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Cidade Baixa
Cidade Baixa (Brasil/2005)
crítica por Lucas Salgado
“Cidade Baixa” marca a estréia em longas-metragens de ficção de Sérgio Machado, que dirigiu o premiado documentário “Onde a Terra Acaba” e foi assistente de direção de diversos filmes de Walter Salles, como “Central do Brasil”, “O Primeiro Dia” e “Abril Despedaçado”, sendo que neste último acumulou a função de roteirista. É dele também o roteiro de “Madame Satã”, de Karim Ainouz (co-roteirista de “Cidade Baixa”). Após escrever o roteiro de “Madame Satã”, Machado “entrou de cabeça” no projeto de “Cidade Baixa”, que levou três anos para ser realizado.
Produzido por Walter Salles e Maurício Andrade Ramos, “Cidade Baixa” foi talvez o filme nacional mais aguardado de 2005. Após uma badalada exibição no Festival de Cinema de Cannes, de onde saiu com o Prêmio da Juventude, o filme gerou uma expectativa enorme entre os brasileiros. No Festival do Rio o longa foi sem sombra de dúvida o mais badalado da Première Brasil (mostra competitiva de filmes nacionais). Para se ter uma noção, a sessão para convidados estava tão cheia que a organização do evento teve que providenciar uma sessão extra do filme, que começou pouco depois do término da primeira sessão. Era tanta, mais tanta badalação que o diretor Sérgio Machado confidenciou à Confraria que estava mais nervoso do que quando exibiu o filme em Cannes. Como era de se esperar, “Cidade Baixa” foi o principal vencedor do festival carioca, saindo do evento com os prêmios de Melhor Filme segundo o júri oficial e Melhor Atriz, para a belíssima Alice Braga (“Cidade de Deus”).
O longa, que teve apoio do Governo da Bahia, teve sua equipe composta quase que completamente por baianos. Além do diretor, os protagonistas Lázaro Ramos e Wagner Moura também nasceram na Bahia. As exceções são Alice Braga, que é paulista, e o paraibano José Dumont, que foi ovacionado antes da exibição do longa no Rio de Janeiro.
Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos. Ganham a vida juntos fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo do barco a motor que eles têm em parceria. A trama começa quando os dois amigos oferecem carona para Karinna (Alice Braga), uma stripper que quer arranjar trabalho em Salvador. Após se envolverem numa confusão na cidade de Cachoerinha os três acabam fugindo para a capital baiana. Lá, à medida que a história avança, cresce a atração entre Deco, Naldinho e Karinna, e eles se deparam com a possibilidade de uma vida a três, mas o desejo logo se transforma em obsessão.
Produzido pela VideoFilmes, “Cidade Baixa” é um filme de atores, sua trama necessitava de boas atuações. Mas teve muito mais que isso, as atuações aqui são brilhantes. O motivo para isso, além do talento já conhecido de cada ator, é a presença da preparadora de elenco Fátima Toledo, conhecida por seu trabalho em filmes como “Pixote”, de Hector Babenco, “Central do Brasil”, de Waltinho, e “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. Por causa dela, há hoje no cinema brasileiro um considerável aumento da qualidade da interpretação. Fátima é ótima na preparação de atores jovens e na integração de elencos formados por profissionais e não profissionais.
“Cidade Baixa” é mesmo um filme maravilhoso. Com excelente atuações e uma direção competentíssima, o longa é denso, conta com cenas fortes que podem até chocar o grande público e dar vós àqueles que dizem o cinema nacional é só... digamos... sem-vergonhice (utilizando-se da menos chula das palavras pensadas). Tudo bem, que de fato as produções nacionais, principalmente, dos anos 80 visam pouca coisa além de mostrar cenas de sexo. Mas “Cidade Baixa” não pode, nem deve, ser acusado disso.
Em seu sétimo filme juntos a dupla Lázaro Ramos e Wagner Moura demonstra no filme de Machado que de fato são os melhores atores desta nova geração do cinema nacional. A simpática Alice Braga por sua vez, prova ter tanto “cravo e canela” quanto sua tia (Sônia Braga, para quem não sabe) no início de carreira. Quem também brilha aqui é José Dumont. Mesmo em uma participação micro, o ator, chamado pelo próprio Wagner Moura de “o melhor ator da história do cinema nacional”, rouba a cena. Quem também possui uma pequena participação no filme, esta até menor que a de Dumont, é João Miguel, que levou o prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio por sua atuação em “Cinema, Aspirinas e Urubus”, que assim como “Cidade Baixa”, marcou presença em Cannes em 2005.
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