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Kill Bill: Volume 2
Kill Bill: Vol. 2 (EUA/2004)
crítica por Lucas Salgado
Quando “Kill Bill: Volume 1” chegou aos cinemas brasileiros houve uma grande discussão interna na Confraria, se este seria um filme trash ou pipoca. Eu achava, e continuo achando que é pipoca, mas a oposição (palavra em alta nos dias de hoje) não concordava. Agora, com “Kill Bill: Vol. 2” já prevejo a mesma discórdia, mas acho que será menor. Enquanto o primeiro filme contava com uma série de cenas trash, das quais se destaca a batalha da Noiva com os 88 Loucos, este segundo episódio pega um pouco mais leve. Mas isso não é motivo para deixar os fãs de filmes trash tristes, pois em “Kill Bill 2” também podemos ver cenas bizarras, fruto da mente perturbada, e ao mesmo tempo genial, de Quentin Tarantino, em especial o treinamento da Noiva com Pai Mei e sua luta com Elle Driver. Por outro lado o longa nos traz um lado mais cabeça da série, com maiores detalhes do ataque sofrido pela Noiva e revelação sobre a filha da mesma. Inclusive, acho bem possível uma indicação ao Oscar para Uma Thurman. Ela recebeu uma indicação ao Globo de Ouro pelo primeiro e como nesta segunda parte ela pode demonstrar mais sua capacidade dramática não custa sonhar um pouco mais alto.
Após eliminar O-Ren Ishii (Lucy Liu) e Vernita Green (Vivica A. Fox), a Noiva (Thurman) continua sua sedenta busca por vingança neste segundo episódio. Agora só faltam três nomes em sua lista: Budd (Michael Madsen), Elle Driver (Daryl Hannah) e, finalmente, Bill (David Carradine). Como qualquer filme de Tarantino, “Kill Bill: Volume 2” não é em momento algum linear, ou seja, é repleto de flash backs e outros detalhezinhos. Com os flash backs: descobrimos o que aconteceu na cerimônia de casamento e porque ela estava sendo realizada; podemos ver com maiores detalhes os treinamentos da Noiva com seu mestre Pai Mei (personagem que aparece em vários filmes de kung fu feitos pelos irmãos Shawn nas décadas de 70 e 80 e que aqui é vivido por Gordon Liu, que viveu Johnny Mo no primeiro “Kill Bill”); e recebemos mais informações sobre as vidas dos antagonistas Budd, Elle e Bill.
Assim como “Kill Bill: Volume 1”, este segundo filme é indispensável. De fato é um pouco inferior ao primeiro, mas é tão pouco que a nota que darei é a mesma dada ao anterior, 5 merecidas estrelas. Dois motivos para desconsiderarmos essa pequena inferioridade: 1) o fato de Quentin Tarantino ter feito tudo como um único filme, então não tem como separar; e 2) neste podemos conferir o que Tarantino faz de melhor, os diálogos. Ao invés da overdose de cenas de ação (o que foi ótimo), neste temos melhores interpretação, com diálogos que fazem jus a “Pulp Fiction Tempo de Violência” e “Cães de Alugues”.
Apesar de ser uma coisa óbvia gostaria de dizer que aqueles que não gostaram do primeiro filme não devem assistir a este, e sim procurar tratamento. Brincadeira, mas realmente é difícil entender alguém que não goste de “Kill Bill”. Os fãs de Tarantino ainda vão gostar de ver a ponta de Samuel L. Jackson, que trabalhou com o cineasta em “Pulp Fiction” e “Jackie Brown”, no filme. Além de interessante sua ponta é bizarramente sem importância. Ele faz Rufus, o tecladista da igreja em que a Noiva está prestes a se casar, que aparece, fala meia dúzia de palavras e morre assassinado. A idéia para Jackson fazer uma participação em “Kill Bill” surgiu quando Quentin sondava a mulher do ator, LaTanya Richardson, para viver Vernita Green no longa. Acabou que sua esposa ficou sem o papel, que foi para Vivica A. Fox, e ele com uma ponta.
Curiosidade: veja o filme até o término dos créditos, que Quentin colocou uma piadinha bem no final deste. Não é nada revelador para um próximo episódio, mas não deixa de ser interessante assistir.
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