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Querida Wendy
Dear Wendy (Dinamarca/2005)
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“Querida Wendy” é a primeira colaboração no cinema entre os dois fundadores do movimento “Dogma 95”, Thomas Vinterberg e Lars von Trier. Inicialmente, o longa seria dirigido por von Trier, mas como ele abandonou a direção para se dedicar à “Manderlay” (segundo capítulo de sua trilogia sobre os EUA), a mesma acabou caindo nas mãos de Vinterberg, do ótimo “Festa de Família”. Assim, o diretor de “Dançando no Escuro” ficou apenas com o roteiro do filme.
O longa traz a história do jovem Dick (Jamie Bell, de “Billy Elliot”), um habitante da pequena cidade americana de Estherslope que se fascina por uma pequena arma de fogo descoberta por acaso num bazar. Ele compra a pistola, à qual dá o nome de Wendy, e convence outros “perdedores”, como ele, a fundar um clube secreto baseado nos princípios do pacifismo e da posse de armas (!!!). Apesar de convictos em relação a mais importante norma do clube (“Nunca saque sua pistola”), os membros do mesmo logo se deparam com uma situação em que as regras parecem existir somente para não serem cumpridas.
A premissa inicial de “arma como objeto de auto-afirmação” é interessante, mas a moral da história de que “violência gera violência” é algo tão evidente e tão batido que o filme perde um pouco de sua força. Tudo bem que o objetivo era específico de criar um manifesto anti-belicista criticando a sociedade americana, mas observado o sentido amplo do projeto, nota-se que nada de novo foi dito. Se for para ver uma crítica a postura dos EUA em relação às armas é melhor ver “Tiros em Columbine”, de Michael Moore. Apesar disso, “Dear Wendy” (no original) é um filme interessante e merece ser conferido.
Mesmo com a moral da história sendo batida, toda a análise de vida feita por Vinterberg e von Trier até chegar na mesma já vale o ingresso. Os dois trabalham de forma brilhante ao analisar o comportamento humano perante situações de confronto e submissão. Criam ainda um paralelo com a sensação de poder gerado pelo porte de arma.
Thomas Vinterberg se recupera aqui de sua bola fora “Dogma do Amor”, criando um filme que pode ser considerado uma mistura de “Clube da Luta” com os “westerns spaghetti” de Sergio Leone. O filme também lembra muito “Dogville”, inclusive a cidade Estherslope é muito parecida com a cidade-título do filme de 2003.
O filme possui uma direção de arte espetacular, além de uma ótima trilha sonora embalada pelos Zombies. Bill Pullman, Michael Angarano, Danso Gordon, Novella Nelson, Mark Webber, Alison Pill e Chris Owen completam o elenco.
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Lucas Salgado
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