[Escolha sua cidade] Brasil, 21 de novembro de 2008
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A Pele
Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus (EUA/2006)

Direção: Steven Shainberg

Roteiro: Erin Cressida Wilson

Elenco: Nicole Kidman (Diane Arbus), Robert Downey Jr. (Lionel Sweeney), Ty Burrell (Allan Arbus), Harris Yulin (David Nemerov), Jane Alexander (Gertrude Nemerov), Emmy Clarke (Grace Arbus), Genevieve McCarthy (Sophie Arbus), Boris McGiver (Jack Henry), Emily Bergl (Alicia)

[Veja os participantes de "A Pele"]

Duração: 120 min.

Gênero: Drama

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“Um Retrato Imaginário de Diane Arbus”... hum, imaginário. Mas o quê é uma biografia imaginária? Com certeza, o filme do diretor Steven Shainberg não é tremendamente informativo sobre quem foi essa fotógrafa norte-americana tão renomada. Afinal, quem se dispõe a assistir “A Pele” provavelmente já sabe que Diane Arbus trabalhava com o marido Allan Arbus nos anos 50 fazendo fotografias para revistas e campanhas publicitárias, mas depois de se separarem a fotógrafa se dedicou à produção artística, concentrando-se na fotografia de pessoas marginalizadas, em especial aquelas que fugiam ao parâmetro de beleza imposto pela fotografia da época (anões, travestis, doentes mentais...). E devo dizer que nem isso fica totalmente explicado no filme.
Então sobre o que são os 120 minutos de “A Pele”? A perspectiva aqui é a exploração da temática do trabalho de Diane Arbus. Personagens fictícios são apresentados de forma a introduzir na vida da dona de casa americana os elementos que seriam inspiração à sua fotografia, colocando literalmente em sua cabeça (o vizinho do andar de cima) um homem que sofre de uma deformação que o mantém marginalizado. Esse homem, Lionell (interpretado por Robert Downey Jr.), vive isolado em seu apartamento, saindo em público apenas com uma máscara, o quê atrai imediatamente a curiosidade da reprimida Diane (Nicole Kidman). A insatisfação de Diane no trabalho faz com que seu marido, Allan (Ty Burrell), encoraje a esposa a procurar novos temas de fotografia, e ela rapidamente se envolve com o misterioso homem do andar de cima. Os dois desenvolvem uma relação de mentor e discípula, em que Lionell apresenta a Diane todo um mundo à beira da sociedade, revelando a humanidade e a beleza por trás desses proscritos. As novas amizades de Diane acabam por separá-la de sua família, que não se sente à vontade perto de pessoas tão estranhas, principalmente afetando seu casamento.
O filme é esteticamente interessante, trabalhando muito com os figurinos e as cores dos cenários. Digo interessante porque a isso se limita este “A Pele”: um trabalho original, bem atuado, mas de forma alguma espetacular. Um inesperado conservadorismo permeia o filme, sempre contornando o que poderia ser realmente espinhoso ou desagradável. Infelizmente, o medo de se arriscar no mundo do bizarro também faz de “A Pele” um filme com medo de sua identidade.
Aqui faço um adendo que pode não ser bem-vindo por quem não assistiu o filme. Adotar uma visão imaginária sobre o início da carreira de Diane Arbus é criativo mas, na minha opinião, um pouco injusto. A verdadeira mentora de Diane Arbus foi a fotógrafa Lisette Model, e não um homem deformado. Enquanto na vida real Lisette ajudou Diane a desenvolver sua técnica como artista, Lionell é a imagem do bizarro que é base para a fotografia de Diane. No mundo real temos uma mulher envolvida em um mundo preso a parâmetros de beleza conservadores, que para ela não são a representação da realidade. É Diane quem questiona esses valores e procura retratar um "outro" mundo. No filme essa fuga aos padrões fica nas mãos de Lionell, que guia a curiosidade de Diane através de sua realidade marginal. Essa posição de passividade da artista é intensificada pelo trabalho fotográfico da personagem de Kidman ao longo do filme. Todas as fotos tiradas pela dona de casa são da escada que leva de sua casa para a de Lionell, significando que Lionell seria o caminho para a produção artística de Diane. Não é mais o fotógrafo, e sim o fotografado, quem busca a fuga do lugar comum.
Trailer de A Pele Idioma: Inglês/Sem Legendas
Assista ao vídeo no formato: Médio : Grande Fonte: Apple Movies
Imagens de "A Pele"
A Pele A Pele
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes

"O filme desperdiça a oportunidade singular de apresentar uma biografia mais consistente, original e verdadeira da fotógrafa Diane Arbus. A história é mal estruturada - embora a intenção seja sincera - e superficial. Nicole Kidman sussurra durante todo o filme, com medo de sua própria atuação. A transição de Diane é mal explicada, assim como sua atitude em relação a toda opressão que sente. Por outro lado, como é possível uma moça tão reprimida e subserviente tornar-se amante do vizinho e esquecer a própria família? Já Robert Dawney está maravilhoso, como sempre. Seus olhos, mãos e sua voz (não é à toa que ele tornou-se um cantor de voz sexy e arrebatadora) são fundamentais para o desenrolar da paixão e confusão de Arbus, assim como outros sentimentos desvelados no filme. Seu olhar na foto de Diane é comovente, sutil e avassalador. O filme não decola, mas Robert Downey está convincente e sedutor no seu papel, apesar da bizarrice do seu personagem. "

visitante Katia Chavarry
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