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Kick-Ass - Quebrando Tudo
Kick-Ass (EUA/2010)
crítica por Gustavo Catão
Dave é um típico adolescente nova-iorquino. Fã de quadrinhos, sem muito sucesso com as garotas nem grandes habilidades nos esportes ou na sala de aula. Até que um dia ele se pergunta: “Por quê ninguém nunca tentou ser um super-herói?”. Incapaz de arranjar uma boa resposta, ele veste uma malha verde amarela e sai pelas ruas querendo ajudar a sociedade. Mas logo ele descobre um bom motivo para não ser um herói: porque dói. Essa é a premissa de “Kick-Ass”, filme do diretor Matthew Vaughn (“Nem Tudo é o que Parece”, “Stardust - O Mistério da Estrela”), baseado nos quadrinhos homônimos de Mark Millar (criador de “Wanted”, que ganhou a adaptação na telona “O Procurado”).
A idéia de transformar em filme seus quadrinhos veio do próprio Millar após a versão para o cinema de “O Procurado”. O escritor procurou um amigo, que por sua vez falou com a mulher, a roteirista Jane Goldman, que acabou contatando Matthew Vaughn. Vaughn não só gostou da idéia, como decidiu produzi-la independentemente, quando viu que nenhuma grande distribuidora estava disposta a arriscar-se com um filme de heróis com crianças de 11 anos disparando armas e palavrões. Passou o chapéu, arrecadou o dinheiro para o filme e, quando tudo estava pronto, saiu atrás de uma grande distribuidora, empreitada que deu certo após Vaughn mostrar o resultado de seu trabalho.
Tudo bem que nem todo mundo lê uma crítica para saber detalhes da pré-produção de um filme. Mas nesse caso havia dois bons motivos para gastar algumas linhas sobre o assunto. O primeiro motivo é elogiar um diretor pela coragem de defender uma idéia. “Nem Tudo é o que Parece”, excelente filme de Vaughn que ainda trazia um talentoso Daniel Craig antes da fama como James Bond, revelou um diretor habilidoso e o levou a dirigir um grande filme para uma distribuidora de peso, assinando a direção e o roteiro de “Stardust - O Mistério da Estrela”. Mesmo com um roteiro baseado em um romance do criativo Neil Gaiman, “Stardust” sofreu com o peso do elenco de estrelas e se tornou outra aventura convencional como tantas por aí. O que me leva ao meu segundo motivo para falar de pré-produção. Atribuo muitas das qualidades de “Kick-Ass” ao fato do filme ter sido produzido independentemente, sem a força de uma grande produtora para suavizar e homogeneizar o resultado. “Kick-Ass” é violento, é sujo e sarcástico porque tinha total liberdade criativa para honrar o material de Mark Millar e a criatividade de Vaughn. Me pergunto até se “O Procurado” não teria sido muito melhor se ao invés de um grande blockbuster com Angelina Jolie, não tivéssemos um filme underground de moral duvidosa.
De volta ao longa em questão, “Kick-Ass” parte do argumento de um garoto sem superpoderes que resolveu combater o crime para mostrar uma realidade bastante dura para garotos de colégio. O mundo do crime é cheio de armas, assassinatos, drogas e muita violência, coisa que o inocente Dave não havia previsto. Mas nas suas primeiras tropeçadas no combate ao crime, ele conhece a dupla Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloe Moretz), que pega pesado no combate ao tráfico de drogas em Nova York, chefiado pelo mafioso Frank D’Amico (Mark Strong). O efeito desses 3 personagens no tráfico da cidade ainda cria mais um herói mascarado: Red Mist (Christopher Mintz-Plasse). Enquanto apanha de todo o submundo de Nova York, Dave acaba atraindo a atenção de sua paixão de colégio, Katie (a belíssima Lindsy Fonseca), que tem uma atração por caras com problemas (e que acha que Dave é gay). Não é preciso muito mais para saber que “Kick-Ass” abusa das referências a quadrinhos e filmes de super-heróis, como na própria chamada do filme: “Sem nenhum poder, não há nenhuma responsabilidade” (clássica referência ao tio de Peter Parker em “Homem-Aranha”, caso você tenha vivido embaixo de uma pedra nos últimos vinte anos). O humor fica por conta principalmente da narração de Dave, que acompanha toda a carreira de super-herói do garoto.
Contando ainda com uma trilha sonora excelente, com direito a trilha de “Por um Punhado de Dólares”, de Ennio Morricone, edição criativa, boas cenas de luta e até uma sequência em animação, “Kick-Ass” é diversão do começo ao fim. Chloe Moretz destaca-se no melhor papel do filme, como a garota de 11 anos com uma palavreado tão afiado quanto suas facas e um arsenal de pistolas digno de um filme de John Woo. Ah... eu mencionei que “Kick-Ass” é absurdamente violento?
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