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Juan dos Mortos
Juan de los Muertos (Cuba/2011)
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O primeiro filme cubano de zumbis. Com esta sinopse, “Juan dos Mortos” conseguiu atrair uma sala cheia de curiosos para a primeira sessão da madrugada no Festival do Rio 2011. Com a presença do diretor do filme, o argentino Alejandro Brugués, o filme que tem co-produção espanhola foi uma grata surpresa logo no começo do festival, arrancando gargalhadas do público, que ao final aplaudia de pé o seu diretor. Mas mesmo sem os exageros dos espectadores de uma sessão com a presença de alguém da produção do filme, “Juan de Los Muertos” é um filme que merece muitos elogios. Juan é um trambiqueiro que vive em um telhado em Havana com seu amigo Lazaro. Os dois vivem de pequenos golpes, juntamente com China, um travesti sempre acompanhado do namorado Primo, e Vladi Califórnia, filho de Lazaro. Apesar da vida de malandro, Juan tenta provar para sua filha Camila que ele é um homem mudado, antes que ela parta novamente e vá morar com a mãe em Miami. Tudo muda quando a cidade de Havana é invadida por um vírus que transforma seus habitantes em zumbis comedores de gente. Enxergando na praga a chance de finalmente mudar de vida, Juan começa um pequeno negócio com seus amigos, com o slogan “Juan dos Mortos, matamos seus entes queridos”. ”Juan dos Mortos” tem uma trama simplista, como a maioria dos filmes de zumbi, ou seja: há zumbis, sobreviva. Porém, o roteiro é recheado de bons momentos cômicos, como na primeira vez que a dupla Juan e Lazaro precisa matar o zumbi de um vizinho, levando-os a utilizarem todo o tipo de arma contra criaturas sobrenaturais que conhecem (alho, estacas, exorcismo...). Outro motivo de risadas no filme é o tratamento da praga zumbi pelo governo cubano, que anuncia para seus habitantes que os mortos-vivos invadindo as ruas são “dissidentes financiados pelo governo americano”, apesar da crítica social não passar daí. O figurino e armamento dos personagens é outro destaque: Juan caça zumbis com um remo (lembrando o taco de críquete de Simon Pegg em “Tá Todo Mundo Quase Morto”) e Lázaro com um arpão, roupa de neoprene e um par de machetes. Seus companheiros são ainda mais criativos na escolha de armas, mas é algo que deixo para os espectadores descobrirem no filme. Também chama a atenção a boa qualidade das cenas de luta com os zumbis. Apesar do teor altamente Trash, “Juan dos Mortos” tem uma produção cuidadosa, com boa maquiagem e cenas bem coreografadas (e hilárias). Alguns efeitos digitais deixam a desejar, mas atribuo essa falha a uma inexperiência da equipe de pós-produção com CGI. Nas cenas utilizando adereços reais, o filme tem boa qualidade. Quem gosta de filmes engraçados com zumbis e se divertiu com o já icônico “Tá Todo Mundo Quase Morto”, vai encontrar em “Juan dos Mortos” um ótimo entretenimento.
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