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As Invasões Bárbaras
Les Invasions Barbares (Canadá/2003)

Direção: Denys Arcand

Roteiro: Denys Arcand

Elenco: Rémy Girard (Rémy), Stéphane Rousseau (Sébastien), Marie-Josée Croze (Nathalie), Dorothée Berryman (Louise), Yves Jacques (Claude), Dominique Michel (Dominique), Pierre Curzi (Pierre)

[Veja os participantes de "As Invasões Bárbaras"]

Duração: 99 min.

Gênero: Drama

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"O declínio do Império Americano continua!"
Antes de assistir “As Invasões Bárbaras”, recomendo que procure-se ver “O Declínio do Império Americano”. Não é fundamental, pois este segundo filme tem certa independência de seu antecessor, mas é melhor que fazê-lo. No longa de 1986 o diretor Denys Arcand defendia a idéia de que o domínio norte-americano dava sinais de decadência, e que em breve estaria chegando ao fim.
Em “As Invasões Bárbaras” Arcand mantém este pensamento e faz uma relação com a queda do Império Romano. Para quem não sabe, Roma ruiu por ter sofrido invasões pelos povos bárbaros, que na época eram todos aqueles que não eram romanos ou gregos. Pois bem, neste longa o diretor canadense dá como exemplo a tragédia de 11 de setembro como o primeiro ataque bárbaro a atingir o império americano.
Apesar de toda a reflexão acima poder ser retirada do filme, este conta uma história independente, um drama simples e nem um pouco critico. A trama gira em torno de Rémy (Rémy Girard, estupendo), um professor de história que descobre estar com câncer. Após ser internado, sua ex-mulher liga para o filho para pedir que este venha visitá-lo em Montreal, Canadá. Mesmo sem vontade, o filho, Sébastien (Stéphane Rousseau), atende ao pedido da mãe e vai visitar o pai. O problema é que o jovem representa tudo aquilo que o pai mais repudia: “ele é um capitalista puritano e eu sou um comunista voluptuoso” afirma Rémy em determinada parte do longa. Mesmo com ideologias opostas vemos que ao passar do tempo o sentimento de pai e filho vai predominando, e Sébastien passa a fazer de tudo para ajudar seu pai. Ele tenta inclusive transferi-lo para um grande hospital nos Estados Unidos, mas Rémy recusa subitamente, pois lá existiria o perigo de encontrar um mulçumano terrorista. Na verdade, Rémy acha que não faria sentido sair do país que ama justamente na hora de sua morte, assim ele prefere continuar no Canadá onde pode ficar com seus amigos (personagens do primeiro filme), que após avisados por Sébastien vão visitá-lo no hospital. Uma das principais virtudes do filme é o fato do diretor ter conseguido, 15 anos depois, reunir basicamente todo o elenco do original.
“As Invasões Bárbaras” é um filme único e imperdível. Foi um dos maiores destaques do Festival de Cannes, onde recebeu os prêmios de melhor roteiro original (para Arcand) e melhor atriz (para Marie-Josée Croze), o qual acho que foi injusto, pois ela é praticamente uma coadjuvante no longa e este prêmio deveria ter ficado com Nicole Kidman, por “Dogville”. A cada filme do tradicional Festival de Cannes que assisto fico mais indignado com o júri, pois “Elefante” nunca vai ser melhor do que “As Invasões Bárbaras”, e este é que deveria ter disputado a Palma de Ouro com “Dogville” e Rémy Girard deveria ter ganhado o prêmio de melhor ator.
Vá ver “As Invasões Bárbaras”, mesmo que não consiga assistir “O Declínio do Império Americano” (que em breve deve ser lançado em DVD), mas deixe seu lado CAFRI em casa e não esqueça o lenço, pois é impossível não se emocionar.
Lucas Salgado
Imagens de "As Invasões Bárbaras"
As Invasões Bárbaras As Invasões Bárbaras
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