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Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge
The Dark Knight Rises (EUA/2012)
Direção:
Christopher Nolan
Roteiro:
David S. Goyer,
Christopher Nolan,
Jonathan Nolan
Elenco:
Morgan Freeman (Lucius Fox),
Liam Neeson (Henri Ducard),
Michael Caine (Alfred),
Gary Oldman (Jim Gordon),
Marion Cotillard (Miranda Tate),
Christian Bale (Bruce Wayne / Batman),
Anne Hathaway (Selina Kyle / Mulher-Gato),
Matthew Modine (Nixon),
Joseph Gordon-Levitt (John Blake),
Juno Temple (Holly Robinson),
Tom Hardy (Bane)
Gênero: Ação, Aventura
http://www.thedarkknightrises.com
Vídeo (Teaser trailer em português de "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge")
Warner Bros.
(Português)
crítica por Lula Tdscko
Passaram-se oito anos desde que Batman desapareceu na noite, e naquele instante passou de herói a vilão. Ao assumir a culpa pela morte do promotor Harvey Dent, o Cavaleiro das Trevas sacrificou tudo o que era importante para ele, e agora sofre uma perseguição liderada por seu amigo Comissário Gordon. Agora, ele terá de lidar com a chegada um ladrão muito esperto e misterioso. Muito mais perigoso, no entanto, é o aparecimento de Bane, um terrorista mascarado, cujo plano é tirar Bruce desse exílio auto-imposto.[SINOPSE]
“Batman”, no final dos anos 80, foi um marco por re-introduzir de forma vitoriosa o tema “super-herói” (que era praticamente inexistente) na pauta do cinema. Os dois primeiros filmes desta quadilogia foram dirigidos por Tim Burton e com Michael Keaton como Batman e foram um grande sucesso. Daí entrou em cena o diretor Joel Schumacher que fez um terceiro filme irregular e um quarto filme desastroso que quase sepultou completamente a franquia.
Então, oito anos depois do defenestrado “Batman & Robin”, a Warner Bros e a DC Comics resolveram não apenas fazer o reboot da franquia mas fazê-lo de forma corajosa e grandiosa. Assim foi criado uma franquia de super-heróis sóbria, dark e realista (apesar do óbvio escapismo), feito não apenas para adolescentes ou fãs de quadrinhos. Planejaram e executaram para que fossem feitos três filmes com um mesmo diretor (Christopher Nolan) e o mesmo Batman (Christian Bale), mas Nolan foi além, pensou nos três filmes como três atos de uma mesma história, todos com seus ciclos bem definidos. Dito isso, é complicado e infrutífero ficar comparando qual o melhor ou pior entre os três, pois os três são excelentes.
O público elege o segundo filme (O Cavaleiro das Trevas) como o “melhor” da trilogia não apenas pelo magistral Coringa interpretado por Heath Ledger, mas (de forma inconsciente) justamente por ser o segundo da trilogia, pois o primeiro filme (Batman Begins) tem a obrigatória tarefa de apresentar os personagens e este terceiro (O Cavaleiro das Trevas Ressurge) tem a obrigação de fechar o ciclo para uns personagens (e quem sabe abrir um universo para outros). E assim o segundo filme, que não precisava fazer nem uma coisa nem outra, teve um espaço generoso para o Coringa, uma maior participação do morcego mascarado e também foi direto ao assunto, leia-se, ação.
O filme em si tem como novidade o vilão Bane (Tom Hardy), que usa uma máscara que cobre praticamente todo o rosto, mas se impõe de forma amedrontadora pela sua presença física (através de truques, pois o ator é baixinho), de seu olhar e, principalmente, por sua voz a la Darth Vader. Além disso, tem uma mente menos anárquica que o Coringa mas muito mais perversa. Há também a inserção de novos personagens como a sensual ladra Selina Kyle (Anne Hathaway) que é a Mulher-Gato (apesar que nunca ser assim citada no filme), e do jovem e virtuoso policial Blake (Joseph Gordon-Levitt), um ex-orfão criado num orfanato do grupo Wayne que cria uma empatia especial com Bruce. O grande ponto dramático do filme é a relação pai-filho entre Bruce e Alfred (Michael Caine), que pode render algumas lágrimas aos mais sensíveis.
