[Escolha sua cidade] Brasil, 21 de novembro de 2008
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Apocalypto
Apocalypto (EUA/2006)

Direção: Mel Gibson

Roteiro: Mel Gibson, Farhad Safinia

Elenco: Dalia Hernandez (Seven), Mayra Serbulo , Gerardo Taracena (Middle Eye), Raoul Trujillo (Zero Wolf), Rudy Youngblood (Jaguar Paw)

[Veja os participantes de "Apocalypto"]

Duração: 139 min.

Gênero: Aventura/Drama

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"Ninguém consegue fugir do seu destino"
Confesso que este filme me deixou sem palavras. Tudo bem, não totalmente sem palavras, ou esta teria sido a crítica mais curta já escrita pelo CAFRI. Então, para ser mais preciso, “Apocalypto” me deixou em choque. E não o choque causado por ser um filme tremendamente violento, já que neste quesito o cinema atual tem tido exemplos de sobra, mas no sentido de ser um filme violentamente inovador, quase selvagem na capacidade de ser diferente de tudo já visto no cinema.
Esta é a terceira investida de Mel Gibson na direção de grandes dramas épicos. E ao longo destes três filmes vemos um caminho bem definido sendo percorrido pelo diretor. Em “Coração Valente”, Gibson recria a história de um lendário guerreiro em um movimento épico contra a dominação do povo escocês pela Inglaterra. No seu trabalho seguinte, o polêmico “A Paixão de Cristo”, o diretor novamente explora uma história épica, narrando de forma fiel à Biblía as 12 últimas horas da vida de Jesus Cristo. Vê-se uma evolução para uma trama com um apelo popular muito maior e inovações radicais como a recriação da época de forma tão realista que até inclui as línguas realmente faladas no período e que hoje são línguas mortas (o aramaico e o latim coloquial). Terceiro trabalho, e Mel Gibson dá mais um passo na sua evolução cinematográfica. Continua a trama épica, desta vez situada no derradeiro fim da antiga civilização Maia. A recriação de época também dá o passo seguinte, com o filme sendo rodado em florestas tropicais, elenco em grande parte nativo, reconstruções completamente maravilhosas das cidades maias e, é claro, uma língua perdida no tempo: o maia.
Com elementos tão diversos, vale a pena gastar um pouco de espaço para falar sobre o processo de criação do filme. Apesar da história fictícia (da qual eu falo mais a frente), o mundo de “Apocalypto” é uma recriação da decadência da civilização Maia logo antes da chegada dos espanhóis. O filme é fiel às teorias atuais de arqueólogos e historiadores que acreditam que, por volta do século XV de nosso calendário, os Maias sofriam com uma grande seca causada pelo desmatamento em torno de suas cidades, trazendo com isso fome e epidemias. A degradação social também se refletia em um governo corrupto, crenças religiosas fanáticas envolvendo uma grande quantidade de sacrifícios humanos e guerras civis. Assim, no filme temos a distinta idéia que aquele era um povo de grande avanço cultural e tecnológico, mas que atingia seu fim. Nas palavras do próprio Mel Gibson: “Nós descobrimos que aquilo que os arqueólogos e antropólogos acreditam é que os problemas desafiadores enfrentados pelos Maias são extraordinariamente semelhantes àqueles que são enfrentados por nossa própria civilização, especialmente no que diz respeito à degradação ambiental em grande escala, consumo excessivo e corrupção política”. O diretor ainda traça um paralelo entre as duas realidades: “As pessoas acham que o homem moderno é tão iluminado, mas nós somos suscetíveis às mesmas forças”. Para maior realismo, o filme tem um elenco quase todo de povos nativos, reunidos pelo México, EUA e Canadá, buscando pessoas que tivessem a maior semelhança física e também o condicionamento atlético necessário para a ação da história. Devido ao preparo exigido para o papel principal, foi escolhido o índio americano das tribos Comanche, Cree e Yaqui, Rudy Youngblood, que é ator e dançarino. No papel de Jaguar Paw, Rudy não só teve a difícil tarefa da aprender seus diálogos em uma língua antiga como ainda passou pelo desafio de um roteiro tremendamente visual, que exigiu do ator muito mais em termos de movimentos e expressões faciais do que normalmente se veria em uma atuação, além de um preparo físico enorme para a ação frenética do filme. Outros atores de destaque são o mexicano Raoul Trujillo, no papel de Zero Wolf; o ator Fernarndo Hernández, descendente Maia que hoje vive no Canadá e interpreta o sacerdote da grande cidade; e até um velho contador de histórias Maia que assume o mesmo papel na aldeia da personagem principal Jaguar Paw. Todo o elenco, incluindo figurantes, teve de ser treinado para falar a língua maia, que hoje ainda sobrevive na península do Yucatán, no México. Com tantos atributos e tantos desafios do ponto de vista de direção, é completamente inacreditável que Mel Gibson não tenha sido indicado ao Oscar de direção e todo o filme tenha recebido apenas 3 apagadas indicações técnicas. Seria gritante que o filme não fosse indicado por melhor maquiagem, mas sua ausência em tantas outras categorias pode estar relacionada a um certo diretor ter chamado policiais de “porcos judeus” ao ser preso no ano passado.
”Apocalypto” conta a história de Jaguar Paw (Rudy Youngblood), um jovem caçador de uma pequena aldeia no meio da floresta tropical. Em sua aldeia ele vive feliz com sua esposa, grávida do segundo filho, seus amigos e um pai sábio e corajoso. Com uma vida tão idílica, Jaguar Paw é pego de surpresa quando um grupo de guerreiros invade sua aldeia, matando, estuprando e escravizando todos que pode encontrar. Jaguar Paw consegue salvar a esposa e o filho, escondendo-os dentro de um poço, antes de ser capturado e levado pelos homens do assustador Zero Wolf. Os sobreviventes do ataque são então levados até a grande cidade, alguns para serem vendidos e outros como sacrifício para os deuses que castigam o povo com a fome e a praga. O único pensamento de Jaguar Paw é sobreviver para voltar à sua terra e salvar a mulher e o filho, presos dentro do poço.
O filme é chocante por muitos motivos, mas em especial por sua capacidade de colocar o espectador dentro da ação. Com um povo de feições tão diferentes que fala uma língua completamente estranha, é espantoso como em poucos minutos somos tragados para dentro do filme. Somos encantados pelo contador de histórias ao redor do fogo, violentados pelo ataque à aldeia. Ficamos tão confusos e desorientados dentro da grande cidade Maia como aqueles caçadores que só haviam ouvido falar daquele lugar como a terra lendária de pedra, onde saía sangue do chão. Ao redor, mulheres com pinturas estranhas fazem danças ritualísticas, seus rostos em transe. O medo nos olhos dos homens quando eles vêem templos altos dos quais rolam as cabeças dos sacrificados é tão instintivo que nossa única reação também é o silêncio. A violência ali é crua, palpável, assustadora. E tão chocados quanto o protagonista ficamos nós, espectadores, quando o filme recebe uma injeção de adrenalina e dispara por uma frenética perseguição pela floresta, rapidamente se tornando uma grande ação. Jaguar Paw corre, pula, a câmera corre, pula, e nós também tomamos fôlego e olhamos desesperados para trás enquanto os perseguidores continuam apenas alguns metros atrás. A ação é bela, selvagem, angustiante. O filme atinge seu clímax e as luzes se acendem. E naquele último momento entre cinema e realidade somos nós, os ocidentais, que parecemos um povo estranho e desconhecido que nos é mostrado pela primeira vez.
Gustavo Catão
Trailer de Apocalypto Idioma: Inglês/Sem Legendas
Assista ao vídeo no formato: Médio ( 6,1 Mb ) : Grande ( 13 Mb ) Fonte: Apple Movies
Trailer de Apocalypto (Trailer 2) Idioma: Inglês/Sem Legendas
Assista ao vídeo no formato: Pequeno ( 5,9 Mb ) : Médio ( 13,9 Mb ) : Grande ( 20,4 Mb ) Fonte: Apple Movies
Imagens de "Apocalypto"
Apocalypto Apocalypto
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Comentários, Críticas e Curiosidades enviadas pelos Visitantes

