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Tiros em Columbine


Bowling for Columbine (EUA/2002)

 



Direção: Michael Moore

Roteiro: Michael Moore

Elenco: Charlton Heston (ele mesmo), Michael Moore (ele mesmo), Marilyn Manson (ele mesmo), Matt Stone (ele mesmo)

 

Duração: 120 min | Gênero: Documentário

 

crítica por Lucas Salgado

A carreira de Michael Moore pode ser dividida em antes e depois do dia 23 de março de 2003. Não por ter conquistado o Oscar de melhor documentário, e sim pelo ousado discurso que deu ao recebê-lo, em que disse: "Chamei os outros indicados para melhor documentário ao palco porque nós gostamos da realidade. Gostamos da realidade, porque nós vivemos tempos fictícios, com eleições fictícias e um presidente fictício. Estamos lutando uma guerra por razões fictícias. Que vergonha, senhor Bush, que vergonha!". Antes do ocorrido, Moore era apenas um consagrado documentarista, o que não nos diz muita coisa já que são poucos os documentários que entram no circuito de cinema, e agora ele é um ícone dos que lutam contra a indústria armamentista e pela paz mundial.
Columbine é o nome da escola, em Denver, Colorado, onde em 20 de abril de 1999 dois adolescentes entraram atirando, matando um professor e dezenas de estudantes, e deixando um grande número de feridos. Acontece que o longa não se fixa no massacre de Columbine, usando este somente como motivação para realizar uma inspirada crítica a cultura do medo nos Estados Unidos. Através de entrevistas com políticos e celebridades e até com o uso de animação o diretor retrata que desde a colonização dos Estados Unidos o povo americano sempre temeu alguma coisa, mostrando uma evolução deste medo, que passa por peregrinos, índios, escravos, ingleses, até chegar no medo deles mesmos, levando os americanos à sua fixação por armas, e à sua obsessão por auto defesa.
Outro ponto abordado brilhantemente no filme é o papel da mídia como grande responsável por manter viva, e ainda aumentar, esta cultura do medo. Moore destaca o fato dos telejornais americanos estarem cada vez mais sensacionalistas, mostrando apenas o que lhes é mais rentável, como no caso da violência. Tal ponto nos faz refletir sobre o fato da cultura americana ter tamanha influência (muitas vezes imposta) em todo o mundo e o quanto a nossa própria cultura é influenciada negativamente. Pergunta: Ao assistirmos um jornal no Brasil, seja ele de âmbito local ou nacional, o que vemos mais?
Misturando entrevistas, telejornalismo, animação e videoclipe, o longa nos traz duas grandes surpresas. A primeira é o discurso inteligente e engajado de Marilyn Manson que, acusado de inspirar os garotos de Denver através de suas letras, afirma que é mais conveniente (vende mais) para a mídia acusá-lo ao invés de acusar o até então presidente Bill Clinton, que na época bombardeava outro país (Kosovo) e estava envolvido no escândalo Monica Lewinsky. A outra surpresa, não tão boa quanto a anterior, é Charlton Heston, que encantou a 7ª arte com filmes como "Ben-Hur", "Os dez Mandamentos" e "Planeta dos Macacos". Heston é porta-voz da National Rifle Association (NRA), que defende o direito sagrado dos americanos à posse de armas. A despeito do posicionamento triste do ator, não há como negar a covardia de Moore ao atacar o astro já idoso.
"Tiros em Columbine" é um filme obrigatório, que além do Oscar, recebeu inúmeros prêmios pelo mundo e se tornou o primeiro documentário em cinqüenta anos a concorrer no Festival de Cannes, onde foi recebido com quinze minutos de aplausos após a exibição. Esta obra-prima se tornou o documentário de maior sucesso de todos os tempos (superando "Roger e Eu", também de Moore), nos restando agora aguardar até 2004 quando Michael Moore promete ser muito mais polêmico com "Fahrenheit 911", em que irá abordar as ligações entre a família de Bush e Bin Laden, num documentário cujo intuito é prejudicar a campanha do republicano à reeleição.

 

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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