Direção: Steven Spielberg
Roteiro: George Lucas, David Koepp, Philip Kaufman
Elenco: Harrison Ford (Indiana Jones), Jim Broadbent (Dean Charles Stanforth), Cate Blanchett (Irina Spalko), John Hurt (Professor Oxley), Ray Winstone (Mac), Shia LaBeouf (Mutt Williams), Karen Allen (Marion Ravenwood)
Duração: 124 min
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Gênero: Aventura, Ação
Em 1989, “Indiana Jones e a Última Cruzada” fechou de maneira clássica a trilogia do Dr. Jones iniciada oito anos antes. E até o início dos anos 2000, tudo levava a crer que se tratava do último filme do personagem eleito pelo American Film Institute (AFI) como o segundo maior herói da história do cinema. Após Indy e companhia cavalgarem em direção ao pôr-do-sol em “A Última Cruzada”, a equipe do longa se separou e cada um seguiu seu caminho: George Lucas foi cuidar da trilogia final de “Guerra nas Estrelas”; Steven Spielberg focou sua carreira em filmes mais premiáveis (“A Lista de Shindler”, “O Resgate do Soldado Ryan” etc), sem se esquecer, no entanto, do bom e velho cinema pipoca (vide “O Parque dos Dinossauros”); e Harrison Ford foi colher os frutos de ser o maior ícone do cinema dos anos 80, com as trilogias de “Star Wars” e “Indiana Jones”.
Já sem o prestígio de outrora, colhendo fracasso atrás de fracasso (“Revelação”, “Divisão de Homicídios”, “K-19 The Widowmaker” e “Firewall - Segurança em Risco”, para mencionar alguns), coube a Harrison Ford plantar a semente para esta quarta aventura de Indiana. “Harrison me ligou e disse: ‘Por que não fazemos outro
filme desses? Há muitos fãs querendo’”, afirmou Spielberg. “Ele estava obstinado. Ligou para George, que ficou pensando naquilo, e então me ligou e disse: ‘Bem, Steve, o que você quer fazer? Pode ser divertido criar outro filme’.”
“Tive que dar o crédito a Harrison por dar partida a isso e a George por me convencer a considerar a possibilidade de pelo menos mais uma história”, diz Spielberg.
Assim, no ano 2000, Lucas, Spielberg e Ford admitiram pela primeira vez a possibilidade real de um quarto episódio, com a condição de que o roteiro estivesse no mesmo nível dos três primeiros filmes. A partir daí foi uma correria só. M. Night Shyamalan (“O Sexto Sentido”) e Tom Stoppard (“Shakespeare Apaixonado”) foram cotados, mas quem foi contratado para escrever a trama foi Frank Darabont (“Um Sonho de Liberdade”).
A contratação de um roteirista conceituado como Darabont levou os fãs ao êxtase, mas a felicidade durou pouco. Em 2004 veio um balde de água fria, com George Lucas suspendendo o início da produção por não aprovar o roteiro escrito por Frank Darabont. Após uma séria discussão por meio da impressa entre Lucas e Darabont ficou acertado que o segundo estava fora do projeto. Assim, a produção voltou ao ponto inicial e David Koepp, habitual parceiro de Spielberg, foi chamado para concluir o roteiro.
De “A Última Cruzada” até “O Reino da Caveira de Cristal” foram quase 20 anos de espera, período este que agora, felizmente, é recompensado. Spielberg, Lucas e Ford acertaram a mão neste quarto filme, cujo principal mérito é se manter fiel ao espírito dos três primeiros. Mesmo George Lucas, mago dos efeitos visuais e das novidades tecnológicas, aceitou que com Indiana não se brinca. Assim, o filme não foi rodado no formato digital, tão defendido pelo criador de “Star Wars”, e usou o mínimo de CGI (imagem gerada por computador) possível. “Parece que rodamos 3 anos após ‘A Última Cruzada’”, brinca Lucas.
Para justificar os anos a mais de Harrison Ford, os criadores do filme optaram por também envelhecer Indy em 20 anos. Saindo dos anos 30 da trilogia original, a franquia entra agora na década de 50, na qual o vilão é outro. Sai o nazismo e entra o comunismo.