O filme ainda guarda outros bons truques e falar mais do que isso é correr o sério risco de contar algum spoiler, entregar os segredos do filme. Basta dizer que o filme mantém o ritmo e qualidade dos seus antecessores e fecha o ciclo Nolan/Bale com chave de ouro. Um excelente divertimento proporcionado por um filme que foi tratado como uma jóia por todos seus realizadores. Clap, clap, clap!
crítica por Matheus Pannebecker
Às vezes, dependendo do ponto de vista, ter status não é algo bom. Tomemos o caso de Christopher Nolan como exemplo. Ele, nos últimos anos, provou ser um realizador de extrema competência, reinventando o até então alegórico mundo do Batman e fazendo outros filmes extremamente inventivos como "A Origem". Ok, Nolan deve estar muito satisfeito por ser ovacionado ao redor do mundo. O problema é o público, que, em grande parte, não sabe moderar sua cega paixão por ele. Assim, surge essa atmosfera de ter que ir ao cinema já na obrigação de achar tudo um espetáculo digno de aplausos. E quem não acha não é normal. E, na maioria das vezes, o resultado é sim digno de honrarias. No entanto, quando aparece algo decepcionante como "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge", fica a sensação de que os fãs não conseguem – ou não querem – enxergar falhas e pretensões básicas de um diretor que pode sim, de vez em quando, não ser tão brilhante assim…
Com esse longa que encerra a nova trilogia do homem-morcego, fica evidente, definitivamente, a vontade de Christopher Nolan de ter sempre que complicar histórias – mesmo quando ela não precisam ser tão complicadas! Tal atitude desnecessária é o que mais incomoda em "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge" que, em sua incômoda duração, traz detalhes e informações demais para um enredo que poderia ser muito mais econômico e direto. Assim, o roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Jonathan Nolan, leva mais de uma hora nesse processo de tornar tudo complexo e difícil, como se roteiro bom fosse sinônimo de história complicada. O público que não é familiarizado com o universo de Nolan e que procura um simples filmes de heroi com capa e ação deve sair da sessão entediado – até porque se Batman aparece três ou quatro vezes uniformizado em cena já é demais. A partir de certo ponto, fica cansativo prestar atenção em vários personagens que não fazem muito além de apenas embolar a história.
O último volume da trilogia, que é mais sobre Gotham City do que sobre o Batman, desaponta no sentido de que demora demais para chegar ao clímax. Os últimos momentos de "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge", por sinal, em nada esbanjam originalidade. Pelo contrário, caem na fácil armadilha de resumir a tensão do filme ao protagonista ter que salvar a cidade de uma bomba (e, claro, em três minutos, o cronômetro dela só anda 20 segundos). Do que adianta, portanto, querer ser tão compexo durante mais da metade do filme para, depois, se entregar à obviedade? Em termos de plot, o filme decepciona bastante, especialmente depois do volume anterior, onde a ação era toda movimentada por um vilão que trazia situação inimagináveis e mirabolantes. Tais problemas são agravados pela montagem mal planejada de Lee Smith. Por ser tratar de um filme grandioso e que, querendo ou não, é dirigido às grandes massas, "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge" deveria ser mais enxuto. Afinal, quanto mais resumido é um filme, mais sua essência fica evidente. Rodeios, de vez em quando, não são muito aconselháveis – como aqui.
Mas para não ficarmos só no que deu errado, temos que reconhecer os pontos positivos que, claro, existem no longa. Mesmo com o excesso de personagens, todos os atores cumprem suas respectivas missões – e se são neutros, como é o caso de Marion Cotillard, a culpa é do personagem mal escrito, não de seu intérprete. Anne Hathaway se sai muito bem nos contorcionismos, Michael Caine continua sendo o coração da história, Gary Oldman é o coadjuvante mais irresistível, Tom Hardy está imponente com seu trabalho corporal e Christian Bale não perdeu o fôlego como o Batman mais simbólico que o cinema já viu. Já na cadeira de direção, Nolan mostra que continua como o maior mestre ao dirigir cenas de ação para adaptações de quadrinhos: tudo em Gotham City continua incrivelmente real e nada, absolutamente nada, transparece ter sido feito com tecnologias e artifícios computadorizados. A ação de Batman é impecável e o diretor não dá sinal de ter perdido a capacidade de dar aula nesse aspecto.
