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Dirigindo no Escuro
Hollywood Ending (EUA/2002)
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"Em Hollywood, filmar as cegas pode ser um sucesso..."
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Desde já confesso que sou um grande apreciador dos filmes de Woody Allen. Assim sendo, se você não compartilha dessa minha preferência, acho melhor não ler esta favorável crítica sobre o novo filme de Allen, “Dirigindo no Escuro”, que foi escolhido para abrir o Festival de Cannes deste ano. Assim como acho que não deve gastar seu precioso dinheiro vendo um filme de um diretor/roteirista/ator que você não gosta. Allen é genial. Não direi que este filme também é pois estaria mentindo, mas em se tratando de um longa de Woody isso significa que ele é, pelo menos, muito bom. ”Dirigindo no Escuro” gira em torno de Val Waxman (Allen), um diretor de cinema que fez muito sucesso no passado, mas foi abandonado pelos grandes estúdios por causa de seu temperamento excêntrico. Vendo a carreira de Val no fundo do poço sua ex-esposa, Ellie (Téa Leoni, de “O Articulador”), consegue convencer Hal Jaeger (Treat Williams), seu atual namorado e dono do estúdio Galaxie, a chamar Val para dirigir um grande projeto. Apesar de se ver obrigado a trabalhar com sua ex e com o homem que a roubou dele, Val aceita o trabalho, sabendo que se mal feito poderia custar sua carreira. Acontece que pouco antes de começar a gravar o filme, Waxman desenvolve um tipo de cegueira psicossomática. Mas para não perder essa chance Val, com a ajuda do agente Al (Mark Rydell), esconde sua cegueira e começa a gravar o filme assim mesmo. Quem nunca saiu de um filme dizendo que o diretor devia estar cego quando fez aquilo? O filme é justamente isso, Allen satiriza de forma brilhante o mundo de Hollywood e suas superproduções. Mundo este que o diretor chamou recentemente em entrevista de “analfabetos cinematográficos”. Agora você deve estar se perguntando: como é possível alguém da Confraria, que valoriza tanto este mundo “analfabeto”, gostar deste filme? Pois bem. Não é preciso mais um filme-pipoca, como “Top Gang - Ases Muito Loucos”, “Todo Mundo em Pânico” e “Não é mais um Besteirol Americano” para parodiar este universo de Hollywood que idolatramos. Quando bem feito e de bom gosto, até um filme cult, como este, serve. Resumindo, o filme é muito bom, conta com um delicioso humor e com tiradas divertidíssimas e inteligentes, típicas dos filmes de Woody Allen. Um fato raro nos filmes de Allen e que acontece neste longa é a ausência de um elenco de estrelas. Só Téa Leoni é conhecida (mesmo assim devia mudar sua aparência, está lembrando muito Meg Ryan).
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Lucas Salgado
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