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Cavalo de Guerra


War Horse (EUA/2011)

 



Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Richard Curtis, Lee Hall

Elenco: Emily Watson (Rose Narracott), Peter Mullan (Ted Narracott), David Thewlis (Lyons), Benedict Cumberbatch (Major Jamie Stewart), Jeremy Irvine (Albert Narracott), Tom Hiddleston (Capitão Nicholls)

 

Duração: 146 min | Gênero: Drama, Guerra
http://www.warhorsemovie.com/

 

crítica por Matheus Pannebecker

A paciência é uma virtude muito valiosa. Principalmente na hora de conferir "Cavalo de Guerra", que, junto com "As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne", forma a mais recente dupla de filmes do diretor Steven Spielberg. A carreira do diretor, nos últimos anos, não estava lá muito segura: depois de realizar o ótimo "Munique", não obteve o sucesso que esperava com "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal". Desde então, demorou cerca de três anos para entregar seus mais novos trabalhos. Ao passo que "As Aventuras de Tintim" é uma animação prazerosa, "Cavalo de Guerra" desaponta como poucos filmes de Spielberg conseguiram. Aqui, ele se entrega ao melodrama e realiza uma história que, como já mencionado, só deve funcionar com os mais pacientes.

Ao longo das quase duas horas e meia de duração, "Cavalo de Guerra" se supera ao testar a boa vontade de quem espera um filme convincente e que não fosse baseado quase que inteiramente em tons de fábula. Spielberg pede que relevemos vários aspectos: o fato de todos se encantarem instantaneamente com um cavalo que nem conhecem, o extremismo dos personagens (notem como uns são completamente puros e outros inexplicavelmente maquiavélicos), a sorte que protege o personagem-título a todo momento e aquelas frases de efeito que só estão no roteiro para tornar tudo ainda mais motivacional. "Cavalo de Guerra" quer fazer o espectador chorar – e tenta da forma mais pura possível. Para quem curte, as lágrimas serão certas. Para quem não gosta desse lado do diretor, é bem preparar o energético para aguentar a sessão.

Excetuando todo o melodrama – que parece ser uma vontade recorrente do diretor, que, de vez em quando, abandona os efeitos especiais para entregar obras açucaradas – "Cavalo de Guerra" também tem um roteiro nada original. Ao repetir incessantemente o mesmo formato que apresenta novos personagens a cada meia hora para, depois, livrar-se deles e colocar uma despedida lacrimosa do animal, "Cavalo de Guerra" torna-se cansativo. Primeiro porque esse estilo não dá tempo para que o espectador se envolva com as figuras humanas. E segundo porque o roteiro quer, na realidade, que o espectador se importe, custe o que custar, com o cavalo – e não com os personagens humanos que sempre recebem destaque. Quando o cavalo está só, peca mais ainda: isso fica evidente na cena em que o animal percorre um campo cheio de obstáculos para, depois, cair agonizando no chão enroscado em um emaranhado de arames farpados. Apelação, emoção gratuita e opção preguiçosa. No final das contas, o cavalo serve apenas de pretexto para conduzir as lágrimas de um fraco retrato da guerra e da mal delineada relação entre homens e animais.

É de se lamentar, portanto, que uma técnica competente esteja à serviço de um filme que, simplesmente, não tem qualquer intenção mais digna ou complexa do que fazer apenas o espectador achar tudo “bonito mas triste”. A fotografia (lindíssima na cena final), a direção de arte, o trabalho com o som (excetuando a óbvia trilha de John Williams) e, em alguns momentos, o próprio Spielberg (deveria se aposentar caso tivesse perdido a capacidade de conduzir cenas de guerra), não conseguem reverter o clima batido e antiquado de "Cavalo de Guerra". É óbvio que tem o seu público, até porque é produzido pela Disney, o que também explica a violência sem sangue, o alívio cômico envolvendo um ganso (!), as resoluções felizes (ou melhor, implausíveis) e a inocência de várias storylines. E "Cavalo de Guerra" é para esse público específico. Os outros não terão boa vontade com tantas bobeiras em prol da insistente vontade de querer agradar e emocionar.

 

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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