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Um Ato de Coragem
John Q. (EUA/2001)
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"Até aonde você iria para salvar seu filho?"
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John Qunicy Archibald, casado, pai, operário. Trabalha meio expediente por um salário que mal dá para pagar as contas da casa. Sua mulher, Denise, trabalha em um supermercado e ajuda como pode. A vida é dura para eles, mas eles sobrevivem, e se amam. Com essa trama de novela mexicana, agora é a parte que tudo piora, certo? Quase! O filho do casal, um garoto alegre e simpático, que sonha um dia em ser halterofilista, sofre um desmaio durante um jogo de beisebol. Seu pai o leva até o hospital, onde lhe dão um triste diagnóstico: o garoto vai precisar de um transplante de coração. Pior ainda, o plano de saúde de John não cobre aquele tipo de cirurgia, e ele vai ter que arcar sozinho com os custos da operação (uma modesta quantia de 250 mil dólares). John, desesperado, procura todos os recursos possíveis em busca do dinheiro, desde vender quase toda a casa, até a assistência social e, pior ainda, sofrer a vergonha de aceitar doações na caixinha da igreja. O tempo passa e John não tem mais recursos. Aquela quantia é totalmente inatingível e ele não consegue nem a meta de 75 mil dólares para colocar o filho na lista de receptores de órgãos. O filho está prestes a receber alta, e John não tem mais o que fazer. Só lhe resta uma opção. Com um revólver na cintura ele entra no hospital com um único objetivo, salvar a vida do filho (viu como ainda ficava mais dramático?). Boa parte do filme é centrada em John Q. (o nome como John se identifica para os policiais, e o nome original do filme) mantendo reféns na sala de emergência e discutindo as injustiças da vida. Seus reféns são um grupo de estereótipos com pontos-de-vista fracos e igualmente estereotipados. Vemos desde o cirurgião rico e ganancioso até o negro pobre que apóia a decisão de John. Temos mexicanas gordinhas falando espanhol, um refém chato que ninguém gosta e um médico novato pronto para dizer as “verdades” sobre o sistema de saúde americano. Do lado de fora mais estereótipos: um detetive em fim de carreira para mediar as negociações, um policial arrogante para cometer erros e até um repórter sensacionalista para cobrir o evento. Claro que todos têm seus pequenos dramas particulares que vão sendo resolvidos até o final, que atinge o clichê máximo do gênero: John, vendo que não vão aceitar suas exigências (que o filho seja colocado na lista de doadores), decide dar a própria vida pela do filho. O médico ganancioso se arrepende e resolve fazer a cirurgia, mesmo que aquilo lhe custe a carreira. A dona do hospital, outra gananciosa, também se arrepende e põe o menino na lista. E agora, para o auge, o ápice, aquele que é o mestre de todos os clichês... aparece um doador no exato instante em que John vai se suicidar (estraguei o final? Ainda falta a dúvida se a notícia chega a tempo antes que John ponha uma bala na cabeça). Com uma trama dessas não sobra muito espaço para grandes atuações. Tudo não passa de papéis já explorados até a exaustão por metade dos atores de Hollywood. Mesmo assim Denzel Washington ficou ótimo como John Q. e consegue emocionar o público (essa atuação talvez tenha sido melhor que a sua outra, também no mesmo ano, em “Dia de Treinamento”, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator). Robert Duvall também está com cara de detetive velho e experiente, e os outros atores também estão razoáveis e seguram o tom dramático do filme. Apesar de não termos um roteiro muito original, o filme é bom, é bem emotivo e sabe levar ao público o sofrimento e a indignação que John Q. sente ao tentar enfrentar o sistema. Cuidado para não chorar.
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Gustavo Catão
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes
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"O filme mostra o lado negro dos eua em relação à saúde de sua população, como um país tão rico, que aparenta tantas virtudes, trata com tanta desigualdade e desumanidade seus cidadãos! É um sistema de saúde discriminativo, onde tem o serviço quem pode pagar, e o serviço público nem é capaz defazer um transplante! Até parece coisa de país de 5º mundo! Viva o nosso sistema de saúde, onde os procedimentos de alta complexidade são realizados no serviço público, onde qualquer pessoa para ser atendida não precisa de plano de saúde, embora tenhamos um sistema muito incompetente em vários aspectos, se os governantes roubassem menos poderíamos ter um sistema público até melhor do que esse, com tratamento comum a todos; Ainda assim, somos o 2º país do mundo que faz mais transplantes, e pasmem, no serviço público! Esse filme me fez valorizar mais o sus, só precisamos lutar para que ele funcione realmente! "
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visitante Regina Célia
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