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Anti-Herói Americano


American Splendor (EUA/2003)

 



Direção: Shari Springer Berman, Robert Pulcini

Roteiro: Shari Springer Berman, Robert Pulcini

Elenco: Hope Davis (Joyce), Harvey Pekar (Ele mesmo), Joyce Brabner (Ela mesma), Paul Giamatti (Harvey Pekar), James Urbaniak (Robert Crumb), Judah Friedlander (Toby)

 

Duração: 101 min | Gênero: Drama, Comédia

 

crítica por Lucas Salgado

Inicialmente gostaria de confessar que não esperava gostar deste filme, até porque não sou fã e nada sei a respeito desses chamados gibis underground. Acho que filme baseado em história de quadrinhos tem que ser aquele blockbuster, com pessoas com super-poderes, com uniformes coloridos e de preferência passado em uma cidade fictícia, ou senão em Nova York. E disso “Anti-Herói Americano” não tem nada, Harvey Pekar é um homem sem nenhum atrativo, que usa roupas comuns e mora em Cleveland.
Mesmo com todas essas diferenças é impossível não gostar do filme e, principalmente, de Harvey. Brilhantemente interpretado por Paul Giamatti (“O Show de Truman, O Show da Vida”), o personagem encanta justamente por toda diferença em relação aos habituais personagens de quadrinhos.
Harvey Pekar vive uma vida medíocre. Divorciado duas vezes, ele trabalhou como arquivista de um hospital por toda vida e constantemente vendia exemplares de sua coleção de LPs para conseguir dinheiro, este que ele acabava gastando em mais discos. Em um bazar de discos, Pekar conhece Robert Crumb, um cartunista que se torna seu grande amigo, já que compartilhavam gostos parecidos – ambos eram apaixonados por música e quadrinhos. Com o passar do tempo, Harvey continua vivendo sua infeliz existência, enquanto Crumb se torna o mais famoso cartunista underground da história.
Animado com o sucesso do amigo, Pekar resolve entrar para o mundo dos quadrinhos, resolvendo contar para o mundo sua própria vida. Lançado em 1976 com o nome de "American Splendor", e desenhos de Crumb, o quadrinho de Pekar se transformou no maior sucesso entre os chamados gibis underground. Mas mesmo com o relativo sucesso, o obsessivo-compulsivo Harvey não se satisfaz, até porque não consegue viver do dinheiro dos gibis.
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, considerado o filme fora de competição mais prestigiado em Cannes e indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado, “Anti-Herói Americano” tem como principal virtude uma mescla de ficção e realidade. Em certas partes o próprio Harvey Pekar aparece para falar de suas experiências, que ao decorrer do filme envolvem: um novo casamento, com Joyce, que no longa é vivida por Hope Davis; sua luta contra o câncer; e suas aparições constantes no programa “Late Show with David Letterman”, que acabaram com uma discussão ao vivo entre Harvey e o apresentador.
Com esta certa mistura de drama com documentário o longa deve ser conferido. Conta com brilhantes interpretações de Paul Giamatti e Hope Davis, que impressionou no papel da filha de Jack Nicholson em “As Confissões de Schmidt”, e uma competente direção do casal Shari Springer Berman e Robert Pulcini, que também assinam o roteiro do filme.
Agora, peço licença para ser repetitivo e reclamar da tradução do título no Brasil, com a certeza que esta não será a última vez. Esta infame tradução tirou do título toda ironia ao estilo de vida norte-americano presente em “Esplendor Americano”, colocando o personagem como um anti-herói. Tudo bem que, como já foi dito, o personagem vai contra todos os outros personagens de quadrinhos que já chegaram as telas do cinema, mas não é preciso de um título para explicitar isso.

 

Onde assistir

Programação

Filme fora de cartaz ou programação indisponível

 

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