[Escolha sua cidade] Brasil, 6 de janeiro de 2009
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Um Domingo Qualquer
Any Given Sunday (EUA/1999)

Direção: Oliver Stone

Roteiro: Daniel Pyne, John Logan

Elenco: Al Pacino (Tony D'Amato), Cameron Diaz (Christina Pagniacci), Dennis Quaid (Jack Rooney), James Woods (Dr. Harvey Mandrake), Jamie Foxx (Willie Beamen)

[Veja os participantes de "Um Domingo Qualquer"]

Duração: 135 min.

Gênero: Esporte/Drama

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"A vida é um esporte de contato."
"Nossa!! É muito Louco!!!" Sim, foi esse o comentário mais expressivo que eu ouvi ao sair de uma sessão de "Um Domingo Qualquer", drama esportivo que traz uma tonelada de astros no elenco. Mas, ao contrário do que possa parecer, ele não foi proferido por um garoto de 15 anos, cheio de espinhas, com calças largas e gírias de skatista, e sim por uma senhora de 65 anos que, atônita com o espetáculo visual que acabara de assistir, não havia gostado do filme e estava morrendo de dor de cabeça.
CENAS GRITANTES! E essa é realmente a impressão que se tem quando se assiste a "Um Domingo Qualquer" ou a qualquer outro filme de Oliver Stone, um dos mais paranóicos cineastas que Hollywood produziu nos últimos anos: mais preocupado em montar cenas visualmente deslumbrantes, o diretor se esquece de que a história ainda é fundamental para o desenvolvimento de um filme. Pausa. Que fique bem claro que nós do CAFRI não estamos querendo uma trama cheia de subtextos, com metáforas freudianas e questões polêmicas sobre a importância da vida do homem moderno. Longe disso. Mas um filme realmente bom tem a necessidade de ter um roteiro bem amarrado, com diálogos espertos e situações convincentes. Porém, "Um Domingo Qualquer" se encosta em uma montanha de clichês (adoro esta palavra, apesar de não saber direito o que ela significa), e o espectador acaba assistindo a tudo tão pasmado e atordoado com as cenas rápidas, gritantes e chocantes que, quando se dá conta, o filme acabou e a história passou desapercebida. Mas estas cenas histéricas são, justamente, a melhor parte do filme: como se sabe Oliver Stone tem o dom de transformar qualquer coisa em obra-de-arte. Seja com discursos de presidentes (JFK), psicopatas enfurecidos (Assassinos por Natureza) ou mesmo uma traição banal (Reviravolta), tudo em suas mãos se torna um fenômemo visual, uma batalha de cores e sons. Porém, se em seus projetos anteriores estes recursos ajudavam a narrativa, agora eles se atropelam em cenas intermináveis de jogos e mais jogos, que dificilmente interessam o espectador brasileiro (e olha que o editor cortou cerca de 15 minutos de filme para a platéia internacional). Não que o filme seja ruim. Tem boas cenas, alguns atores realmente bons (Al Pacino em especial) e bons momentos de tensão. Mas a trama vai se mostrando cansada e banal quando se chega ao apoteótico final.
Cameron Diaz (que promove um festival de caretas com seu personagem) é Christina Pagniacci, dona do fictício time Miami Sharks, que está muito mais interessada em cifras do que nos seus jogadores. Um monstro de frieza e arrogância, ela é o diabo na Terra para o treinador Tony D'Ammato (Al Pacino), um homem íntegro que faz de tudo por amor ao seu time. Quando o principal quarterback se machuca (Dennis Quaid), ele acaba dando ao reserva Willie Beamen (Jamie Foxx) uma oportunidade, e este torna-se, a partir daí, o mais famoso jogador da cidade. O resto é aquela lenga-lenga: o novo jogador não respeita o técnico que, por sua vez, briga com Deus e o mundo para salvar o time e trazer o antigo quarterback de volta a boa forma. Mas, ao invés de explorar os personagens, Oliver Stone resolve tudo da maneira mais banal possível, tornando o final feliz parecido com novela da Globo: o novato se torna mais acessível e adquire consciência de grupo, o titular se recupera em uma volta triunfal, a gananciosa dona do clube se redime de uma hora para outra e o técnico - surpresa - salva o time. Tudo muito bonito, mas muito forçado, já que qualquer pessoa com mais de 12 anos de idade sabe que as coisas não se resolvem desta maneira.
Mas, deixa para lá: "Um Domingo Qualquer" é diversão escapista, é barulhento, é divertido, tem uma tonelada de astros que você pode ir reconhecendo no decorrer da projeção (Entre os já citados estão também James Woods, Mathew Modine, Lela Rochon, Lauren Holly, Charlton Herston e por aí vai) e cenas bem filmadas para você assitir comendo um baldão de pipoca. Não tente levar o filme a sério e não precisa se preocupar com os buracos no roteiro: assista e não se culpe. Afinal, este é um puro exemplar hollywoodiano de filme legal, bem feitinho e descartável para ser assistido - na falta de expressão melhor - em um Domingo qualquer.
Adendo: O CAFRI tomou coragem e viu a versão Corte do Diretor, com os quinze minutos inicialmente cortados para o público internacional. Não há muito o que se dizer ,o que foi provavelmente o motivo do corte, mas se você acha que um bando de americanos batendo suas cabeças umas nas outras foi a melhor parte da versão reduzida (de apenas 2 horas e 15 minutos), então sente-se confortavelmente e assista a 150 minutos de "Um Domingo Qualquer", versão Corte do Diretor.
Plínio Meirelles
Imagens de "Um Domingo Qualquer"
Um Domingo Qualquer Um Domingo Qualquer
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