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Café da Manhã em Plutão
Breakfast on Pluto (EUA/2005)
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Mesmo sendo “Lance de Sorte” um bom filme, Neil Jordan já estava há um bom tempo sem fazer um grande filme. E para isso, nada melhor do que repetir uma parceria vencedora no passado. “Café da Manhã em Plutão” é uma adaptação da obra literária de Patrick McCabe, sendo que na última vez que Jordan levou para a telona um livro do autor ele conquistou o Urso de Prata de Melhor Diretor em Berlim, no caso com “Nó na Garganta”, em 1997.
“Breakfast on Pluto” (no original) foi um dos melhores filmes exibidos no Festival do Rio 2005. Além de uma direção caprichada de Jordan e um roteiro praticamente sem furos, o longa nos traz aquela que sem sombra de dúvida é a performance da vida de Cillian Murphy. O ator que parecia destinado a papéis de psicopatas (vide “Batman Begins” e “Vôo Noturno”) agora mostra que pode figurar entre os principais atores de Hollywood. Uma indicação para ele ao Oscar de Melhor Ator não seria surpresa.
Patrick "Kitten" Brady (Murphy) é travesti numa pequena cidade da Irlanda. Filho de um relacionamento entre o padre local e uma doméstica, depois de abandonado pela mãe Kitten foi adotado por uma alcoólatra chamada Whiskers, que o expulsa de casa ao saber de sua homossexualidade. Sem ter para onde ir, ele se muda para Londres, onde se envolve com um político. Sua felicidade dura pouco, já que esse político é morto num atentado do IRA. Novamente sozinho, Patrick sai em busca de sua mãe desaparecida, mas acaba acusado injustamente de matar um soldado em uma boate.
Com “Café da Manhã em Plutão”, Neil Jordan volta ao tema do homossexualismo, que lhe deu notoriedade em “Traídos pelo Desejo” e que também estava presente no excelente “Entrevista com o Vampiro”.
O filme é Cillian Murphy! Apesar de contar com a participação de outros atores até mais consagrados do que Cillian, o longa é ele, é dele. Os outros atores, como Liam Neeson, Stephen Rea, Brendan Gleeson e Ian Hart são “easter eggs”.
Não deixe de conferir “Café da Manhã em Plutão”, apesar de parecer um drama denso e triste, não o é. O longa é extremamente divertido e não é ofensivo em momento algum, e ainda conta com uma excepcional trilha sonora que reúne bandas e músicos como Bobby Goldsboro, Cole Porter, Harry Nilsson, Dusty Springfield, T-Rex, Kris Kristofferson, Patti Page, Buffalo Springfield e Van Morrison, entre outros.
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Lucas Salgado
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"O Café da Manhã em Plutão: Um elo com a Nova História Cultural.
Na Irlanda, durante o final da década de 50, uma mulher abandona seu filho na porta de uma igreja. O padre Bernard encontra o bebê e entrega aos cuidados de Ma Bradem, uma senhora de personalidade rigorosa, que mais tarde ao especular sobre homossexualidade do garoto revela bruscamente não ser mãe dele. A partir daí, Patrick começa a busca pela sua mãe verdadeira, ao mesmo tempo em que sua identidade sexual desabrocha.
Patrick “Kitten” Branden cresce numa cidade no interior da Irlanda num período marcado por conflitos com sua escola católica e atentados do ira. A vida de Patrick caminha junto ao contexto da Nova História Cultural, enfatizando as rupturas sociais, as práticas religiosas e a multipluralidade étnica e cultural, além de conectar as políticas em um nível micro, a qual Michel Foucault chama de “microfísica”.
O filme aborda protestos político-sociais numa época em que o republicanismo irlandês lançava bombas e praticava atos terroristas. O conflito girava em torno dos católicos e protestantes, no qual os primeiros queriam a unificação com a República da Irlanda e os últimos desejam continuar na Grã-Bretanha. Patrick “Kitten” presencia alguns bombardeios, inclusive no decorrer do filme Kitten é o principal acusado em bombardear uma danceteria e matar um soldado.
Podemos ressaltar a orientação sexual de Kitten como um dos pontos de destaque no filme e relacionar com a Nova História Cultural. As roupas, a maquiagem e os gestos corporais deixam o espectador embaraçado em atribuir Patrick ao gênero masculino, pois sua fisionomia aponta para o viés tido como “modelo” feminino. A História Cultural retrata a importância do vestuário como demarcação da história dos espaços, bem como frisa a importância da definição de uma sociedade e cultura. Patrick é ‘considerada’ travesti não só pelo mesmo ter o reconhecimento de sua orientação sexual, mas por usar uma vestimenta e acessórios que reforcem sua identidade sexual para a sociedade. Os gestos do corpo estão ligados também ao debate da Nova História Cultural, sendo considerados cruciais para o estudo de uma cultura. Atualmente, por exemplo, já existem discussões sobre a cultura dos travestis, ou seja, isso mostra o quanto cresce a multiplicidade cultural em nosso mundo, revelando inúmeras facetas da sociedade.
O desfecho do filme desenrola em Londres, local onde Patrick vive momentos de diversão e drama, além descobrir o paradeiro de sua mãe. Patrick inventa uma história forjada de uma companhia telefônica como pretexto para conhecer sua mãe, entretanto, não revela ser filho dela. A fotografia e os recortes (religioso, social e sexual) das cenas demonstram de forma enfadonha e ao mesmo tempo afável, a realidade de Patrick “Kitten” Branden diante de tantos obstáculos de nossa contemporaneidade.
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visitante Ana Luiza De Vasconcelos Marques
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