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A Luta Pela Esperança
Cinderella Man (EUA/2005)
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"Quando a América estava de joelhos, ele nos reergueu."
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Não se pode negar que o esporte que mais contribuiu para o cinema foi o boxe, talvez por deixar tão explícita a luta entre duas pessoas por um objetivo final, ou por permitir que os personagens literalmente derramem seu sangue pela consagração. “Rocky, um Lutador”, “Touro Indomável”, “Ali”, “Menina de Ouro”, são inúmeros títulos que mereceriam um gênero próprio; “Dramas de Boxe”. Este “A Luta Pela Esperança” não é diferente, o filme retrata a vida de James J. Braddock, um boxeador que caiu nas graças do público ao ressurgir do esquecimento para uma seqüência de lutas rumo ao título.
O longa começa em 1928 mostrando Braddock (Russell Crowe) no auge de sua carreira de vitórias se tornando um sério candidato ao título mundial. Então, o filme pula para 1933, e Jim Braddock, após uma série de derrotas, havia se tornado um lutador medíocre que perdeu tudo o que tinha na crise de 29. Enquanto faz bicos como estivador, Jim luta contra a miséria para conseguir alimentar a mulher Mae (Renée Zellweger) e seus três filhos. É quando seu treinador e empresário Joe Gould (Paul Giamatti) consegue uma última luta para Braddock contra o segundo melhor do mundo. Esta luta se torna a última esperança de Jim se reerguer no boxe e trazer sustento para sua família. O lutador conquista a simpatia do povo, que também sofre as conseqüências da depressão, se tornando uma esperança em meio à miséria e ao caos econômico.
Contando com uma direção competente de Ron Howard (que já havia trabalhado com Crowe em “Uma Mente Brilhante”) e uma das atuações mais apagadas da carreira de Renée Zellweger, o filme cai em um roteiro previsível, marcado, com personagens estereotipados e alguns diálogos difíceis de engolir. Tudo certo para “A Luta Pela Esperança” se tornar um filme mediano, dentre os muitos clássicos filmes de boxe, se não fosse por um detalhe: James J. Braddock é Russell Crowe! O oscarizado ator neozelandês dá vida ao boxeador com suor, sangue e lágrimas; conquistando a platéia a cada cena, transformando um personagem de falas surreais em algo tão real que o próprio Akiva Goldsman não acreditaria que o seu roteiro sistêmico fosse permitir. Juntamente com o brilho de Crowe, que provou ser capaz de ir de um gênio da matemática até uma pessoa capaz de usar a cabeça como saco de pancadas, está o excelente Paul Giamatti (“Sideways - Entre Umas e Outras”) vivendo seu insistente empresário. Juntos, uma fantástica química treinador-boxeador, eleva o filme a um lugar ao sol entre clássicos como “Rocky”.
Outro ponto alto são as lutas. Vários efeitos de câmera e um uso esperto do ponto de vista em primeira pessoa, transportam o espectador para dentro do ringe, fazendo-o sentir cada golpe e o suor das lutas respingar na platéia. Pela experiência de Ron Howard, isso já era esperado.
“A Luta Pela Esperança” possui todos os elementos dramáticos para estar entre os candidatos ao Oscar deste ano, mas infelizmente comete um erro muito grave para um filme sério baseado em fatos reais: Seu nome é Max Baer, o boxeador que enfrenta Braddock na luta pelo título. Na vida real, Baer iniciou sua carreira no boxe e tamanha era sua força que acabou matando um de seus oponentes no ringe logo no primeiro ano lutando como profissional. Após o incidente, Baer largou o boxe e se recusava a lutar com medo de machucar os adversários. Mesmo traumatizado, voltou aos ringes e acabou chegando ao título mundial. O boxeador sempre deu todo o apoio financeiro à família do lutador morto, era considerado uma pessoa boa, educada e solidária no mundo do boxe. Seu filho declarou que até o fim de sua vida Baer sofria com os pesadelos do incidente. No filme, Baer é interpretado por Craig Bierko e assume a forma de um monstro debochado que, com uma prostituta em cada perna, zomba e ameaça seus adversários. Para reforçar o estereotipo de vilão implacável, é dito que ele havia matado dois lutadores no ringe, sendo que na verdade foi apenas um. Infelizmente este papel não é justo com o verdadeiro Baer que passa longe do que vemos nas telas. Além de ser um erro muito grave para um filme que se apresenta de forma tão séria, é desnecessário, já que Braddock na pele de Crowe é cativante o suficiente para não precisar de um vilão para torcermos por ele.
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Celso Alves
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