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Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo
Master and Commander: The Far Side of the World (EUA/2003)
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Primeiramente, gostaria de revelar uma curiosidade do filme: este “lado mais distante do mundo” presente no título é justamente os mares que abrangem a costa brasileira. É por aqui que o lendário capitão Jack Aubrey (Russell Crowe) está passando com seu navio, o H.M.S. Surprise, quando se depara com uma fragata francesa, a Acheron, e começa uma batalha incansável. Mesmo com um navio infinitamente inferior ao francês, Jack “Sortudo”, como é chamado por seus comandados, decide impedir que este último chegue a Europa para ajudar a frota marítima de Napoleão Bonaparte.
Baseado numa série de livros escritos por Patrick O´Brian, mais especificamente o décimo livro da série, “The Far Side of the World”, “Mestre dos Mares” foi indicado a 10 Oscars (melhor filme, diretor, direção de arte, fotografia, figurino, edição, maquiagem, som, edição de som e efeitos especiais), ficando atrás apenas de “O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei”, de Peter Jackson, que arrebatou 11 indicações. O filme, dirigido pelo excelente Peter Weir (“O Show de Truman, O Show da Vida” e “Sociedade dos Poetas Mortos”), conta ainda com as presenças do sempre excelente Paul Bettany, que trabalhou com Crowe em “Uma Mente Brilhante”, e de Billy Boyd, que interpreta o hobbit Pippin na trilogia de “O Senhor dos Anéis”. Mais do que o próprio Russell Crowe, Bettany, que no ano passado estrelou ainda o excelente “Dogville”, dá um brilho a mais na produção e merecia uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante, o que não aconteceu.
Filmado em parte no México, no mesmo tanque construído para filmar “Titanic”, “Mestre dos Mares” é um filme para se assistir, contando com momentos de dramaticidade e beleza, sem perder em nada no quesito de ação. Seu único defeito é sua longa duração, 138 minutos. Pode parecer estranho dizer isso, já que “O Retorno do Rei”, “O Último Samurai” e “Cold Mountain” possuem bem mais do que isso e nem por isso chegam a ser muito longos. Acontece que as cenas de ação, no caso o confronto entre os dois navios, que são o auge do filme, acabam sendo curtas em relação às outras. "Mestre dos Mares" ainda chama a atenção por outros detalhes. O primeiro são os termos náuticos, usados constantemente por todo o filme, e que dão um toque de verossimilhança a mais no longa. Às vezes ficamos até um pouco perdidos com tantas expressões desconhecidas, igual ao médico da tripulação (Bettany), que a certa altura pergunta para os oficiais do navio o que quer dizer "barlavento". Outro detalhe está na trilha sonora. Ao invés daquelas trilhas criadas para o filme e que, na maioria das vezes, ficam escondidas ao fundo e só percebemos que elas estão lá no letreiro, "Mestre dos Mares" tem boa parte de sua trilha composta de concertos de Bach e Mozart. A beleza das músicas acaba por dar grande beleza e profundidade a algumas das cenas mais tranqüilas, como a visita do navio às ilhas Galápagos.
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Lucas Salgado
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