De forma alguma é justo dizer que "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge" é um filme ruim. Afinal, se Nolan algum dia realizar um filme ruim, é o fim dos tempos. O que acontece é que, assim como qualquer outro diretor, ele é suscetível a erros. Ou melhor, ele tem o direito de, uma vez ou outra, não ser tão brilhante. O que é realizado nesse fim de trilogia é melhor do que muitos filmes de heróis realizados recentemente (incluindo aqueles que resolvem dar uma nova chance para alguns personagens, como "O Espetacular Homem-Aranha"). Poucos tem o direito de dizer que fizeram uma trilogia que alcançou sucesso de crítico e de público. Agora, difícil saber o que será de Batman daqui para frente. Alguém terá a insanidade de abordar o personagem novamente e ser comparado com Nolan? Espero que não. O diretor, em contrapartida, continua sendo um sujeito de confiança, mas em O Cavaleiro das Trevas Ressurge ele, pela primeira vez, ficou devendo bastante. O resultado não é ruim. É apenas decepcionante. Quem sabe passado o calor do momento, comece a ser julgado como deve: com os pés no chão.
crítica por Clênio Viégas
O que falta dizer sobre "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" que ainda não foi dito, analisado, dissecado e elogiado? O encerramento da trilogia dirigida por Christopher Nolan - que provou que entretenimento e inteligência podem conviver pacificamente em um blockbuster - pode não ser tão impactante quanto o segundo capítulo da série (que, afinal de contas, contava com a atuação assombrosa de Heath Ledger) mas consegue ser empolgante, comovente e surpreendente. De quantos "filmes de verão" se pode pode afirmar a mesma coisa?
A essa altura todo mundo sabe que a trama mantida em segredo por Nolan começa sete anos depois dos acontecimentos do último filme, mostrando Bruce Wayne (Christian Bale) isolado em sua mansão e a imagem de Batman manchada pela acusação da morte de Harvey Dent (Aaron Eckhart). Batman e Wayne são obrigados a voltar à ação, no entanto, quando um mercenário chamado Bane (o impressionante Tom Hardy) passa a ameaçar Gotham City com a destruição em massa proposta por Ras Al Ghul (Liam Neeson). Junta-se à receita a charmosa ladra Selina Kyle (Anne Hathway na ingrata tarefa de ofuscar a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer), o jovem policial idealista Blake (Joseph Gordon-Levitt) e a milionária Miranda (Marion Cotillard) - que ambiciona tornar-se sócia de Wayne em seus experimentos - e pronto: Nolan oferece à audiência cenas de ação de extrema competência, dramas humanos críveis e reviravoltas em número suficiente para que as quase três horas de projeção passem voando diante dos olhos do público.
Fugindo do limitativo nicho de "filmes de super-herói", a trilogia do Homem-morcego criada por Nolan tem uma consistência rara, mantendo um nível de qualidade que encanta tanto aos fãs de histórias em quadrinhos quanto àqueles interessados apenas em um bom filme. Tudo tem espaço no roteiro do cineasta, que tem óbvio carinho pelas personagens e pelos atores que as interpretam (não é à toa que o "time Nolan" está todo aqui, de Bale, Michael Caine e Cillian Murphy aos novos integrantes da troupe, Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt e Tom Hardy, saídos direto de "A Origem"). A história que conta é mais importante para o homem que despontou para o grande público com o fantástico "Amnésia" do que efeitos desconcertantes de câmera e efeitos especiais de ponta (e mesmo assim ele proporciona à plateia bons momentos assim). E é um desafio a qualquer um não sair do cinema bastante satisfeito com as ideias do excelente roteiro e com o final emocionante.
Difícil falar de "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge", em especial depois que tudo foi dito. Mas algo precisa ser dito apesar de tudo: é absolutamente imperdível. E, se Anne Hathway não rouba a coroa de Michelle Pfeiffer ao menos faz bonito em cena....
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