|
|
 |
 |
 |
 |
|
|
|
|
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
 |
Água Negra
Dark Water (EUA/2005)
|
 |
 |
|
|
 |
|
"Água negra esconde segredos ainda mais obscuros"
|
 |
Antes de começar a analisar o filme vou falar de algo que aconteceu comigo quando fui conferi-lo. Chegando ao cinema comecei a reparar que a grande maioria das pessoas que estavam na fila para comprar ingressos eram senhoras idosas, com comentários do tipo: “estou muito curiosa para ver o novo filme do Waltinho”. No mesmo momento pensei: “isso não vai dar certo”. Quando o filme terminou fiz questão de prestar atenção no que aquelas senhoras tinham achado do longa. A cara de todas, é claro, era de espanto. Não porque o filme seja ruim ou assustador demais, mas porque aquilo era justamente tudo o que aquelas pessoas não esperavam ver. O mais autoral dos cineastas brasileiros, e conhecido mundialmente por isso, tinha acabado de realizar “mais um terror hollywoodiano”. É claro que como sendo um grande diretor, Salles faz um bom trabalho, mas não confira se sua vontade seja de assistir à um “filme de Walter Salles”. Não se trata de um projeto autoral. O que menos importa em um remake de um terror japonês é o diretor. Alguém se lembra do diretor de “O Chamado”? E o de “O Grito”? Eu não lembro!
“Água Negra” era para ser um filme independente bancado por fundos europeus. Mas como este dinheiro não saiu, a produção acabou caindo nas mãos da Touchstone Pictures, estúdio que até então iria só distribuir o longa. Existem boatos de que o diretor de “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta” não teria gostado nada de trabalhar com um grande estúdio de Hollywood, tendo em vista que este teria interferido na narrativa do filme, pois mudanças no roteiro aconteciam a cada nova montagem. Corre também a notícia de que Salles não teria apreciado o corte final do longa, o qual ele mesmo já declarou que ficou sob responsabilidade do estúdio.
O filme é uma versão para o cinema americano do horror nipônico “Honogurai mizu no soko kara”, de Hideo Nakata. A trama gira em torno de Dahlia (Jennifer Connelly), uma jovem que se separou recentemente e está tentando recomeçar a vida. O primeiro passo para isso é encontrar um novo apartamento, onde poderá se dedicar a cuidar da filha Ceci (Ariel Gade). Acontece que o pai da menina também deseja participar do crescimento da mesma e para isso dará início a uma batalha pela custódia da criança. Se isso já não era ruim o suficiente, o apartamento para o qual elas se mudaram tem uma série de excentricidades.
Com uma competente edição de Daniel Rezende (“Cidade de Deus”) e uma talentosíssima direção de fotografia do carioca Affonso Beato (“Tudo Sobre minha Mãe”), “Água Negra” erra ao se distanciar muito do que era o melhor do longa original, a sensação absoluta de medo e perturbação que ele proporcionava, e acaba caindo na já clichê, nessas adaptações, “crise da família desfeita”. Mas também não se pode negar que o longa de Walter Salles possui alguns bons acertos, como a opção por apresentar poucos sustos, o que acaba criando um clima permanente de tensão na trama. Outro fato que contribui para a qualidade do longa são seus atores. Waltinho teve a felicidade de, em seu primeiro filme em língua inglesa, contar com atores do primeiro escalão do cinema norte-americano, como: Jennifer Connelly, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por “Uma Mente Brilhante”; John C. Reilly, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Chicago”; Tim Roth, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Rob Roy - A Saga de uma Paixão”; Pete Postlethwaite indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Em Nome do Pai”; e Dougray Scott, de “O Retorno do Talentoso Ripley”.
|
|
Lucas Salgado
|
 |
|
|
 |
|
|
 |
|
|
 |
|
|
 |
|
 |
|
|
|
|

|
 |
 |
 |

|
|
|
|