na terra do Tio Sam, onde os críticos não são lá muito fãs de Allen (ele mesmo brinca com isso em vários filmes). Nos Estados Unidos, a imprensa tem mania de dizer que ele sempre se repete. Isso pode até ser verdade, em parte, mas isso é mais que natural para alguém que fez 40 filmes em 40 anos. Em contrapartida, que outro diretor fez filmes tão diferentes entre si, quanto o musical “Todos Dizem Eu Te Amo”, a comédia pastelona “Os Trapaceiros” e este drama? A resposta é simples: nenhum!
Mas se Woody conseguiu agradar à crítica norte-americana e o público (faturou mais de US$ 17 milhões – US$ 2 milhões a mais que o orçamento total), não foi desta vez que ele reconquistou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que lhe deu apenas uma indicação ao Oscar, a de Melhor Roteiro Original. A ausência de “Match Point” em categorias como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz Coadjuvante foi a grande injustiça da cerimônia de 2006. Mas Allen não deve estar perdendo a cabeça com isso, já que não compareceu para receber nenhum dos três Oscars que conquistou.
Apesar de se tratar do filme de maior duração da carreira de Allen (124 minutos), o longa não cansa em momento algum e deve ser conferido até por aqueles que, Deus sabe por quê, não gostam do cineasta.
Ah... como a Confraria sempre tem o costume de criticar traduções de títulos idiotas vocês devem achar estranho que ainda não falei nada sobre esse infame título “Ponto Final - Match Point”, que segue a linha de “Closer - Perto Demais”, “Sin City - A Cidade do Pecado”, “Shine - Brilhante”, etc, etc, etc. Porém, desta vez a distribuidora tem uma justificativa. O título “Ponto Final” já estava registrado pelo cineasta brasileiro Marcelo Taranto (“A Hora Marcada”) para seu novo filme, que está em pré-produção. Como a PlayArte, distribuidora do filme de Woody Allen, já havia gastado dinheiro com publicidade divulgando o título “Ponto Final”, ela optou por manter a tradução e acrescer o título original como uma espécie de subtítulo. Não foi a melhor das opções, mas pelos menos eles têm uma justificativa.

crítica por Cristiano Contreiras

 

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