Como Hitler no primeiro e no terceiro episódio, em “O Reino da Caveira de Cristal” é Stalin que tem um interesse especial pelo oculto. Logo no começo do filme somos colocados diante da oficial da KGB Irina Spalko (Cate Blanchett), que captura Indiana e exige que ele encontre um artefato para ela. Sem saber precisamente o que Spalko deseja, nosso herói vai descobrindo ao decorrer da aventura que está diante de algo muito mais sério do que poderia imaginar.
Mesmo conseguindo escapar das mãos dos comunistas e voltar à Universidade Marshall, Dr. Jones descobre que as coisas vão de mal a pior. Além de se preocupar com o interesse soviético sobre seus atos, o herói terá de dar satisfação ao FBI, que quer saber mais sobre seu encontro com Spalko.
Tentando fugir da cidade, Indiana acaba conhecendo o jovem rebelde Mutt (Shia LaBeouf), que pede a ajuda do herói em uma missão com implicações altamente pessoais, lhe dando em troca a possibilidade de fazer uma das maiores descobertas arqueológicas da história – a Caveira de Cristal de Akator. Querendo desaparecer por um tempo, Indy aceita o desafio e parte para a América do Sul em busca do artefato. Após breve passagem pelo Peru, o herói e Mutt acabam por adentrar em território brasileiro, mais precisamente a Amazônia.
Alguns podem até contestar o fato das Cataratas do Iguaçu ficarem na Amazônia ou de existirem formigas gigantes e famintas por aqui, mas isso deve ser relevado. “Indiana Jones” é escapismo em seu sentido mais puro. É entretenimento e deve ser tratado como tal. Da mesma forma que ninguém com um pouquinho mais de inteligência acreditou que na Índia serve-se aos convidados filhotes de cobras vivos ou cérebro de macaco (como na clássica seqüência de “Indiana Jones e o Templo da Perdição”), ninguém irá acreditar que o Brasil é terra de grandes formigas.
“Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” (no original) é imperdível. É um daqueles filmes que nos fazem sentir alguns anos mais jovens. Em determinado momento do longa, Jim Broadbent fala com Jones que havia chegado o momento em que a vida parava de lhes dar coisas e passava a lhes tomar. Mas o filme por si só representa o oposto da frase.
As ausências de Sean Connery (aposentado) e Denholm Elliott (falecido) são sentidas, mas o elenco de “O Reino da Caveira de Cristal” não deixa a desejar. Cate Blanchett está brilhante na pele da oficial soviética que persegue Indy, enquanto LaBeouf está arrebatador, entrando em cena de motocicleta e jaqueta de couro, fazendo um contraponto óbvio à geração de Jones. Karen Allen (repetindo o papel em “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”), John Hurt e Ray Winstone completam o elenco.
Os fãs de Indiana Jones não irão se decepcionar com o filme, que conta com todos os elementos que consagraram a série (a arrogância de Indy, o sucesso com as mulheres, o medo de cobras, etc.), e é bem provável que a franquia conquiste toda uma nova geração de adeptos. Mesmo acostumados com a edição frenética de “O Ultimato Bourne” ou com os efeitos magníficos de “Matrix”, é provável que esta geração se apaixone também pelo arqueólogo mais famoso da história do cinema. Até porque é impossível não se emocionar quando Indiana coloca seu chapéu ao som do estupendo tema criado por John Williams. Não perca!
Curiosidade: o diretor brasileiro Flávio R. Tambellini foi o responsável por coordenar as gravações em Foz do Iguaçu. O cineasta, no entanto, não sabia que as tomadas que realizou nas cataratas seriam para “Indiana Jones 4”, uma vez que Spielberg e Lucas trabalharam duramente para impedir que detalhes da produção vazassem para a impressa. Até mesmo dentre os atores, somente John Hurt, além de Ford, leu o roteiro antes de assinar com a produção. Hurt recebeu em sua casa uma cópia do roteiro levada por um segurança da Lucas Film, incumbido de recolher o roteiro assim que o ator terminasse de ler.