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Exorcista: O Início
Exorcist: The Beginning (EUA/2004)
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"De volta ao lugar onde tudo começou"
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Este quarto capítulo da franquia iniciada em 1973 com o excepcional “O Exorcista” passou por inúmeras dificuldades antes de chegar aos cinemas. Para se ter uma idéia, o longa passou pelas mãos de três diretores. Inicialmente, o diretor era John Frankenheimer, que acabou sendo afastado por problemas de saúde – vindo a falecer um mês após. Com isso a direção passou para Paul Schrader (roteirista de “Taxi Driver” e “Touro Indomável”, ambos de Martin Scorsese). Com essa primeira troca, o filme perdeu Liam Neeson (“Simplesmente Amor”), que foi substituído pelo não menos talentoso Stellan Skarsgard (“Dogville” e “Rei Arthur”) no papel do Padre Merrin.
Tudo ia bem sob a direção de Schrader até o momento em que ele foi apresentar o filme para os executivos da Morgan Creek. O presidente do estúdio, James Robinson, não gostou nada do que viu e acabou demitindo o diretor. Segundo Robinson, o cineasta fez um tipo de suspense psicológico enquanto o estúdio desejava um filme de terror. Com a saída de Paul Schrader, Renny Harlin (“A Hora do Pesadelo 4” e “Duro de Matar 2”) assumiu a responsabilidade e refilmou 90% do filme, além de apagar dois personagens.
Com tantos problemas e ao custo total de quase US$ 90 milhões a pergunta que vem a cabeça é a seguinte: por que eles levaram este projeto até o fim? A resposta é bem fácil: dinheiro. Mesmo com tudo isso o filme estreou em primeiro nos Estados Unidos e fez um sucesso relativo por lá.
Mas só tem um problema, que Hollywood nunca vai compreender, dinheiro não deveria influenciar tanto quando se trata de um clássico como foi o primeiro “O Exorcista”. Este filme tem muito pouco do primeiro. Enquanto no longa de 1973 havia um clima de certa forma minimalista, passado dentro de um quarto e com um trilha sonora simples, mas aterrorizante, neste não é bem assim. Aqui encontramos grandes cenários, uma trilha sonora que parece querer criar impacto, uma cena de batalha e um ambiente relativamente claro em comparação com o primeiro. Mas aí entra naquilo que estava tratando acima, a questão do dinheiro. Este “Exorcista: O Início” poderia receber o nome de “O Demônio” ou “Lúcifer”, qualquer coisa, mas aí não entraria na franquia e perderia alguns milhões nas bilheterias.
Em “O Exorcista”, o Padre Merrin, vivido por Max von Sidow, menciona que já teria tido um encontro com o demônio em sua juventude, e é justamente este encontro que “O Início” visa mostrar. Após abandonar a batina devido às atrocidades que viu na Segunda Guerra Mundial, Merrin é chamado para investigar uma igreja, que foi encontrada soterrada num deserto na região de Turkana, no Quênia. Lá, o padre descobre que um mistério muito maior atinge a região.
Como a definição de terror está meio adulterada nos dias de hoje acho que boa parte do publico deve apreciar “Exorcista: O Início”, mas confesso que eu não o fiz. Recomendo que passe na locadora e alugue “O Exorcista” ao invés de assistir este. Mesmo que já tenha conferido o primeiro você vai se assustar mais de que em “O Início”, em que os sustos são extremamente previsíveis. Dentre um mar de erros, Stellan Skarsgard merece aplausos por sua interpretação como Padre Merrin, ele carrega o filme nas costas. Pena que o roteiro seja tão ruim.
Também merece destaque a decisão da Morgan Creek em lançar um DVD com os dois filmes feitos, o de Paul Schrader e o de Renny Harlin, pois é bem capaz do suspense psicológico de Paul ser bem melhor dos que este terror forçado de Renny. Mas isso só iremos descobrir quando o DVD for lançado.
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Lucas Salgado
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