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Assombração
Gwai wik (China/2006)
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"Como fugir de um pesadelo criado por você mesmo?"
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Chu Xun é uma escritora de sucesso e seu último best-seller acaba de se tornar filme. Pressionada por seu editor, que já anunciou publicamente que seu próximo livro irá se chamar “Assombração” e tratar do mundo sobrenatural, ela tenta encontrar inspiração. Sua atenção é dividida entre o trabalho, o ex-namorado que voltou após 8 anos e estranhas aparições em seu apartamento, que parecem coincidir com os acontecimentos em seu novo livro. Até aí, a trama parece seguir um terror oriental convencional, com direito ao batido espírito feminino com longos cabelos negros cobrindo o rosto e cenas de suspense que por algum motivo cultural sempre envolvem água. Mas a história que até aí tem tudo de convencional dá uma guinada quando a escritora, durante uma de suas experiências sobrenaturais, sai de seu apartamento e chega a uma rua devasta rodeada de prédios em ruínas. Desorientada e cercada por estranhas aparições, ela inicia uma fuga desesperada por um território completamente surreal. É interessante ver no cinema uma trama normalmente desenvolvida em animações. Apesar do terror ainda ser o elemento principal do filme, em alguns momentos o mundo espiritual em que a personagem penetra parece, às vezes, mais a história de “Alice no País das Maravilhas” do que um filme de fantasmas oriental. Com uma dose menor de terror essa seria uma história perfeita, por exemplo, para um anime japonês. Mas “Assombração”, longa-metragem dos irmãos Pang (Danny Pang e Oxide Pang Chun, diretores de “Visões”), mescla terror e fantasia numa trama pra lá de confusa. O roteiro peca por reunir elementos tão dissonantes que chegam a quebrar o ritmo da história, alternando entre um drama pessoal pouco desenvolvido e explicações malucas sobre o mundo em que a protagonista se perde. Enquanto “Assombração” perde pontos com o roteiro, que não se decide entre a fantasia, o drama e o terror, ele ganha pontos com sua protagonista e em quesitos técnicos. Angelica Lee, atriz que em 2001 recebeu no Festival Internacional de Berlim o prêmio de novo talento, é praticamente a única personagem do filme e faz sua parte muito bem (mesmo que isso se resuma a fazer cara de medo). A direção de arte também ganha muitos pontos com o tal mundo espiritual. Bastante original, ele lembra vagamente produções alternativas como o americano “Cidade das Sombras”. A fotografia também é feita com grande competência, alternando cores freqüentemente e abusando das mudanças de ângulo. O mais importante sobre “Assombração” é o fato que este não é um filme de terror convencional. Não espere por um “Espíritos – A Morte Está ao seu Lado” ou mesmo um “Visões”. Assista disposto a ser confundido e não se ofenda quando um grande cavalo de brinquedo entrar em cena. Ou simplesmente prefira algo mais convencional.
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Gustavo Catão
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