[Escolha sua cidade] Brasil, 21 de novembro de 2008
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AI Inteligência Artificial
Artificial Inteligence AI (EUA/2001)

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Ian Watson

Elenco: Haley Joel Osment (David), Jude Law (Gigolô Joe), Frances O’Connor (Monica Swinton), William Hurt (Allen Hobby), Meryl Streep (voz da Fada Azul), Robin Williams (voz do Dr. Know), Brendan Gleeson (Lorde Johnson), Ashley Scott (Jane)

[Veja os participantes de "AI Inteligência Artificial"]

Duração: 145 min.

Gênero: Drama/Ficção Científica

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"David tem 11 anos. Ele pesa 30 kilos. Ele tem um metro e quarenta e cabelo castanho. Seu amor é real. Ele não."
Confesso que fiquei adiando este momento a meses. Ligava o computador, lia algumas resenhas, assistia o filme outras vezes, começava a rascunhar algumas linhas e ... desistia. Escrever sobre "AI Inteligência Artificial", é uma tarefa complicada demais para qualquer membro do CAFRI. O filme é bom (mesmo com alguns momentos bem ruins) ou ruim (com alguns momentos muito bons)? Essa era a pergunta que todos se fizeram depois que o filme chegou ao cinema, após décadas de empenho de Stanley Kubrick e dezenas de milhares de dólares empregados por Steven Spielberg. A história do robô que é capaz de amar e sonha em se tornar humano (baseado no conto de Brian Aldiss "Supertoys last all summer long") é nada menos que uma re-leitura da fábula do "Pinóquio", um dos patrimônios artísticos da literatura. A direção é de Steven Spielberg, o cineasta mais lúdico de Hollywood e mais adequado para um conto infantil (é só rever "ET O Extraterrestre" ou "Império do Sol", para comprovar) e a concepção é de Stanley Kubrick, cuja reduzida filmografia é composta apenas de clássicos. A música é de Jonh Williams (veterano que criou temas inesquecíveis como os de "Indiana Jones" e "Tubarão") e o elenco conta com gente talentosa e em ascensão como Haley Joel Osment e Jude Law. Ou seja, filme feito na medida para marcar história. E Marcou? É discutível.
Quando o filme começa, vemos William Hurt discursando sobre a importância de se construir um robô que seja capaz de amar, isso lá nos anos futuros onde a Inteligência Artificial é tão avançada que computadores que vencem jogos de xadrez são piadas do passado. Logo, embarcamos no drama de um casal cujo filho está doente e que serve de cobaia para realizar o experimento com o robô que é capaz de amar e que quer exigir o direito de ser amado. Algumas coisas acontecem, o robô acaba se perdendo da mãe e se empenha em uma luta de volta para casa, que é o tema de 9 entre 10 grandes fábulas infantis (Do já citado "Pinóquio" até "O Mágico de Oz"). A discussão sobre amor, tecnologia e sonhos é lançada e tem terreno para gerar um filme reflexivo daqueles que só Fellini consegue fazer (e entender). Mas o grande problema se trata justamente da falta de identidade de "AI": tentando ser um filme de Stanley Kubrick em alguns momentos e de Steven Spielberg em outros, ele acaba não sendo de nenhum dos dois. Se torna um híbrido de um dos cineastas mais céticos e duros , cuja racionalidade esta acima de suas obras, com o rei do sentimentalismo. Há momentos extremamente interessantes (a convivência do robô com seu irmão humano, a dificuldade de adaptação do mesmo, o abandono na floresta, o mercado de peles e etc) e outros que chegam a ser bobos de tão ingênuos (o papo do menino com o Dr. Know, a trama paralela do assassinato de uma cliente do robô gigolô interpretado por Jude Law e por aí vai). Mas com o aparato técnico do cineasta, o espectador pode até se esquecer deste detalhes.
Mas não subestime o poder destes dois cineastas. Mesmo com estes defeitos, "AI" é um filme acima da média, um cinema de autor, onde é possível reconhecer a mão de dois "gênios" em um casamento muito esperado. Além disso, o garoto Haley Joel Osment tem um refinamento e uma consciência do que é atuar que falta a muito ator tarimbado e Jude Law também conquista uma performance extremamente engraçada e inteligente, sem contar o resto do elenco, que se esmera na construção de suas personagens. Mas, o que acaba por tornar a obra tão controversa e a comprometer a narrativa é mesmo seu final inexplicável: em busca da "fada azul" que devolveu a Pinóquio sua humanidade, o menino-robô se perde em uma imensidão de gelo e vazio. Este final seria ao mesmo tempo triste e poético, como todo o resto do filme. Mas Spielberg não é Kubrick e não tem coragem de terminar seu filme sem um happy end: planeja uma reviravolta confusa, misturando entidades estranhas, volta ao passado, efeitos especiais e muita ingenuidade para consertar as lágrimas das mães da platéia que não admitiriam ver o quase-garotinho sempre triste. Isso realmente comprometeu e muito a qualidade da obra, mas deixou o filme mais "lírico" e "emocional" para os espectadores que gostam de filmes com tendência piegas. E afinal, Spielberg é Spielberg. Mesmo perplexo com a resolução da obra e irado com o fato do diretor acrescentar 30 minutos completamente dispensáveis ao filme, eu confesso ficar emocionado quando aquele garotinho ingênuo deita com sua mãe na cama e apaga as luzes do quarto. E cada vez que a coisa aperta e "AI" ameaça ficar amargo demais, o diretor sabe bem como dobrar os nossos sentimentos: basta colocar Haley ali, com olhar terno, abraçado a um ursinho sempre com o mais galante e doce dos sorrisos. E assim, não há quem resista.
Plínio Meirelles
Imagens de "AI Inteligência Artificial"
AI Inteligência Artificial AI Inteligência Artificial
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes

"Um filme para quem tem as antenas ligadas ou seja, não se deixa levar pela enxurrada de filmes violentos, medíocres, baixo astral, tão a gosto da massa ignorante e bossal, que infelizmente é a maioria, inclusive nos meios mais intelectualizados, de pretensos críticos. Spilberg realmente é um gênio, um ser especial. É um bálsamo constatar que ainda se faz filmes que exalam ternura, poesia, sensibilidade, positivismo. Quem é espiritualista, sabe do que estou falando. "

visitante Nicolau Sevcenko
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