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Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2


Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (EUA/2011)

 



Direção: David Yates

Roteiro: Steven Kloves

Baseado na Obra de: J.K. Rowling (Harry Potter e as Relíquias da Morte)

Elenco: Alan Rickman (Severo Snape), Maggie Smith (Minerva McGonagall), Jim Broadbent (Horácio Slughorn), Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione), Rupert Grint (Rony Weasley), Ralph Fiennes (Lorde Voldemort), David Thewlis (Remo Lupin), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), Tom Felton (Draco Malfoy), Jason Isaacs (Lucius Malfoy), Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange)

 

Gênero: Fantasia, Aventura

 

crítica por Gustavo Catão

Os cartazes por toda a cidade, ou melhor, por todo o mundo, não deixam dúvidas: Tudo termina com “Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2”. Ou pelo menos tudo dessa série que capturou a curiosidade e uma legião de fãs por mais de 10 anos nos cinemas. Há algo de muito especial em ver o epílogo de uma história que o público tem acompanhado há tantos anos, vendo seus protagonistas amadurecem e, com eles, a história do mundo mágico em que eles vivem. Por esse aspecto, a saga de Harry Potter se tornou muito mais que uma passageira fantasia com bruxos. Voltada para o público infanto-juvenil, que cresceu junto com o lançamento de cada livro e cada filme, ela se tornou uma jornada sobre a perda da inocência. Seus leitores acompanharam essa história desde o mundo infantil de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, com a alegria e as brincadeiras de criança de seus protagonistas, vivendo com eles as descobertas da adolescência dos 3º e 4º episódios e sentindo também quando a realidade mostrou as caras, transformando os alunos da escola de magias em rebeldes, fugitivos, perseguidos políticos. Para aqueles que começaram a ver os filmes aos dez anos de idade, esse gran finale acontece durante seus vinte ou vinte e poucos anos, idade em que muitos estão passando também por uma espécie de gran finale, quando parece que uma parte de suas histórias acaba e outra esta prestes a começar. “Tudo termina em 15/07/11” é o que dizem os cartazes. Sim, não tenho dúvidas sobre isso.
E para encerrar essa história que gerou tanta expectativa, David Yates foi o escolhido pela Warner Bros. para dirigir essa última parte da franquia. Nada muito surpreendente, já que este dirigiu “Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1”, que cobre a primeira metade do livro em que este último filme é baseado. Mas apesar da divisão ter motivos predominantemente narrativos, ou seja, conseguir incluir a maior parte dos acontecimentos do último livro nos filmes, percebe-se uma clara mudança de tom nesta segunda metade de “Relíquias da Morte”. Não me refiro ao aspecto visual dos filmes. As cenas escuras do primeiro filme continuam sendo a regra para esta segunda parte, ressaltadas apenas por um totalmente desnecessário 3D. Claro que o objetivo do 3D não era tornar um filme já escuro em algo ainda mais escuro, mas o uso da técnica apenas por sua novidade, explorada em raras e exageradas cenas acaba resultando numa perda de brilho e contraste do filme e confirma a tendência de muitos cineastas em tratar o 3D como uma curiosidade (que rende ingressos mais caros nas bilheterias), mas se limitando à sua aplicação na fase de pós-produção da película. Porém, a mudança de tom na segunda parte se refere à forma como a narrativa é conduzida. Se na primeira parte tínhamos um sentimento de fuga, nesta temos um sentimento de enfrentamento. Cada cena empurra o filme para o inevitável duelo entre Harry Potter e Voldemort. E a ação acompanha esta crescente expectativa, utilizando de uma montagem mais rápida e agressiva à medida que o filme se aproxima do seu aguardado clímax. Até os bons efeitos visuais parecem ganhar dimensão à medida que o fim se aproxima. Tudo bem que a própria trama leva a uma escalada na ação ao final do filme, mas David Yates soube jogar com a tensão do espectador ao longo da projeção. Por exemplo, esse acúmulo de tensão leva a uma das melhores cenas do filme, quando Nagini, a cobra de Voldemort, ataca uma vítima na casa de barcos da escola. Uma cena simples, direta, com áudio seco. Mas muito, muito assustadora.
Para aqueles curiosos com a trama desta última parte de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, lembro que tudo o que deve acontecer aqui é apenas direta consequência dos eventos da primeira parte. Harry, Herminone e Ron continuam sua busca pelas horcruxes, objetos que Voldemort encantou com partes de sua alma, impedindo-o de ser morto. Suas buscas os levarão de volta à Gringotes, o banco dos duendes, e também à Hogwarts, onde Snape é agora diretor. Tudo isso enquanto Voldemort, agora mais poderoso por ter encontrado a “varinha das varinhas”, continua procurando Harry Potter. Com essa trama, cai novamente sobre os ombros de Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint a tarefa de carregar a ação por boa parte do filme. Tarefa que os três cumprem com a competência e segurança que adquiriram ao longo desses mais de 10 anos nos papéis que definiram suas carreiras. Figuras que foram destaque nos outros filmes, como os membros da Ordem da Fênix, a Professora McGonagall (Maggie Smith) ou até mesmo Snape (Alan Rickman), Draco Malfoy (Tom Felton) e Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter) são coadjuvantes, com boas atuações, porém curtas. Quem acaba recebendo um merecido destaque é Voldemort, interpretado pelo excelente Ralph Fiennes, que sabe aproveitar suas cenas para caracterizar o desespero crescente de seu personagem. Novamente, desespero que também cresce e se acumula à medida que o duelo se aproxima, até que... bom, não vou estragar o final apoteótico!
Não posso deixar de comentar a última cena de “Harry Potter 7”, inclusive por ela casar tão bem com a analogia entre o crescimento de seus protagonistas e de seus leitores. Ela se passa 19 anos após os acontecimentos do filme, quando aqueles que sobrevivem aos eventos (e não vou dizer quem são), levam seus filhos à estação de trem, embarcando-os para seus primeiros anos na escola de magia. A cena marca o fechamento de um ciclo, quando os heróis se tornam adultos e veem seus filhos começarem suas próprias aventuras. A cena também dá um agradável sentimento de fechamento, acordando os leitores, hoje jovens adultos, de volta para o mundo real. Até quando seus filhos tiverem idade para ler e assistir “Harry Potter”. E a magia recomeçar.

crítica por Daniel Medeiros

crítica por Clênio Viégas

 

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