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Anticristo


Antichrist (Dinamarca/2009)

 



Direção: Lars von Trier

Roteiro: Lars von Trier

Elenco: Willem Dafoe (), Charlotte Gainsbourg ()

 

Duração: 104 min | Gênero: Terror, Suspense

 

crítica por Lucas Salgado

Aqueles que procuram por um filme fácil ou um entretenimento raso devem passar longe de “Anticristo”, bem como de toda a obra do diretor dinamarquês Lars von Trier, cujos pontos altos são “Dançando no Escuro” e “Dogville”. Esta contra-recomendação não é de forma alguma um demérito do filme ou do público que não irá apreciá-lo, mas é fundamental que a pessoa saiba o que a estará esperando na sessão. Pensamos em começar a crítica com algo como “A Confraria de Cinema adverte”, mas pareceria aviso do Ministério da Saúde e desistimos.
“Antichrist” (no original) já iniciou sua carreira internacional diante de muita polêmica. Exibido no Festival de Cannes 2009, o filme recebeu aplausos e vaias nas sessões oficiais e acabou caindo em desgraça com a crítica após uma polêmica coletiva de imprensa, em que Trier se esquivou de muitas das perguntas ("Não sou obrigado a responder sobre isso, não vejo a razão") e ainda disse ser o “melhor diretor do mundo”. Passados alguns meses do festival, onde o filme recebeu a Palma de Melhor Atriz para Charlotte Gainsbourg, podemos analisar o longa com maior frieza. Frio, à propósito, é um adjetivo que pode muito bem ser atribuído ao filme. Não é frio no sentido de que não transmite emoções, mas no sentido de congelar a espinha. “Anticristo” é uma produção agressiva, é, como bem descreveu o crítico Roger Ebert (Chicago Sun Times), uma “garfada nos olhos”. Lars von Trier atinge o espectador de forma contundente e profunda, deixando marcas que ficarão na memória por algum tempo. Por mais que algumas cenas pareçam dignas de Filmes B nada é gratuito. Essas cenas vistas isoladamente podem parecer desnecessárias, mas juntas formam “Anticristo”, para o bem ou para o mal.
Dividido em seis partes (Prólogo, Dor, Luto, Desespero, Os Três Mendigos e Epilogo), “Anticristo” conta a história de um casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) devastado pela morte de seu único filho. Os dois se mudam para uma cabana isolada na floresta Éden, onde o marido, um psicólogo, tentará ajudar a esposa a recuperar-se da perde. A floresta, no entanto, revela-se um ambiente estranho e obscuro onde tudo pode acontecer.
Após Emily Watson, Björk, Catherine Deneuve, Nicole Kidman e Lauren Bacall sofrerem nas mãos de von Trier, agora foi a vez Gainsbourg. A atriz se dedica de corpo e alma ao papel e não é difícil de imaginar que se junte à lista das que não querem trabalhar novamente com o diretor. Em entrevista à Confraria em 2005, Danny Glover, que trabalhou com o diretor em “Manderlay”, rechaçou a ideia de que Lars von Trier atuasse como um ditador nos sets e afirmou que sempre se sentia confortável durante as filmagens. Mas não podemos negar que a atitude do cineasta com as atrizes é diferente. Talvez por isso as figuras femininas sejam sempre mais importantes em seus filmes.
Apontado pelo próprio diretor como o “filme mais importante” de sua carreira (no que a Confraria discorda), “Anticristo” não é um filme para ser explicado, mas para ser assistido. Os pontos de vista da psicologia e da pura e simples existência do mal são explorados e misturados, dando ao filme quase que um caráter de ciência oculta. Mas a intenção não é produzir um resultado e sim fomentar opiniões e posicionamentos. E nisso, “Anticristo” se sai muito bem.

 

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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