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Hellboy
Hellboy (EUA/2004)
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Seguindo a febre das adaptações de quadrinhos para o cinema, o diretor Guillermo Del Toro, responsável também pela versão cinematográfica de “Blade II”, resolveu trazer às telas um personagem das revistas em quadrinhos um pouco mais obscuro que o habitual: Hellboy. Este estranho herói foi criado por Mike Mignola em 1993 e desde então a editora Dark Horse tem publicado suas histórias, com a série recebendo o nome do protagonista. A história gira em torno de Hellboy, um ser meio homem meio demônio, trazido à Terra durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas procuraram aumentar seu poder através da busca de forças ocultas e estranhas tecnologias. Saindo um pouco da história, essa fixação de Hitler pelo ocultismo já foi explorada várias vezes no cinema, como por exemplo, nos clássicos “Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida” e “Indiana Jones e A Última Cruzada”. Mas voltando a Hellboy: Chefiados pelo ocultista Rasputin, os nazistas criam o projeto Ragnarok, que tenta criar um portal para trazer antigos deuses do caos e da destruição para a Terra (o tradicional plano para destruir o mundo). Mas eles são impedidos pelas forças aliadas e pelo especialista do Bureau de Pesquisa e Defesa do Paranormal, Professor Trevor Bruttenholm, resultando na morte de Rasputin e a chegada de uma criança: Hellboy. Hellboy cresce e integra a equipe do Bureau, defendendo o mundo das forças do mal. Ele é ajudado por Abe Sapiens, um homem anfíbio, e Liz Sherman, uma mulher com poderes de pirocinese. 60 anos após a morte de Rasputin, ele é trazido de volta por seus seguidores para capturar Hellboy e concretizar seu plano de trazer a destruição ao mundo. Apesar das longas explicações, que ficam muito melhores no cinema do que assim em palavras, a trama é simples. O filme economiza nas teorias fantásticas e esbanja efeitos especiais e ação, com o ótimo Ron Perlman batendo e esmagando na pele do vermelhão infernal. Além da acertada escolha de Pearlman para o papel do herói, este também se mantém fiel aos quadrinhos repetindo o mau humor habitual e piadinhas freqüentes do personagem. Do lado dos vilões, o destaque é para o bizarro Kroenen, totalmente assustador (é nesses casos que só mesmo o cinema para dar vida a tamanha aberração). Além de bons efeitos especiais e maquiagem, o filme sai um pouco dos estilos tradicionais utilizados nos cenários e criaturas. Há uma preferência por criaturas mais grotescas e disformes, com muitos olhos e tentáculos (para quem é fã de RPG isso se resume a uma palavra: Cthulhu), e também para coisas com engrenagens e ferragens. Juntando isso tudo, “Hellboy” é uma ótima diversão. Os fãs dos quadrinhos podem se decepcionar com algumas mudanças feitas à história e personagens, incluindo o fato que Rasputin é morto em 1944 ao invés de escapar para o norte onde ele entraria em transe aos pés da estátua de Sadu-Hem, sendo despertado em 1994 por uma expedição comandada por Bruttenholm. Mas isso é para quem acompanha os quadrinhos, enquanto que a maioria do público pode assistir despreocupada a um filme totalmente CAFRI: bonito, divertido e descartável.
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Gustavo Catão
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