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AI Inteligência Artificial
Artificial Inteligence AI (EUA/2001)
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"David tem 11 anos. Ele pesa 30 kilos. Ele tem um metro e quarenta e cabelo castanho. Seu amor é real. Ele não."
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Confesso que fiquei adiando este momento a meses. Ligava o computador, lia algumas resenhas, assistia o filme outras vezes, começava a rascunhar algumas linhas e ... desistia. Escrever sobre "AI Inteligência Artificial", é uma tarefa complicada demais para qualquer membro do CAFRI. O filme é bom (mesmo com alguns momentos bem ruins) ou ruim (com alguns momentos muito bons)? Essa era a pergunta que todos se fizeram depois que o filme chegou ao cinema, após décadas de empenho de Stanley Kubrick e dezenas de milhares de dólares empregados por Steven Spielberg. A história do robô que é capaz de amar e sonha em se tornar humano (baseado no conto de Brian Aldiss "Supertoys last all summer long") é nada menos que uma re-leitura da fábula do "Pinóquio", um dos patrimônios artísticos da literatura. A direção é de Steven Spielberg, o cineasta mais lúdico de Hollywood e mais adequado para um conto infantil (é só rever "ET O Extraterrestre" ou "Império do Sol", para comprovar) e a concepção é de Stanley Kubrick, cuja reduzida filmografia é composta apenas de clássicos. A música é de Jonh Williams (veterano que criou temas inesquecíveis como os de "Indiana Jones" e "Tubarão") e o elenco conta com gente talentosa e em ascensão como Haley Joel Osment e Jude Law. Ou seja, filme feito na medida para marcar história. E Marcou? É discutível. Quando o filme começa, vemos William Hurt discursando sobre a importância de se construir um robô que seja capaz de amar, isso lá nos anos futuros onde a Inteligência Artificial é tão avançada que computadores que vencem jogos de xadrez são piadas do passado. Logo, embarcamos no drama de um casal cujo filho está doente e que serve de cobaia para realizar o experimento com o robô que é capaz de amar e que quer exigir o direito de ser amado. Algumas coisas acontecem, o robô acaba se perdendo da mãe e se empenha em uma luta de volta para casa, que é o tema de 9 entre 10 grandes fábulas infantis (Do já citado "Pinóquio" até "O Mágico de Oz"). A discussão sobre amor, tecnologia e sonhos é lançada e tem terreno para gerar um filme reflexivo daqueles que só Fellini consegue fazer (e entender). Mas o grande problema se trata justamente da falta de identidade de "AI": tentando ser um filme de Stanley Kubrick em alguns momentos e de Steven Spielberg em outros, ele acaba não sendo de nenhum dos dois. Se torna um híbrido de um dos cineastas mais céticos e duros , cuja racionalidade esta acima de suas obras, com o rei do sentimentalismo. Há momentos extremamente interessantes (a convivência do robô com seu irmão humano, a dificuldade de adaptação do mesmo, o abandono na floresta, o mercado de peles e etc) e outros que chegam a ser bobos de tão ingênuos (o papo do menino com o Dr. Know, a trama paralela do assassinato de uma cliente do robô gigolô interpretado por Jude Law e por aí vai). Mas com o aparato técnico do cineasta, o espectador pode até se
esquecer deste detalhes. Mas não subestime o poder destes dois cineastas. Mesmo com estes defeitos, "AI" é um filme acima da média, um cinema de autor, onde é possível reconhecer a mão de dois "gênios" em um casamento muito esperado. Além disso, o garoto Haley Joel Osment tem um refinamento e uma consciência do que é atuar que falta a muito ator tarimbado e Jude Law também conquista uma performance extremamente engraçada e inteligente, sem contar o resto do elenco, que se esmera na construção de suas personagens. Mas, o que acaba por tornar a obra tão controversa e a comprometer a narrativa é mesmo seu final inexplicável: em busca da "fada azul" que devolveu a Pinóquio sua humanidade, o menino-robô se perde em uma imensidão de gelo e vazio. Este final seria ao mesmo tempo triste e poético, como todo o resto do filme. Mas Spielberg não é Kubrick e não tem coragem de terminar seu filme sem um happy end: planeja uma reviravolta confusa, misturando entidades estranhas, volta ao passado, efeitos especiais e muita ingenuidade para consertar as lágrimas das mães da platéia que não admitiriam ver o quase-garotinho sempre triste. Isso realmente comprometeu e muito a qualidade da obra, mas deixou o filme mais "lírico" e "emocional" para os espectadores que gostam de filmes com tendência piegas. E afinal, Spielberg é Spielberg. Mesmo perplexo com a resolução da obra e irado com o fato do diretor acrescentar 30 minutos completamente dispensáveis ao filme, eu confesso ficar emocionado quando aquele garotinho ingênuo deita com sua mãe na cama e apaga as luzes do quarto. E cada vez que a coisa aperta e "AI" ameaça ficar amargo demais, o diretor sabe bem como dobrar os nossos sentimentos: basta colocar Haley ali, com olhar terno, abraçado a um ursinho sempre com o mais galante e doce dos sorrisos. E assim, não há quem resista.
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Plínio Meirelles
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes
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"Um filme para quem tem as antenas ligadas ou seja, não se deixa levar pela enxurrada de filmes violentos, medíocres, baixo astral, tão a gosto da massa ignorante e bossal, que infelizmente é a maioria, inclusive nos meios mais intelectualizados, de pretensos críticos. Spilberg realmente é um gênio, um ser especial. É um bálsamo constatar que ainda se faz filmes que exalam ternura, poesia, sensibilidade, positivismo. Quem é espiritualista, sabe do que estou falando. "
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visitante Nicolau Sevcenko
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