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"A cada filme que assisto, parece estar sendo progressivamente mais difícil escrever uma boa crítica, então novamente venho me desculpar com as pessoas que acessam meu blog caso essa análise não seja do agrado de vocês.
Primeiramente eu me pergunto como um filme que tem nomes como Ridley Scott na direção, Russell Crowe e Denzel Washington no elenco, além de uma parte técnica renomada, pode não ser bom? Tentarei explicar da melhor maneira, mas acredito que seja cada vez mais subjetivo.
Baseado no artigo The Returno of Superfly, de Mark Jacobson, e adaptado pelo ótimo Steve Zaillian, vencedor do Oscar pelo roteiro de a Lista de Schindler - e que também mostrou muito talento como diretor em filmes como a Qualquer Preço e Lances Inocentes -, o Gângster tenta mostrar a ascensão de Frank Lucas (Washington) como chefe do tráfico de drogas em ny durante os anos 70, dominando o cenário do submundo, especialmente por ser o primeiro negro a conseguir tamanho poder, aprendido em 15 anos de convivência com Dumpey, considerado pelo próprio Lucas como um pai e mentor. Paralelo a isso, acontece a história de Richie Roberts (Crowe), policial de New Jersey que estuda para ser advogado, tem um parceiro suspeito e uma esposa prestes a abandoná-lo.
Com uma sinopse dessas, juntamente com os fatores citados no segundo parágrafo, seria o suficiente para que este fosse, no mínimo, um dos melhores filmes do ano, o que não acontece.
Começando pelo roteiro, que mesmo baseado num artigo, poderia render algo muito melhor, pois fica nítida a preferência pela trajetória de Lucas, deixando Richie totalmente em segundo plano, não podendo com isso dar profundidade ao personagem de Crowe, inserindo-o quase a esmo na história. Zaillian perde-se ao não conseguir estruturar duas histórias diferentes que se intercalam somente próximo do fim, fazendo com que o filme acelere e corte coisas importantes somente para que os objetivos de ambos possam logo se cruzar. Sem dizer que o pano de fundo da narrativa, a Guerra do Vietnã, só é citada para dar credibilidade necessária ao personagem de Lucas, quando ele vai para o Vietnã comprar a droga diretamente da fonte.
Ridley Scott, que considero um dos melhores diretores ainda vivos, parece ter caído de produção após realizar um dos melhores filmes da década, Falcão Negro em Perigo. Com exceção do bom Os Vigaristas, Scott parece ter aliviado na condução e escolha de seus filmes, não conseguindo imprimir nos mesmos todo o seu talento. Mesmo com um roteiro perdido, ele não consegue tomar conta do longa e, juntamente com a edição do grande Pietro Scalia (colaborador de Scott e vencedor do Oscar por Memórias de uma Gueixa e Falcão Negro em Perigo), acaba deixando o longa ser conduzido pela capacidade já comprovada de seus protagonistas.
Falando no elenco, esse talvez seja o único ponto alto do filme, pois juntar dois atores do calibre de Crowe e Washington não é pra qualquer um, e eles não deixam a desejar, particularmente Washington que, mesmo não apresentando em o Gângster seu melhor desempenho, já o considero um dos nomes fortes para, ao menos, uma indicação ao Oscar novamente. Além de ser um dos melhores atores negros depois de Sidney Poitier, Washington tem uma presença de cena fantástica, fazendo com que o espectador goste de Frank Lucas, mostrando um personagem apegado à idéia de família, não somente sangüínea, mas a mafiosa. Em contra partida, o sempre excelente Russell Crowe não pôde mostrar muita coisa no longa que, graças ao desenvolvimento do roteiro, apresenta um Richie inseguro, mulherengo e tão honesto que faz com que todos tenham nojo dele, sentimento este que acaba passando para o espectador mais simples. Em certo momento de projeção, Richie chega a dizer que por causa de sua honestidade, nenhum policial iria trabalhar com ele; O que deveria ser motivo de orgulho, acaba se tornando vergonhoso, até mesmo para seus parceiros da Narcóticos, e esse sentimento transpassa a tela, fazendo com que o espectador ache que Richie é realmente um otário.
Mesmo com uma boa ambientação de época, o Gângster deixou, ao menos para mim, muito a desejar, mostrando que essas histórias de máfia, mesmo sendo interessantes, não rendem em sua maioria grandes filmes, apenas um entretenimento esquecível após algumas horas. "
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