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" Por muito tempo, os filmes brasileiros ficaram relegados a segundo plano, uma vez que o incentivo das autoridades locais e, porque não dizer dos patrocinadores privados, pareciam correr em sentido contrário à proposta cinematográfica do país. Nessa época, os filmes americanos, sobretudo, continuavam a imperar no gosto da preferência nacional.
Ao questionar o porquê do fraco desempenho dos nossos filmes, era bastante comum ouvirmos comentários relacionados à baixa qualidade, às cenas de sexo e violência gratuitos que não somavam em nada ao produto final.
Um belo dia, lendo um jornal de grande circulação na cidade de Brasília, causou-me espanto saber que um fime brasileiro havia obtido, após exibição em um Festival de filmes independentes nos EUA, aplausos por mais de dez minutos dos presentes que ali se encontravam.
Pensei, tenho que saber mais desse filme que conseguiu tal proeza em solo norte americano, afinal não é todo dia que isso acontece.
Quando descobri que a talentosa atriz Fernanda Montenegro protagonizava o dito filme: Central do Brasil, não tive dúvida, deve ser bom mesmo.
Desse dia em diante, passei a acompanhar em toda a mídia os diversos comentários, críticas e curiosidades que se registravam em nome dessa película.
Até chegar a acirrada disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, que se deu com o filme italiano A Vida é Bela, torci como um louco para que a estatueta viesse parar em nosso país, pois um resultado favorável à Central do Brasil seria uma forma de levantarmos ainda mais o nosso cinema que já estava tão debilitado naquela época.
O fato é que aquele Oscar foi um jogo de cartas marcadas, para não dizer escolhidas, pois A Vida é Bela já tinha vencido a competição antes mesmo de começar a entrega do tão cobiçado prêmio.
Quem não se lembra da Sophia Loren, também italiana, ao anunciar o filme vencedor, representar um dos seus piores papéis, fazendo de conta que não sabia quem era o ganhador . Foi lastimável, como também foi vergonhosa a cobertura da TV Americana que não deu muito destaque a nossa grande atriz.
Somente na cabeça dos americanos é que uma atriz como a Fernanda pode se encontrar concorrendo com uma atriz de talento duvidoso como a vencedora daquele ano. Aliás, uma loirinha bem sem graça. Foi uma palhaçada aquela noite do Oscar.
Apesar disso tudo, o mais importante é que Central do Brasil continuor com ótimo desempenho de apresentação, recebendo prêmios ao redor do mundo.
Esse filme Central do Brasil é um dos mais comoventes que tive o prazer de assistir. Ficará guardado em minha memória para sempre. Não posso esquecer os ensinamentos que ele transmite, sobretudo quando nos faz repensar que o dinheiro não é o fator mais importante da vida humana; há sentimentos como, por exemplo, a solidariedade que não podemos desprezar .
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