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King Kong
King Kong (EUA/2005)
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É difícil admitir, mas o grande ídolo do cinemaCAFRI, aquele diretor que sempre representou o cinema por excelência para nós da Confraria, encontrou o seu rival. Um rival que, há seis anos atrás, tinha como seus melhores trabalhos alguns filmes Trash de orçamento quase nulo e que só eram conhecidos por um pequeno grupo de fãs. Um rival que em 2001 iniciou sua ascensão meteórica para o primeiro escalão de diretores levando para o cinema a magia do mundo de JRR Tolkien. Enquanto Steven Spielberg se perde em histórias moralistas e mega produções que simplesmente não têm o mesmo impacto de antes, Peter Jackson lançou, em apenas 5 anos, 4 dos filmes mais CAFRI de todos os tempos. “King Kong”, o quarto desses sucessos, fecha o ano de 2005 como a última grande estréia do ano, dividindo a glória de “um dos melhores do ano” com nada menos que o final da saga de “Guerra nas Estrelas” (“Guerra nas Estrelas Episódio III A Vingança dos Sith”) e a obra de arte de Robert Rodriguez e Frank Miller (“Sin City - A Cidade do Pecado”). Em uma ilha remota do Pacífico, uma antiga muralha protege o mundo exterior de um território habitado por criaturas pré-históricas. Perdida no meio da névoa, essa ilha sempre existiu apenas como uma lenda para os marinheiros, mas o diretor de documentários Carl Denham tem nas mãos um mapa para a ilha. Sua idéia é fazer um filme na ilha lendária e ser o primeiro a documentar as tribos e os animais do lugar, mas os produtores do estúdio não querem, em plena Grande Depressão americana, bancar a viagem do diretor. Denham então toma a decisão que pode acabar com sua carreira: roubar o equipamento do estúdio e partir em um cargueiro antes que o peguem. Mas ele ainda precisa de uma protagonista para o seu filme, e acaba convencendo Ann Darrow, uma atriz desempregada, a embarcar em sua aventura. Além dos dois e da equipe de filmagem, Denham ainda tem ao seu lado o ator de filmes de aventura Bruce Baxter e o escritor Jack Driscoll, mas nenhum deles ainda sabe o que os espera na misteriosa Ilha da Caveira... É claro que eu não vou simplesmente narrar o filme aqui. Principalmente porque, daí em diante, a história já faz parte do imaginário coletivo do cinema. Pouco adiante na trama o protagonista do filme fará sua grande entrada, quando os nativos da ilha oferecem Ann para o grande Kong. E Kong irá se apaixonar pela bela loira (quem não se apaixonaria?) e tentar protegê-la dos perigos da ilha, o que serve como uma ótima armadilha para Denham capturar Kong e recuperar os prejuízos com a sua expedição. E é também no momento em que Kong entra em cena que passamos de um remake muito bom e bem dirigido para um filme espetacular. Até neste momento, Peter Jackson se concentra em criar o ambiente dos anos 30 nos EUA e aprofundar a relação entre os personagens. Vemos Jack Black no papel do diretor disposto a arriscar tudo pelo seu trabalho; Naomi Watts como uma atriz desesperada para conseguir algum emprego e que de repente tem a chance de trabalhar com o roteirista de seus sonhos; Adrien Brody como o roteirista que rapidamente se apaixona pela protagonista de seu novo trabalho; e Thomas Kretschmann no papel do capitão do navio, relutante em procurar a famigerada ilha. Todos muito bem em seus papéis, mas que ainda precisam do elemento final da trama: Kong. E o grande gorila chega para abalar o filme. É Kong quem torna Jack Black realmente convincente ao transformar seu personagem num sacana ganancioso; é ele quem joga Adrien Brody totalmente para escanteio na segunda metade do filme; e é ele quem põe a verdadeira ação no filme. Chego a dizer que Andy Serkis, que deu movimentos a Góllum e que aqui tem a difícil tarefa de interpretar Kong, merecia uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Antes do início das filmagens, Serkis viajou à Ruanda com um primatólogo. Lá visitou um grupo de gorilas, estudando seus movimentos, gestos, expressões e formas de comunicação primitivas. Mas é claro que esse Oscar teria de ser dividido com os animadores da Weta Digital, a empresa responsável por criar a animação em CG do gorila (mais detalhes sobre o processo de criação de Kong você pode conferir na reportagem do cinemaCAFRI “A Magia de Kong”). O casamento dos movimentos de Serkis ao trabalho da WETA pode ser resumido em uma palavra: perfeito. E a Weta não foi responsável somente pela criação de Kong, mas também pelas outras criaturas que habitam a Ilha da Caveira. A empresa, criadora dos dinossauros do clássico de Steven Spielberg “Parque dos Dinossauros”, criou para este “King Kong” tiranossauros, velociraptors e outros seres pré-históricos e deu a eles a agilidade necessária para lutar com Kong. Exemplo disso é a luta entre Kong e os tiranossauros, a melhor seqüência de ação do filme. Criou também seres “menores”, como insetos gigantes e algumas coisas rastejantes bastante desagradáveis. Apenas uma curiosidade: a arrepiante seqüência em que os exploradores caem no fundo de um penhasco e são atacados por inúmeras criaturas foi inicialmente criada para o primeiro filme, mas ficou de fora na edição final. Mas “King Kong” não é feito somente de grandes efeitos especiais. O filme só é tão maravilhoso por causa da história de amor entre o gorila de 8 metros de altura e a bela atriz. O “casal”, se é que podemos chamar assim, é responsável pelas cenas mais emocionantes do filme, como a cena no alto do Empire State com o sol nascendo; e também pelas mais belas, inclusive uma que deve entrar para a história do cinema: a seqüência sobre o lago congelado no Central Park. Outra curiosidade: a fala “não foram os aviões, foi a bela que matou a fera”, dita por Jack Black no final do filme, ia ser dita originalmente por Fay Wray, que fez o papel de Ann Darrow no filme de 1933, mas que faleceu no ano passado. E é por tudo isso que “King Kong” é um dos melhores filmes do ano e até mesmo dos últimos anos: ação, aventura, romance. Todos os elementos que fazem a magia do cinema na proporção perfeita para emocionar adultos e crianças. Uma história com um final triste mas que se concentra mais em divertir seus espectadores do que em passar grandes lições de moral. E afinal, nada mais CAFRI do que isso: juntar tudo que a tecnologia do cinema moderno pode oferecer para encantar milhões de pessoas por todo o mundo. “King Kong” é tudo isso.
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Gustavo Catão
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