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Erin Brockovich Uma Mulher de Talento
Erin Brockovich (EUA/2000)
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"Ela colocou uma cidade a seus pés e uma grande companhia de joelhos"
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"Eu quero um Conto de Fadas". Provavelmente Julia Roberts nem imaginava que, dizendo esta frase, estaria entrando para a seleta lista das maiores estrelas do cinema e, simultaneamente, transformando o filme "Uma Linda Mulher" na mais bem sucedida comédia romântica de todos os tempos. Mas, se por um lado o filme lançou sua carreira ao estrelato e lhe abriu inúmeras portas, por outro, a estrela teve que carregar um fardo pesado: seria, para sempre, a eterna Cinderela de Hollywood. Exagero? Então faça um teste: desligue o seu computador e junte todas as revistas velhas da sua casa. Depois procure qualquer matéria sobre Julia Roberts e ...BINGO! Com certeza, todas elas estarão se referindo a atriz como "uma linda mulher". Já virou clichê, mas continua: Mesmo após vários anos do sucesso estrondoso do filme, ela ainda é, no imaginário do público, aquela prostituta bela, doce e meiga, que se encantou por um ricaço nova iorquino. E a cada novo filme que faz, ela carrega consigo este estigma. Por mais diferentes que sejam os seus personagens, eles sempre terão aquela alma doce da Namoradinha da América. Mas finalmente, chegou a exceção: Erin Brockovich, uma ex-miss Wichita, duas vezes divorciada, mãe de três filhos pequenos, desempregada e lotada de contas para pagar. A pobrezinha sai de sua última entrevista de emprego, recebe uma nova multa de trânsito, quebra a unha e, para piorar, bate o carro, assumindo uma dívida de 17 mil dólares e uma luxação no pescoço. Se você acha que não tem como ficar pior, prepare-se: mesmo não tendo culpa no acidente, ela perde uma ação e os responsáveis pela batida acabam se safando do caso, sobrando para Erin a tarefa de pagar o advogado e o conserto do automóvel sozinha. Fora isso, sua casa está sempre suja e repleta de insetos asquerosos e ela, sempre sem paciência, usa um vocabulário não muito apropriado, assim como suas roupas, ousadas e coloridas. Mesmo assim, ela enfrenta os preconceitos, arranja um emprego, um novo namorado, descobre que uma empresa (A PG&E, que existe até hoje) está poluindo um lençol d'água de uma pequena cidade e causando câncer à população e move uma ação civil sem precedentes na história dos EUA, conseguindo o absurdo de 333 milhões de dólares de indenização para as vítimas da comunidade. Ou seja, definitivamente, Erin Brockovich em nada lembra os doces personagens românticos da carreira de Julia Roberts. E , por isso mesmo, o filme é tão legal. Dirigido pelo veterano dos filmes independentes Steven Soderbergh ( de "Sexo, Mentiras e Videotape"), "Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento", em muito lembra o drama "A Qualquer Preço", estrelado por Jonh Travolta no ano de 99 e também baseado em uma história real. Mas, ao invés de contar o caso de um jeito pretensamente sério (e chato), o diretor abusa do humor sarcástico e corrosivo para criar um retrato, não das injustiças de um país, mas da determinação de uma mulher comum. Com cenas e diálogos inspirados, o filme se tornou o primeiro do ano 2000 a faturar mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias americanas. E merecidamente. A produção, ao contrário de outras do gênero, não é um "filme de tribunal", repleto de discursos inflados, de advogados sentimentais e réus indefesos. Até mesmo em sua resolução final, "Erin Brockovich" não apela para as costumeiras cenas na corte, onde um júri decide o veredicto, mas opta por um clímax realmente original, emocionante e sem pieguice. Mas toda a força do filme não seria captada se a personagem principal não fosse bem realizada. E é aí que entra Julia Roberts. Esta estrela de Hollywood é um capítulo a parte na trama de "Erin Brockovich". Ganhando o recorde de 20 milhões por filme, ela encheu cada polegada de celulóide com sua deslumbrante presença, com uma interpretação inspirada, divertida e comovente, sem dúvida uma das melhores de sua carreira. Com uma caracterização de personagem impressionante, ela prova por que mereceu cada centavo empregado para pagar seu altíssimo cachê. Com um misto de força, ira e fragilidade, a atriz convence o público esbanjando uma sensualidade provocante e ingênua, valorizando (com os figurinos ousados) ainda mais o belo corpo da atriz. Sua química com o ator inglês Albert Finney (que interpreta o patrão de Erin) é excelente. Todos esses fatores juntos contribuíram para render a Julia Roberts seu primeiro Oscar. Mas isso é o que menos importa: "Erin Brockovich", afinal, é apenas um grande filme de entretenimento que ficará na memória do público por tratar, com absoluta sinceridade e simplicidade, o cotidiano da vida de uma mulher que ajudou a escrever a história. Simples, cheia de dificuldades, querendo fazer a coisa certa e com um grande medo de errar. Erin Brockovich é assim. E não somos todos?
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Plínio Meirelles
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes
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"Amei o filme. Muito autêntico, bem dirigido e.... Ótimo! "
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visitante Thata
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