"Apocalypto é um filme brutal, realista e brilhante. Brutal porque nos mostra os costumes de uma civilização em decadência sem censura. Realista porque nem seu protagonista é bem o mocinho da história, porque filmes realistas não se dão a tal luxo. E brilhante porque nos consegue passar uma mensagem definida, a de que estamos nos degradando em nossas sociedades modernas, cometendo os mesmos erros que nossos antepassados cometeram. "

visitante Gustavo Fontes Duarte

"Demorei demais para assistir esse filme, por causa dos comentários negativos em relação à fidelidade hitórica. Bobagem. Quem gosta de cinema e gosta de dirigir também ( como eu, guardadas as proporções ), sabe que esse filme é maravilhoso, corajoso. Mel Gibson é surpreendente. Mesmo assim, merecia ser indicado como melhor diretor. Foge das convenções, é delicioso de assistir, você gosta dos personagens, se envolve com eles.. . Isso é cinema! Obs: Alguém reparou que o filme foi feito em vídeo? Achei estranho, mas não necessariamente ruim. Acho que foi por ser uma produção independente, saiu do bolso do Mel Gibson. Melhor pra ele. "

visitante do CinemaCAFRI

"O filme é corajoso e tão sangrento quanto a realidade era e ainda é. Uma civilização suicida que adota sacrifícios de inocentes para salvar-se. Qualquer semelhança com a conversa fiada que se ouve hoje em dia sobre aborto legal para acabar com o descaso com a saúde pública não é mera coincidência. E o filme é um filme de esperança - no final vemos que para encerrar tudo aquilo, os espanhóis chegam para mudar tudo com o cristianismo, que é a salvação do mundo - hoje ainda inclusive, se fosse praticado corretamente pelos governantes e os responsáveis pelo povo. "

visitante Liamara

"Não sou cinéfilo e nem crítico, sou apenas espectador e gosto demais de filmes bons, Mel Gibson surpreendeu mais uma vez, este é um dos filmes que sempre vou lembrar, não só pelas imagens e pela história contada, mas por despertar a atenção para o que o ser humando, as vezes ignorante, é capaz de fazer, por acreditar e praticar costumes e crendices! "

visitante Luiz Alexandre Felicien Marquis Jr.

" Eu adorei esse filme; Principamente porque mel gibson tentou mostrar a realidade de como o imperio maia estava antes da chegada dos espanhois"

visitante do CinemaCAFRI

"Eu adorei o filme. É nota10. Será que vai ter o 2? "

visitante Rodrigo Lupatelli
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